“Levei 200 pontos”, diz vítima de médica do DF acusada de negligência

O Metrópoles revelou nessa quarta (24/11) relatos de mulheres que realizaram procedimentos estéticos com a médica Milena Carvalho

atualizado 25/11/2021 18:21

cenas fortesReprodução

Mais cinco pacientes denunciaram ter sido vítimas de negligência por parte de uma cirurgiã plástica do DF. Agora, são 17 mulheres, que, com fotos, relatos e boletins de ocorrência registrados na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), detalham o prejuízo físico e psicológico após passarem por procedimentos estéticos conduzidos pela médica Milena Carvalho. O caso foi revelado pelo Metrópoles, que deu luz a investigações conduzidas pela polícia e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Nesta quinta (25/11), o grupo de denúncias contra a médica foi inundado de novas mensagens. As identidades das vítimas serão preservadas por se tratar de tema sensível.

Umas das jovens desembolsou R$ 16 mil para realizar uma mastopexia com prótese – procedimento que visa a correção das mamas com implante de silicone – em outubro do ano passado. Ela conta que retornou à clínica Lapitat, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, para se consultar com Dra. Milena Carvalho pelo menos uma vez por semana, nos primeiros dois meses após a cirurgia. O objetivo era sempre o mesmo: costurar a ferida que infeccionou a partir do corte feito na mesa de operação. Foram mais de 20 idas ao consultório.

“Tenho certeza que levei mais de 200 pontos e começou muito pequeno. Eu era praticamente uma bomba-relógio. Tinha uma ferida aberta e podia morrer”, alerta.

Veja o desenvolvimento da ferida

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Após ler a primeira reportagem sobre o caso, ela entrou em contato com mulheres em situação semelhante à sua. “Quando voltou esse assunto, eu não dormi mais, porque eu lembro da dor que eu sentia. Eu não conseguia levantar o tronco, era uma coisa que doía absurdamente. Era bem sofrido. Surreal de dor”, lamenta.

“De início, [a dra. Milena] pedia só para eu passar óleo [ozonizado] e para eu não molhar. Também contratei uma enfermeira para me ajudar. Depois foi a fase da rifocina, de não levantar o braço. Usei bastante curativo de prata, antibiótico e anti-inflamatório”, detalha. Segundo ela, foram gastos aproximadamente R$ 10 mil em medicamentos durante os 10 meses de tratamento pós-cirúrgico.

Para a vítima, a negligência foi “deixar chegar no ponto que chegou”, conta. “Tem roupas que eu não uso porque a cicatriz dói muito. Eu tenho uma mutilação onde ficou o corte. Mas, minha maior dificuldade é poder olhar para o espelho de forma tranquila e não olhar só para essa cicatriz”, desabafa.

A mulher conta que, nessa quinta (24/11), pediu os prontuários à clínica Instituto de Cirurgia do Lago (ICL) para levar o caso à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e registrar o boletim de ocorrência, bem como fazer a denúncia no Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) e entrar com uma ação no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).

Mais casos

Outra vítima ouvida pelo Metrópoles desembolsou R$ 13.256 para fazer uma mamoplastia, com inserção de prótese nos seios. Esse tipo de cirurgia altera ou corrige o formato das mamas.

À PCDF ela contou que, um mês após a cirurgia, a mama direita estava inchada e os pontos se abriram. Ao procurar a médica via WhatsApp, a paciente foi informada que os seios estavam “lindos” e foi orientada a passar rifocina no local, medicamento que usou durante três meses.

Ao perceber que as mamas apresentavam necrose, a mulher procurou outro profissional da área. O médico a informou, por meio de relatório médico, que ela teria desenvolvido sequelas permanentes decorrentes do procedimento estético. Cerca de oito meses depois da cirurgia, a paciente relata que Milena a procurou para aconselhá-la a “fazer uma tatuagem” na região da aréola para “refazer o bico do mamilo”.

Em julho deste ano, outra paciente procurou a médica e acertou a retirada de pele e gordura da barriga. A cirurgia custou cerca de R$ 30 mil, pagos à vista. Advogado da vítima, Jadson Carvalho Lino disse que outros médicos, procurados pela cliente antes de firmar acordo com Milena, exigiram o emagrecimento da paciente antes da realização do procedimento em questão.

Ele ressalta que o parecer da médica foi diferente dos demais profissionais do ramo. Todos haviam recomendado a perda de peso, alegando risco durante a cirurgia.

