Lagarta de veneno mortal causou 61 acidentes no DF em 4 anos

Lonomia é considerada a lagarta mais perigosa do mundo. Insetos da espécie foram capturados no Lago Sul semana passada para produção de soro

atualizado

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Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF
lagartas
1 de 1 lagartas - Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Dos 267 acidentes com lagartas registrados no Distrito Federal, 61 foram causados pela Lonomia nos últimos 4 anos, espécie considerada a mais perigosa do mundo devido ao potencial de provocar quadros hemorrágicos graves e até morte.

Os pacientes que sofreram acidentes com a lagarta no DF evoluiram bem após o tratamento adequado. As informações são da Secretaria de Saúde que reforça o alerta para o período de maior ocorrência do animal, que coincide com fases mais quentes e úmidas do ano.

A SES-DF recolheu, na última semana, lagartas do gênero Lonomia em uma residência no Lago Sul (DF), após acionamento de um morador. O material foi enviado ao Instituto Butantan, em São Paulo, para produção do soro antilonômico (SALon), usado no tratamento.

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Folhas comidas e fezes acumuladas são sinais da presença do animal
Acidentes com lagartas ocorrem pelo contato com o animal, que geralmente ocupa árvores ou vegetação próxima
A Lonomia é a lagarta que representa maior perigo às pessoas; a inoculação do seu veneno pode ocasionar acidentes graves e até a morte
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A Lonomia é a lagarta que representa maior perigo às pessoas; a inoculação do seu veneno pode ocasionar acidentes graves e até a morte

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Folhas comidas e fezes acumuladas são sinais da presença do animal
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Folhas comidas e fezes acumuladas são sinais da presença do animal

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Acidentes com lagartas ocorrem pelo contato com o animal, que geralmente ocupa árvores ou vegetação próxima
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Acidentes com lagartas ocorrem pelo contato com o animal, que geralmente ocupa árvores ou vegetação próxima

Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Segundo o biólogo da Secretaria de Saúde do DF, Israel Moreira, nem toda lagarta que tem aparência “peluda” representa o mesmo risco, e é justamente essa confusão que leva a muitos acidentes.

Ele explica que existem espécies muito diferentes entre si. A Lonomia, por exemplo, é a mais perigosa porque tem cerdas mais estruturadas, em formato de “pinheirinho”, capazes de liberar veneno que pode causar desde dor intensa até quadros hemorrágicos graves.

“Dentro desse grupo que tem cerdas de pinheirinho, tem a mais perigosa ainda, que é a Lonomia. Que é a que pode causar um acidente mais grave. Já outras lagartas, como a taturana-cachorrinho, podem até assustar pela aparência — muitas vezes lembram um “bichinho de pelúcia” — mas o efeito costuma ser mais localizado. Apesar disso, também provocam dor forte quando há contato com as cerdas”, afirma.

Em termos mais simples, ele resume que a diferença está no tipo de cerda e no efeito do veneno: algumas causam apenas irritação e dor imediata, enquanto outras, como a Lonomia, podem afetar o organismo de forma mais ampla e exigir atendimento médico urgente.

A Lonomia é uma lagarta que integra o ciclo de vida das mariposas. O especialista conta que o comportamento dela muda ao longo do dia, o que também influencia os acidentes com humanos.

Durante a noite, a lagarta se alimenta das folhas das árvores. Segundo ele, é nesse período que ela fica mais ativa, consumindo grande quantidade de vegetação para crescer e se desenvolver.

Já durante o dia, o comportamento muda completamente: as lagartas descem e permanecem agrupadas nos troncos das árvores, geralmente em grande número. Esse hábito de ficarem “juntas no tronco” aumenta o risco de contato acidental com pessoas que passam ou encostam na vegetação.

Onde aparecem e como evitar acidentes

As Lonomias são encontradas principalmente em árvores como ipês, aroeiras e frutíferas, especialmente mangueiras.

A presença em áreas urbanas pode estar associada à adaptação da espécie ao ambiente e à expansão de pomares domésticos.

A orientação das autoridades é evitar contato direto com lagartas e, em caso de acidente, lavar o local com água fria e procurar atendimento médico imediatamente, já que a rapidez no atendimento é determinante para a evolução do quadro clínico.

Segundo biólogo, o tratamento dos casos mais graves com Lonomia segue uma lógica semelhante à de outros acidentes com animais peçonhentos, como escorpiões e cobras, que também exigem atendimento rápido e uso de soros específicos para neutralizar o veneno.

“É isso que faz a diferença. É igual pro escorpião, por exemplo, ou para acidente com serpente. A pessoa tem que ir logo para o hospital para receber o tratamento”, explicou o especialista.

Como funciona a produção do soro antilonômico

Nos casos mais graves, o tratamento envolve o uso do soro antilonômico, produzido exclusivamente pelo Instituto Butantan, em São Paulo. O processo começa com a chegada das lagartas ao instituto, onde elas passam por triagem e são selecionadas em estágio adequado para a extração do veneno.

As cerdas são processadas para retirada do material tóxico, que passa por etapas laboratoriais como centrifugação, filtração e controle de temperatura. Esse material é utilizado para imunizar cavalos, que produzem anticorpos. Esses anticorpos são então transformados no soro distribuído pelo Ministério da Saúde, conforme a demanda de cada região.

 

 

 

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