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Distrito Federal

HBDF suspende consultas com reumatologistas e acende alerta na unidade

Fila de pacientes aguardando consulta na especialidade chega a 3,7 mil pessoas; déficit de funcionários na unidade atrapalha serviço

19/07/2026 02:22
Hugo Barreto/Metropóles @hugobarretophoto
HBDF suspende consultas com reumatologistas e acende alerta na unidade

O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) suspendeu, recentemente, as consultas no ambulatório de reumatologia na unidade devido à falta de médicos para atender toda a população da capital. O Instituto de Gestão Estratégica em Saúde do DF (Iges-DF) confirma a suspensão.

Segundo o Iges-DF, atendimentos com reumatologista no Hospital de Base precisaram passar por uma “reorganização assistencial”. A medida teria sido tomada após “afastamentos definitivos e temporários prolongados de profissionais da especialidade” impactar o quadro de funcionários.

No momento, apenas pacientes com doenças imunomediadas de maior complexidade, como lúpus eritematoso sistêmico, vasculites, artrite reumatoide e espondiloartrites conseguem atendimento no Base.

Quase 4 mil aguardam consulta

Enquanto isso, a fila para conseguir acompanhamento aumenta a cada dia. Até julho deste ano, cerca de 3,7 mil pessoas aguardavam por uma consulta com um reumatologista, segundo o mapa social do Ministério Público do DF (MPDFT).

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Rosilda da Cunha, 57 anos, é uma das pessoas na fila. Ao Metrópoles, contou que a última vez que conseguiu se consultar no Hospital de Base foi há quase um ano, em agosto de 2025 e, desde então, aguarda por um retorno. Ela tem fibromialgia e sente muitas dores.

“O meu retorno seria para dezembro de 2025. Quando eu voltei, me falaram: ‘Não, não estamos mais atendendo paciente de fibromialgia. Os atendimentos de pacientes com fibromialgia aqui no Base foram cancelados'”, contou Rosilda.

A continuidade nas consultas com reumatologista é fundamental para Rosilda, que, recentemente, passou por uma cirurgia, e os médicos da Rede Sarah, unidade onde ela foi operada, têm cobrado para que faça o devido acompanhamento. Sem a assistência na especialidade, ela pode perder a vaga.

“Nesta terça-feira (21/7), eu retorno para o meu médico, mas não tenho o que falar. Quando o paciente tem fibromialgia, tem que ter acompanhamento com o reumatologista. Se não tiver, eles não acompanham o paciente. Estou com medo de perder o meu tratamento no Sarah devido a isso”, lamenta.

O Hospital de Base tem apenas 15 médicos reumatologistas, incluindo a chefia do setor. Em nota, o Iges afirmou que “a recomposição da carga horária da especialidade encontra-se em andamento, com o objetivo de ampliar gradualmente a oferta de consultas e garantir a continuidade da assistência aos pacientes”.

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Outras áreas afetadas

Ainda de acordo com o Mapa Social do MPDFT, 3.185 pessoas aguardam na fila por uma consulta em psiquiatria. O tempo de espera ultrapassa os 90 dias.

A demanda por oftalmologia na capital federal consegue ser ainda maior: 13.898 pessoas aguardam em uma fila que chega a 72 dias de espera.

Segundo o Iges, as unidades sob a gestão do órgão têm 32 médicos psiquiatras, sendo 30 deles lotados no Hospital de Base. O Instituto, que também é responsável pelo Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e pelo Hospital da Cidade do Sol (Hsol), não informou quantos servidores atuam nessas duas unidades.

Quanto aos oftalmologistas, o Instituto dispõe de 30 médicos na especialidade, tendo 10 deles sido cedidos pela Secretaria de Saúde do DF (SES-DF). 28 atuam no Base.

Em nota, o Iges informou que “as consultas eletivas em psiquiatria e oftalmologia são reguladas pelo complexo regulador da SES-DF, responsável pela gestão das filas de espera e pelo encaminhamento dos pacientes às unidades da rede”. “Dessa forma, o IgesDF não realiza a gestão da fila de pacientes que aguardam consultas nessas especialidades”, alega a pasta.

Quanto a contratações, o Iges-DF informa que concluiu processo seletivo para dez novos psicólogos; que possui 15 médicos psiquiatras convocados em cadastro reserva; e que está adotando as providências para abertura de novos processos seletivos “conforme a necessidade dos serviços e a disponibilidade orçamentária”.


Duas mortes em junho

  • O DF vem somando casos de negativa repercussão na rede pública de saúde nos últimos dias. Em junho deste ano, duas pessoas morreram esperando atendimento.
  • No dia 20 de junho, Vilmar da Silva, de 49 anos, morreu enquanto aguardava atendimento sentado em uma cadeira de rodas, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas.
  • Uma testemunha, que não quis se identificar, disse ao Metrópoles que estava na unidade de saúde com a filha. “Em dado momento, um dos presentes afirmou que um senhor não apresentava sinais vitais. Minha esposa, que é enfermeira, verificou o pulso do paciente e constatou o óbito”, afirmou.
  • Ainda segundo o relato, a equipe de plantão da UPA foi informada, mas um enfermeiro teria negado o falecimento. “Naquele momento, acreditamos que essa postura fosse uma estratégia para remover o corpo da área de espera e declarar o óbito posteriormente, como se o paciente tivesse recebido assistência”, observou.
  • Em menos de um mês depois desse caso, no dia 12 de julho, Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu enquanto aguardava por atendimento no pronto-socorro do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). A morte aconteceu após ele sofrer um mal súbito na entrada do hospital.
  • Uma equipe de apoio do hospital tentou reanimar o homem com massagem cardíaca, mas ele não resistiu.