Piloto do Metrô-DF mata a mulher e se suicida na frente do filho
Segundo vizinhos, vítima tentou escapar, pediu socorro, mas Júlio César dos Santos fez os disparos contra a esposa e depois se matou

Uma mulher foi assassinada a tiros pelo marido por volta das 15h desta sexta-feira (16/3). O crime ocorreu na residência do casal, na QNN 4, em Ceilândia Sul. Durante uma áspera discussão, o piloto do Metrô-DF Júlio César dos Santos, 38 anos, pegou um revólver calibre .38, tirou a vida da esposa e depois se matou. Tudo na frente de um dos filhos, de apenas 2 anos.
Segundo uma testemunha-chave ouvida pelo Metrópoles, o menino estava no colo do pai, que tentava forçar a porta durante a briga com a mulher, Mary Stella Maris Gomes Rodrigues dos Santos, 32. Logo depois, a vítima saiu gritando “socorro, socorro” e correu para o portão. Antes que os vizinhos chamassem a polícia, Júlio César fez os disparos.
Ao ver os corpos dos pais, a reação da criança impressionou a testemunha. “Ele não queria que ninguém chegasse perto deles. Só dizia ‘papai e mamãe’. Depois que o levamos para dentro da minha casa, não quis mais sair”, disse. O casal deixa outro filho, mais velho, o qual estava na escola na tarde desta sexta.
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Ver todasDe acordo com pessoas próximas, Júlio César já vinha se desentendendo com a mulher. As brigas entres eles eram constantes, dizem os vizinhos. “Já ouvimos quebra-quebra, a voz alterada dela. Chegavam às vias de fato mesmo”, de acordo um deles.
Na tarde desta sexta, o piloto vestiu o uniforme e se preparava para entrar no serviço, às 16h30, quando começou mais uma discussão na casa. Marido e mulher entraram em luta corporal, segundo testemunhas. Mary pediu ajuda aos vizinhos e disse que o homem estava armado.
Ao tentar abrir o portão da casa, foi puxada pelos cabelos por Júlio César. Nesse momento, o funcionário do Metrô atirou com o revólver de sua propriedade, que seria registrado. Os corpos estão lado a lado, na frente da casa.
Eles brigavam muito, mas não era uma discussão normal. Sempre tinha muito xingamento, objetos atirados um contra o outro
Vizinho do casal em Ceilândia
As discussões, ainda de acordo com os vizinhos, ocorriam sempre porque Júlio César “bebia demais”. “Ele saía para os bares e voltava bêbado, e ela não aceitava. Daí sempre começavam a brigar”, ressaltou uma das pessoas que conviviam com o casal.
Conforme um amigo de Júlio César contou, as brigas do casal se intensificaram há cerca de três meses, quando a mulher descobriu que ele tinha vários casos extraconjugais. “Ontem [quinta], bebemos cerveja juntos e ele disse que estava pensando em fazer uma besteira, mas eu imaginei que a besteira era apenas pedir o divórcio. Jamais imaginei que ele quisesse cometer uma barbaridade dessas”, disse.
Este é o segundo caso de feminicídio no Distrito Federal em 10 dias. No dia 6 de março, o vigilante Elson Martins da Silva, 39 anos, matou a tiros a esposa, a servidora pública Romilda Souza, 40. A execução ocorreu no apartamento da família, na 406 Sul. Os dois filhos do casal estavam na sala no momento em que o pai assassinou a mãe.
Quando os bombeiros chegaram ao local, a mulher já havia morrido, mas o homem ainda respirava. Os militares tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu. Conforme informações da Polícia Militar, a arma foi apreendida no local. Ao todo, foram ouvidos cinco disparos.
Os dois filhos, de 3 e 4 anos, estavam na casa. Romilda era funcionária do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Elson, ex-vigilante, trabalhava na lotérica que tinha com a esposa, no Paranoá.