Jadson Carvalho Lino é advogado e representa quatro das 17 mulheres que compõem o grupo. Ele acionou o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) contra Milena Carvalho. Um segundo defensor representa outra vítima, que acionou o MPDFT, o CRM-DF e deixou relato no Reclame Aqui. A maior parte das vítimas registraram ocorrência na PCDF, que investiga os casos.

Confira as imagens chocantes do pós-operatório:

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Segundo o relato de uma das pacientes, como consta no registro policial, a ferida infeccionou durante o pós-operatório. Preocupada com as deformações que se espalhavam pelo abdômen, ela enviou mensagem à médica, que teria respondido: “Tá normal. Tá lindona”.

A paciente, então, iniciou o tratamento com outro médico, que, ao detectar a gravidade da situação, determinou a internação imediata da paciente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Luzia. Houve necrose e infecção generalizada por causa das feridas do abdômen.

A mulher precisou passar por duas transfusões de sangue, devido à anemia, e foi submetida a outro procedimento cirúrgico antes de tratar a infecção, ocasionada por duas bactérias. Segundo consta no documento policial, Milena ficou vários dias sem dar qualquer suporte presencial à paciente.

Fiscalização

Em agosto deste ano, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) suspendeu, por 6 meses, os direitos e as prerrogativas da médica Milena Carvalho por autopromoção de imagem e uso indevido de propaganda. Procurada, a SBCP disse, em nota, que aguarda o pronunciamento conclusivo dos órgãos oficiais acerca dos fatos, para que possa se manifestar tecnicamente sobre o ocorrido e agir no âmbito de suas funções.

O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) também foram procurados. O CRM-DF respondeu que foi notificado da denúncia por meio do Ministério Público e está apurando os fatos, mas que as informações estão sob sigilo.

O MPDFT, por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-Vida), esclareceu que consta em apuração uma única denúncia, que se encontra em fase de requisição de prontuários. O nome da paciente é mantido em segredo.

O outro lado

Em nota, a médica Milena Carvalho alegou que “segue rígidos protocolos de cuidados e que acompanha seus pacientes antes, durante e depois dos procedimentos”.

“A dra. se coloca à disposição das autoridades para prestar qualquer esclarecimento, reforça que os fatos narrados são infundados e que não há qualquer comprovação ou condenação contra ela na Justiça por irregularidade em sua conduta como médica.”

Veja a nota na íntegra:

“A dra. Milena Carvalho repudia veementemente as acusações de não ter prestado apoio pós-operatório a qualquer paciente que ela tenha atendido.

A médica afirma que segue rígidos protocolos de cuidados e que acompanha seus pacientes antes, durante e depois dos procedimentos. Mesmos naqueles casos em que os pacientes não cumpriram o necessário protocolo, ela sempre esteve inteiramente à disposição para atender e solucionar qualquer situação que tenha ocorrido.

Somente em 2021, a médica realizou mais de 200 cirurgias com absoluto zelo e profissionalismo.

A grande maioria dos pacientes está totalmente satisfeita com o resultado dos procedimentos.

Importante destacar que a médica é reconhecida, respeitada e referência para importantes publicações na imprensa sobre a temática de especialidade dela, inclusive é fonte em diversas reportagens veicula das pelo portal Metrópoles. 

A médica afirma ter sido procurada por pacientes que de forma insistente tentaram fazer com que fosse realizado um acordo financeiro, mas não aceitou por não ter nada a temer, uma vez que os fatos narrados são inerentes às cirurgias e a Dra Milena prestou, durante todo o processo, atendimento às pacientes que seguiram com ela.

A Dra. se coloca à disposição das autoridades para prestar qualquer esclarecimento, reforça que os fatos narrados são infundados e que não há qualquer comprovação ou condenação contra ela na justiça por irregularidade em sua conduta como médica.

1 – Todos os pacientes em pós-operatório são acompanhados de forma rigorosa pela médica. Já no pré-operatório todos têm acesso ao celular pessoal da Dra. e podem contatá-la dia ou noite, 7 dias por semana, 24 horas por dia. A médica fica sempre à disposição para as suas pacientes, bem como a sua equipe.

Os retornos pós-operatórios seguem um protocolo rígido e são orientados a serem realizados na sua clínica semanalmente no primeiro mês, após 3 meses, 6 meses e 1 ano, ou em qualquer outro tempo/ocasião se fizer necessário. Nos retornos são procedidas avaliações presenciais, curativos, realizadas fotografias de registro e orientações.

