Sequestradora de bebê passou 12 horas dentro de hospital no DF

Suspeita entrou no HRT às 15h de quarta-feira e só saiu com o recém-nascido às 3h da manhã de quinta, com a criança em uma bolsa

atualizado 29/11/2019 8:55

Hugo Barreto/Metrópoles

A sequestradora confessa de um bebê no Distrito Federal passou 12 horas dentro do Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Dayane dos Santos, 23 anos, disse que entrou às 15h de quarta-feira (27/11/2019) na unidade de saúde. Às 3h da madrugada de quinta-feira (28/11/2019), ela abordou Larissa de Almeida Ribeiro, 21, e levou o recém-nascido.

A suspeita usou um jaleco para despistar os profissionais do hospital — Dayane faz faculdade de fonoaudiologia e usa a roupa nas aulas. Usou a desculpa que precisava fazer um exame de glicemia na criança. Então, colocou o menino dentro de uma bolsa e saiu do hospital.

A polícia não tem imagens da ação porque o HRT não tem câmeras de segurança — informação confirmada pela Secretaria de Saúde. Dayane procurou mães que estivessem desacompanhada, caso de Larissa, que deu à luz na manhã de quarta, mas ficou sob observação.

Aos investigadores, a suspeita afirmou que passou dois dias apenas observando o movimento na ala da maternidade do hospital. Lá, ela teve acesso a uma lista de relação de gestantes internadas.

O Metrópoles enviou demanda à Secretaria de Saúde sobre a tal lista. “A Secretaria informa que todas as investigações sobre o caso estão a cargo da polícia. A pasta não vai se manifestar até a conclusão da investigação”, respondeu a pasta, em nota.

“A secretaria esclarece que está à disposição das autoridades policiais e colabora prestando todas as informações solicitadas. Destaca ainda que está trabalhando para aprimorar a segurança nas unidades de saúde”, termina o texto.

Motivação

Dayane afirmou que a família não sabia que ela tinha perdido o bebê em agosto deste ano e pretendia roubar a criança para encobrir a situação. A ideia do sequestro veio ainda na segunda-feira (25/11/2019).

Aos policiais, a suspeita afirmou que chegou a amamentar o recém-nascido. “Ela conta que produziu leite, o que não é nenhum absurdo diante do fato de que estava grávida há pouco tempo”, explicou o delegado Luiz Henrique Dourado Sampaio, da Delegacia de Repressão a Sequestros (DRS).

“Ao que tudo indica, ela planejou o crime e a execução, mas não soube o que fazer no pós-crime. Se preparou para o antes e não para o depois”, acrescentou.

Dayane encenou o parto. “Ela deve ter se cortado para manchar os panos de sangue, o banheiro estava com sangue e o irmão, apesar de ter estranhado, decidiu chamar os bombeiros”, explicou Sampaio.

Ela havia, inclusive, simulado um acompanhamento médico da criança. “Dayane recebeu um cartão de acompanhamento, mas os médicos viram que era incompatível com a situação dela. Aparentemente, ela perdeu uma menina aos 4 meses de gravidez”. O recém-nascido sequestrado é do sexo masculino e se chama Miguel Pietro.

“Ela realmente simulou toda a gravidez, criou um ambiente, uma história: simulava contrações, fez enxoval e até pesquisou qual o melhor hospital. A família não sabia do aborto”, continuou Sampaio (na foto em destaque, com a bolsa usada no caso).

“Estava desde agosto fingindo estar grávida. Não deixava que tocassem em sua barriga e sempre apresentou comportamento arredio.” Dayane deve responder por subtração de menor.

Segurança

Sampaio diz que a segurança no hospital precisa melhorar. “Mas houve, também, uma desenvoltura e um planejamento grandes por parte da autora, que foi bastante perspicaz e eficiente. Fica o alerta não só para o HRT, mas para os demais hospitais”, considera.

A segurança da mãe verdadeira do recém-nascido foi reforçada. Ela e o bebê estão internados no Hospital Regional de Ceilândia.

Dayane levou a criança dentro de uma bolsa (foto em destaque). Depois de sair do HRT com o bebê dentro da bolsa, Dayane pediu ajuda do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) com a desculpa de que teria dado à luz um menino em casa.

Então, seguiu para o Regional de Ceilândia (HRC). Lá, a mulher acabou descoberta, segundo nota da Secretaria de Saúde. “Os profissionais de saúde de Ceilândia constataram que o menor não havia nascido fora de unidade hospitalar e já tinha características de atendimento médico, como o corte do cordão umbilical e a marca da vacina BCG”, dizia o texto.

Secretaria

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou “que está em andamento um projeto para implantação de uma central para monitoramento dos hospitais da rede pública”.

Porém confirmou que não existem câmeras no hospital onde ocorreu o sequestro: “No HRT não há câmeras de segurança”.

Segundo a pasta, na hora do desaparecimento, na madrugada de quinta-feira (28/11/2019), o centro clínico tinha 15 seguranças e um supervisor no plantão.

“A Secretaria de Saúde, por fim, lamenta o ocorrido e reforça a importância do trabalho em rede, como ocorreu, possibilitando o desfecho do caso o mais rapidamente possível, e com final positivo. Destaca, ainda, que vai trabalhar para aprimorar a segurança nas unidades de saúde”, afirmou a pasta.​

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