Justiça do DF determina que assassino de Pedrolina fique preso

Decisão foi tomada em audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (05/09/2019)

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atualizado 05/09/2019 14:04

A Justiça do Distrito Federal converteu em preventiva a prisão de João Marcos Vassalo da Silva Pereira (foto de destaque), 20 anos, assassino confesso da auxiliar de serviços gerais Pedrolina Silva, 50. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (05/09/2019), após o preso passar por audiência de custódia na Terceira Vara Criminal de Brasília. A vítima foi enterrada nesta quinta.

Na decisão, a juíza Lorena Alves Ocampos argumentou que a prisão do criminoso se faz necessária por sua “periculosidade”. “A intenção do autuado de estuprar a vítima [Pedrolina] era clara, não só por seus dizeres, como também por suas atitudes. O modus operandi adotado na execução do delito retrata a periculosidade do autuado”, disse a magistrada.

João Marcos foi preso pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) nessa terça-feira (03/09/2019) devido a outro caso, de tentativa de estupro no Lago Sul, pouco antes de o corpo da auxiliar de serviços gerais ser encontrado. Um dia depois, na quarta (04/09/2019), ele confessou que teria matado Pedrolina após tê-la estuprado. Contou, em depoimento, que estava no mesmo ônibus em que a vítima seguia para se encontrar com uma amiga.

O homem disse que desceu uma parada depois do local de desembarque de Pedrolina e correu até o ponto em que ela estava para atacá-la (veja vídeo abaixo). Afirmou que esganou a vítima, mas a causa da morte foi um corte de arma branca no pescoço.

“João Vassalo também era morador do Paranoá Parque e, por diversas vezes, teria assediado a mulher. Nós vamos investigar essa relação e ele poderá responder por feminicídio”, explicou Bruna Eiras, delegada cartorária da 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul).

Veja o vídeo do momento do ataque:

 

No caso da tentativa de estupro no Lago Sul, João Marcos Vassalo teria simulado estar armado com uma faca e levou a vítima para o mato. A mulher encontrou a tampa de uma caixa térmica e começou a bater nele.

Após conseguir fugir, pediu ajuda a um motorista que passava pelo local. Em seguida, ambos foram até o posto da PM. Depois da busca, policiais militares conseguiram prendê-lo. O criminoso vestia as mesmas roupas que usava quando matou Pedrolina: uma bermuda caqui e camiseta verde alusiva à turma de formandos de 2004 de uma escola pública do DF.

Família destroçada

A cunhada de Pedrolina, Ivanete de Sena Cavalcante, 47, contou por telefone ao Metrópoles que a família acumula dois sentimentos: tristeza e revolta. “Estamos completamente destroçados. A mãe dela não tem condição emocional de sair de casa e o filho ainda está desnorteado”, disse.

Foi Ivanete quem comunicou à Polícia Civil que uma amiga havia conseguido rastrear o celular da vítima. A localização do aparelho constava no Lago Paranoá. Pedrolina desapareceu na manhã de domingo (01/09/2019), quando saiu de casa, no Paranoá Parque, tomou um ônibus e desceu na parada perto do Centro Universitário (Unieuro), na L4 Sul. Ela aguardava uma amiga que a buscaria de carro. As duas seguiriam para um clube no Setor de Clubes do Sul.

Câmeras de segurança da faculdade particular flagraram o momento em que um homem aparece correndo, sobe um barranco em direção ao ponto e agarra Pedrolina. Ela tenta se desvencilhar, mas é arrastada para um matagal.

As buscas foram encerradas na tarde dessa terça-feira (03/09/2019), após agentes da Polícia Civil encontrarem o corpo de Pedrolina em um matagal. Ela vestia apenas calcinha e uma camiseta listrada manchada de sangue. Uma revista pornô foi localizada perto do cadáver. Tais informações reforçam a suspeita de que ela pode ter sido vítima de violência sexual, o que só será confirmado com o laudo do Instituto Médico Legal (IML).

 

Amiga deveria buscá-la

Ao Metrópoles, uma amiga e colega de trabalho de Pedrolina Silva chorou ao se lembrar da vítima. Claunice Telles, 49, havia combinado de buscar Pedrolina na parada entre 10h15 e 10h30. “Ela morava sozinha e acabava passando muitos fins de semana sem companhia. Eu a convidei para passar o dia comigo e minha família no clube e, como moro no Gama, marquei de buscá-la na L4 Sul”, contou.

Claunice diz que chegou ao local no horário combinado e não a viu. “Liguei três vezes, e só dava caixa postal. Pensei que ela tivesse desistido de última hora e não havia conseguido me avisar por falta de bateria.” Instantes antes, Pedrolina enviou áudio pelo WhatsApp para Claunice, dizendo que havia chegado à parada.

Ouça:

Ao tomar conhecimento da morte da amiga, Claunice entrou em choque. “De certa forma, me sinto culpada, porque, se eu não tivesse feito o convite, nada disso teria acontecido. Ela vivia o melhor momento, havia conquistado muitas coisas”, disse, emocionada. Pedrolina era separada e mãe de um homem de 30 anos, casado e morador de Ceilândia.

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