Bebê sequestrado foi levado de hospital do DF dentro de sacola

Segundo a polícia, a mulher decidiu levar um recém-nascido por causa do trauma de ter perdido um filho em agosto deste ano

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 28/11/2019 18:24

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou que a suspeita de sequestrar um bebê no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), na madrugada desta quinta-feira (28/11/2019), levou a criança dentro de uma sacola.

Identificada como Dayane dos Santos, ela tem 23 anos e perdeu um filho em agosto deste ano. Apesar de já ter sido mãe, a situação mexeu com o emocional da mulher. Ela continuou tentando engravidar. Recentemente, teve negativo para o teste de gravidez.

“Aparentemente, ela não queria pegar a criança para fazer algum mal, como vendê-la. Mas teria pego para criar”, explicou o delegado Luiz Henrique Sampaio, da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS).

Dayane entrou no HRT por volta das 15h de quarta-feira (27/11/2019) – se identificou como visitante para conseguir o acesso. Como faz faculdade de fonoaudiologia, usou um jaleco para despistar os profissionais do hospital e se passar por médica ou enfermeira.

Ela permaneceu dentro da unidade até conseguir uma mãe que estivesse sozinha. Falou com várias até encontrar Larissa de Almeida Ribeiro, 21, mãe do bebê.

Sampaio afirma que o hospital não tinha câmeras na ala da maternidade. “Houve falha do hospital. É necessário tomar medida de maior controle da saída de pessoas, como a instalação de câmeras e revistas na saída”, avisou o delegado (foto em destaque, com o jaleco usado pela acusada durante o sequestro).

Segundo ele, Dayane confessou o crime e disse estar arrependida.

Simulou parto

Depois de sair do HRT com o bebê dentro de uma sacola, Dayane pediu a ajuda do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) com a desculpa de que teria dado à luz um menino em casa.

Então, seguiu para o Regional de Ceilândia (HRC). Lá, a mulher acabou descoberta, segundo nota da Secretaria de Saúde. “Os profissionais de saúde de Ceilândia constataram que o menor não havia nascido fora de unidade hospitalar e já tinha características de atendimento médico, como o corte do cordão umbilical e a marca da vacina BCG”, dizia o texto.

Sequência

A criança tinha apenas 19 horas de vida quando foi levada. A avó materna, Francisca de Almeida Ribeiro, 55, conta que a filha havia sido transferida da UPA do Gama para o HRT ainda nessa terça-feira (26/11/2019), mas o parto só ocorreu na manhã de quarta (27/11/2019).

“Foi um bom parto. Fomos transferidos da UPA do Gama porque lá não poderíamos realizar o ultrassom”, lembra. Em Taguatinga, após a cesariana, Larissa não pôde ficar com acompanhantes, segundo os familiares, porque ela tinha que ficar em observação.

Por volta das 10h da manhã dessa quarta-feira (27/11/2019), Francisca voltou para casa, mas manteve contato com a filha. “Eu falei para ela: ‘Cuida do bebê, não deixa ninguém pegar nele'”, diz.

Então, às 3h da madrugada desta quinta, de acordo com familiares do menino, uma mulher de jaleco teria visitado a criança e a levado para fazer um exame de glicemia. No entanto, não a devolveu.

Larissa desconfiou da demora e procurou o pessoal do hospital. Contou o que aconteceu e ninguém tinha conhecimento do exame. Então, as buscas começaram. Além da DRS, investigadores da 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga) participaram da ação.

Secretaria

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal prometeu reforçar a segurança das unidades da rede pública após o sequestro do bebê recém-nascido no Hospital Regional de Taguatinga.

Segundo a pasta, na hora do desaparecimento, na madrugada de quinta-feira (28/11/2019), o centro clínico tinha 15 seguranças e um supervisor no plantão.

“A Secretaria de Saúde, por fim, lamenta o ocorrido e reforça a importância do trabalho em rede, como ocorreu, possibilitando o desfecho do caso o mais rapidamente possível, e com final positivo. Destaca, ainda, que vai trabalhar para aprimorar a segurança nas unidades de saúde”, afirmou a pasta.​

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