2 – Sobre a paciente a qual a Dra. indicou o tratamento com a micropigmentação areolar, em nenhum momento apresentou infecção bacteriana.

Em toda cirurgia de mamoplastia se tem o risco de necrose total de complexos aréolos papilares e as pacientes assinam termo de consentimento e o mesmo é esclarecido nas consultas pré-operatórias pela médica.

É necessário tempo para que haja o total processo de cicatrização dos tecidos humanos, que pela literatura ocorre após 18 a 24 meses. É importante salientar que a má cicatrização não decorre de negligência, imperícia ou erro médico, mas de resposta do corpo de cada paciente.

Complicações na cicatrização da cirurgia (necrose que leva a perda, no caso em questão, diminuta da aréola direita), não decorrem de erro, mas de fatores externos, alheios à atuação da cirurgiã.

Segundo Arie, no artigo científico http://www.rbcp.org.br/export-pdf/1759/v31n3a06.pdf, dentre as principais complicações observadas da técnica cirúrgica de mamoplastia estão as alterações de sensibilidade do complexo aréolo-papilar, cicatrizes inestéticas e a mastodínia pós-operatória.

Segundo Souza et al.12, no artigo científico http://www.rbcp.org.br/export-pdf/1759/v31n3a06.pdf a cirurgia plástica mamária tem como foco adequação do volume, suspensão e forma da mama, o que foi obtido pela autora.

Tratamentos com medicamentos (vasodilatadores), ozonioterapia, entre outros poderão ser usados num primeiro momento com o intuito de minimizar eventuais danos passíveis de qualquer cirurgia e estes foram indicados desde o pós-operatório imediato pela médica.

Em um período posterior, quando a médica já havia analisado a necrose diminuta na aréola direita, foram indicados curativos especiais com óleo ozonizado com o intuito de acelerar os processos de desbridamento químico (retirada do tecido necrosado) e cicatrização.

Após cicatrizado, existem tratamentos com o intuito de disfarçar os danos e cicatrizes. Algo muito utilizado atualmente na literatura médica é a micropigmentação, que em alguns casos mimetiza de forma incrível deixando a aparência bem natural. Também indicado pela médica.

Os objetivos cirúrgicos nesta paciente foram atingidos:

Correção de ptose e assimetria mamárias avançadas

Mamas bem posicionadas no tórax

Implantes de silicone ok 

Cicatrização nas mamas inerentes ao organismo da paciente e que foge de competência médica

CAPs (complexos aréolos papilares) preservados acima dos sulcos mamários, exceto porção diminuta areolar direita

Foi indicada a micropigmentação areolar como opção para melhoria do contorno areolar direito, o que mostra que houve assistência e orientação, ao contrário do que a paciente acusa de não assistência e negligência nos pós-operatório.

A perda parcial e diminuta foi apenas de uma porção da aréola direita e é um risco inerente ao procedimento realizado, que a paciente estava ciente.

3- Sobre denúncia de uma das pacientes que, após sua internação, em estado grave, na UTI do Hospital Santa Lúcia, a Dra. Milena ficou dias sem aparecer ou dar qualquer suporte presencial para ela, a médica esclarece que essa paciente não foi internada em estado grave. Ela foi internada por uma complicação pós lipoabdominoplastia e na verdade na UTI do Hospital Santa Luzia. Na ocasião, infelizmente houve o falecimento do pai da Dra Milena que se ausentou de Brasília por 3 dias para comparecer ao velório e sepultamento do seu pai.

Mesmo em período emocionalmente difícil, a Dra Milena não deixou de dar suporte por um minuto sequer a esta paciente e sua família bem como toda a sua equipe inclusive com cirurgião plástico assistente que esteve presente cuidando da paciente, fazendo visitas médicas na UTI, avaliando e fazendo os curativos. E a paciente é ciente disto tudo.

Em nenhum momento a Dra Milena afirma que a complicação desta paciente era algo normal ou muito menos fala que ela estava “lindona”. Isso é completamente inverídico.

A Dra Milena sempre deixa claro, desde a primeira consulta pré-operatória, sobre os riscos inerentes a qualquer cirurgia, e a paciente assina termo de consentimento e se mostra ciente dos riscos.

Esta paciente soube que o pai da Dra Milena havia falecido e por isso cirurgião plástico auxiliar da equipe a visitou e acompanhou em sua ausência.

Logo após retornar da viagem, a Dra Milena compareceu TODOS os dias ao Hospital Santa Luzia para avaliar e cuidar da paciente até a sua alta, dando-lhe total a assistência.

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