Ibaneis sobre operação contra desvio na Educação: “Cada um que responda perante a Justiça”. Veja vídeo
Durante agenda, Ibaneis afirmou que o caso está sob sigilo e destacou que não é citado na investigação; Hermeto foi alvo de buscas
atualizado
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O governador Ibaneis Rocha (MDB) comentou, nesta quinta-feira (12/3), a operação que apura desvios na ordem de R$ 46 milhões na Secretaria de Educação do Distrito Federal.
“Pelo que eu sei, essa operação corre em sigilo, eu não tenho informações do que aconteceu”, afirmou. “Se eles, que estão envolvidos quiserem apresentar para mim alguma coisa, mas não tenho interesse nenhum, não cita meu nome, eu não tenho nada a ver com isso.”
Ibaneis afirmou que o caso está sob sigilo e destacou que não é citado na investigação. “Cada um que tem seus problemas que responda perante a Justiça”, afirmou, durante agenda pública.
Entenda o caso
- O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) deflagrou a Operação Blackboard para investigar suposto esquema de desvio de dinheiro público na Secretaria de Educação do DF, nesta quinta-feira (12/3).
- Mais de R$ 46 milhões teriam sido desviados, segundo a apuração. O líder do governo na CLDF, deputado distrital Hermeto (MDB), também é alvo de busca.
- O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) da Polícia Civil (PCDF), deflagrou diligências na Câmara Legislativa (CLDF).
- Também estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão na Secretaria de Educação e na casa de Hermeto.
- A Candangolândia, região administrativa em que estão os imóveis, é base eleitoral de Hermeto, onde o parlamentar já foi administrador regional.
- A operação também cumpre busca e apreensão contra um empresário em São Paulo.
- Ao todo foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, no Estado de São Paulo, no Goiás, e no Tocantins”, informou o MPDFT em nota.
- Os agentes da PCDF deixaram a sede da Secretaria de Educação com várias bolsas de materiais apreendidos, por volta das 8h10. As equipes deixaram a CLDF, por volta do mesmo horário.
O líder do governo na Câmara Legislativa do DF (CLDF), deputado distrital Hermeto (foto abaixo), do MDB, é alvo de busca.
As buscas foram cumpridas na Secretaria de Educação do DF, na CLDF e em endereços ligados ao deputado Hermeto.
Operação Blackboard
O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) deflagrou a Operação Blackboard para investigar suposto esquema de desvio de dinheiro público na Secretaria de Educação do DF, nesta quinta. Mais de R$ 46 milhões teriam sido desviados, segundo a apuração.
A locação de uma escola da rede pública de ensino no Setor de Motéis motivou a investigação. Segundo o Gaeco, o imóvel teria sido supostamente alugado por meio de dispensa ilegal de licitação e superfaturamento do contrato. O aluguel do local teria ocorrido para abrigar o Centro de Ensino Fundamental 01 (CEF 01) da Candangolândia e a sede da Coordenação Regional de Ensino (CRE) do Núcleo Bandeirante (DF). O colégio em que os alunos estudavam estaria em condições precárias e foi fechado para reforma.
De acordo com o MPDFT, parte expressiva dos recursos supostamente desviados para a locação do novo imóvel por valor superior ao da reforma da escola original seria proveniente de emendas parlamentares de Hermeto.
A Candangolândia, região administrativa em que estão os imóveis, é base eleitoral de Hermeto e já teve o parlamentar como administrador.
Segundo o MPDFT, o esquema foi desmascarado pelo tempo: passados mais de cinco anos, o mesmo imóvel público seria alvo de um contrato de reforma firmado em 2025, no valor de aproximadamente R$ 12 milhões. O Poder Público teria gasto mais de R$ 19 milhões em aluguéis por um prédio que poderia ter sido reformado por valor inferior — e ainda hoje o edifício original permanece de pé e, tem tese, em obras.
De acordo com o Gaeco, o imóvel locado pela Secretaria de Educação pertencia à empresa Saída Sul Hospedagens Ltda. — a mesma pessoa jurídica que opera o A2 Motel. Segundo as investigações, o sócio-administrador do empreendimento, Carlos Eduardo Coelho Ferreira, residente em São Paulo, seria beneficiário direto do suposto esquema.
O Gaeco apontou ainda que Hermeto teve supostamente “papel decisivo na articulação do esquema”. De acordo com os investigadores, o parlamentar teria intermediado o contato direto com o então Secretário de Educação João Pedro Ferraz dos Passos para supostamente garantir a assinatura do contrato fraudulento.
A expressão Blackboard — que em inglês significa “quadro-negro” — foi escolhida como referência direta ao objeto central da investigação: o desvio de recursos públicos destinados à educação.
Outro lado
Em nota, Hermeto disse que não possui “qualquer gestão ou participação em contratos administrativos da Secretaria de Educação, que são de responsabilidade exclusiva do Poder Executivo”.
“Os recursos destinados por meu mandato ao Pdaf [Programa de Descentralização Administrativa e Financeira, que disponibiliza recursos financeiros diretamente para instituições educacionais públicas] ao longo de sete anos foram aplicados em melhorias e manutenção de mais de 60 escolas públicas em todo o Distrito Federal”, disse.
Ele acrescentou que o Pdaf “não pode ser utilizado para pagamento de aluguel”. “Portanto nenhum centavo desses recursos foi destinado a essa finalidade. Confio nas instituições e permaneço à disposição para quaisquer esclarecimentos”, finalizou.
Em nota, a Secretaria de Educação informou que o processo tramita sob regime de sigilo e que a Pasta segue à disposição das autoridades.
“A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal informa que o processo em referência tramita sob regime de sigilo, em observância às normas legais aplicáveis e à necessidade de preservação da integridade das apurações em curso.
Não obstante a natureza sigilosa dos autos, a Pasta permanece integralmente à disposição das autoridades competentes, colocando-se pronta para fornecer todas as informações e esclarecimentos que se fizerem necessários, com o propósito de colaborar de forma plena e institucional com os órgãos policiais e judiciais responsáveis pela condução das investigações e pela adequada elucidação dos fatos.”
Blackboard
A expressão Blackboard — que em inglês significa “quadro-negro” — foi escolhida como referência direta ao objeto central da investigação: o desvio de recursos públicos destinados à educação.
















