Lagartas com veneno mortal são recolhidas em área nobre do DF

Insetos foram encontrados em uma casa no Lago Sul (DF) e enviados ao Instituto Butantan, em SP, para produção de soro

atualizado

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Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF
lagartas
1 de 1 lagartas - Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

A Diretoria de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) recolheu, na última semana, lagartas do gênero Lonomia em uma residência no Lago Sul (DF). O material foi encaminhado ao Instituto Butantan, em São Paulo, para a produção do soro usado no tratamento de acidentes que podem provocar hemorragias graves e até morte.

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Folhas comidas e fezes acumuladas são sinais da presença do animal
Acidentes com lagartas ocorrem pelo contato com o animal, que geralmente ocupa árvores ou vegetação próxima
A Lonomia é a lagarta que representa maior perigo às pessoas; a inoculação do seu veneno pode ocasionar acidentes graves e até a morte
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A Lonomia é a lagarta que representa maior perigo às pessoas; a inoculação do seu veneno pode ocasionar acidentes graves e até a morte

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Folhas comidas e fezes acumuladas são sinais da presença do animal
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Folhas comidas e fezes acumuladas são sinais da presença do animal

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Acidentes com lagartas ocorrem pelo contato com o animal, que geralmente ocupa árvores ou vegetação próxima
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Acidentes com lagartas ocorrem pelo contato com o animal, que geralmente ocupa árvores ou vegetação próxima

Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

A ocorrência foi registrada após o próprio morador identificar os animais em uma área verde próxima de casa e acionar a vigilância ambiental. Em poucas horas, as lagartas foram coletadas e enviadas para a produção do soro antilonômico (SALon), único antídoto específico contra esse tipo de envenenamento no Brasil.

Segundo a SES-DF, o Distrito Federal registrou as primeiras ocorrências com lagartas Lonomia em 2018. Em 2024, foram contabilizados 4.012 acidentes com animais peçonhentos no DF, sendo cerca de 1% relacionados a essa espécie. Do total de casos envolvendo as lagartas no período, apenas três exigiram soroterapia.

“Um acidente vai acontecer, então o serviço de saúde precisa ter sempre o soro antiveneno disponível. Ao mesmo tempo em que ela é o problema, é a solução”, explica o biólogo Israel Moreira.

O órgão reforça que a coleta é essencial para a produção do soro, já que as próprias lagartas são a matéria-prima do antídoto. “O processo envolve a extração das toxinas presentes nas cerdas do animal, que não pode ser mantido em cativeiro como outros peçonhentos, o que exige reposição constante da espécie”, completa.

Sintomas

Os acidentes com lagartas geralmente ocorrem quando há contato direto com o animal, as cerdas pontiagudas funcionam como mecanismo de defesa e injetam o veneno na pele. A dor costuma ser intensa e pode se espalhar do local do contato para outras regiões do corpo.

No caso de acidentes envolvendo lagartas do gênero Lonomia, os sintomas podem ser divididos em manifestações locais e sistêmicas:

Manifestações locais

  • Dor imediata com sensação de queimação
  • Vermelhidão (eritema) e inchaço (edema) no local do contato
  • Pequenos pontos avermelhados nas áreas de inoculação das cerdas
  • Dor em linfonodos próximos (ínguas)
  • Em casos mais raros: bolhas e lesões superficiais na pele
  • Em geral, os sintomas locais tendem a regredir em até 24 horas

Manifestações sistêmicas

  • Surgem horas após o contato, mesmo após melhora da dor local
  • Sintomas inespecíficos: dor de cabeça, mal-estar, náuseas e dor abdominal
  • Sinais hemorrágicos: sangramento gengival, manchas roxas espontâneas ou após pequenos traumas, sangramento nasal
  • Em casos mais graves: presença de sangue na urina, vômito ou escarro
  • Complicações severas podem incluir insuficiência renal aguda e hemorragia intracraniana, associadas a risco de óbito

Recomendações

As lagartas costumam se camuflar em troncos de árvores e vegetação, o que dificulta a identificação. Sinais como folhas comidas e acúmulo de fezes podem indicar a presença do animal. A recomendação é observar cuidadosamente o ambiente antes do contato com a vegetação e utilizar luvas em atividades ao ar livre.

A Vigilância Ambiental reforça que o apoio da população é fundamental para a identificação e recolhimento seguro desses animais. Já as demais fases das mariposas — ovos, pupas e adultos — não oferecem risco e desempenham papel importante no equilíbrio ecológico.

Em caso de suspeita ou acidente, a orientação é procurar o serviço de saúde mais próximo e acionar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox).

 

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