PCDF diz que apura possível omissão de socorro em morte dentro de UPA
Vilmar Pereira morreu sentado em uma cadeira dentro da UPA do Recanto das Emas. Ontem a PCDF havia informado que o caso tinha sido arquivado

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou, nesta quarta-feira (15/7), que segue investigando um possível crime de omissão de socorro na morte de Vilmar Pereira da Silva na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas.
A informação foi enviada ao Metrópoles por meio de nota, após a corporação afirmar que tinha arquivado a ocorrência da investigação sobre a morte do homem. A PCDF explicou que foi juntado o laudo cadavérico produzido pelo Instituto Médico Legal (IML) que afirma que Vilmar teve uma morte súbita cardíaca, provocada por um tamponamento cardíaco, evidenciando morte por causas naturais.
Uma possível omissão de socorro, no entanto, não está descartada.
“Foi aberto procedimento investigativo interno na UPA sobre o caso, procedimento este que está sendo acompanhado pela investigação, restando pendente juntada dos elementos colhidos na Unidade de Saúde, dentre outras diligências relacionadas que integrarão relatório da seção responsável pela investigação que será ainda concluído, viabilizando a análise sobre a necessidade de instauração de inquérito para apurar possível crime de omissão de socorro”, explicou a PCDF.
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Ver todasRelembre o caso
- Vilmar morreu em 20 de junho na UPA do Recanto das Emas.
- Imagens obtidas pela coluna Grande Angular mostram o homem antes de morrer dentro da UPA.
- Silva chegou à UPA em uma cadeira de rodas, às 21h14 no dia anterior.
- Ele bebeu água e foi posicionado, por um vigilante, em um canto da sala de espera da unidade de saúde.
- De acordo com as imagens, aproximadamente duas horas depois, ele foi ao banheiro. Na ocasião, às 23h07, ele estava sem a pulseira de identificação para atendimento.
- Já durante a madrugada, aproximadamente às 2h40, o homem permanecia na cadeira de rodas. Aparentemente,
- Silva toma um líquido não identificado, às 2h43.
- Um minuto depois, às 2h44, o segurança se aproxima e fala com ele. Às 3h, Silva se cobre com o cobertor. Ao lado, três pessoas estavam dormindo nas cadeiras da UPA.
- Uma testemunha, que preferiu não se identificar, contou ao Metrópoles que estava na UPA acompanhando a filha quando a esposa percebeu que Vilmar havia morrido.
- Segundo o relato, a equipe de plantão foi avisada, mas um enfermeiro teria afirmado inicialmente que o homem não estava morto.
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal-DF (Iges-DF) também investiga o caso e informou ainda que adotou medidas para reforçar os fluxos assistenciais na unidade.
“Paralelamente, a unidade implementou, em conjunto com os setores Humanizar, Qualidade e Segurança do Paciente e demais áreas envolvidas, medidas de aprimoramento dos fluxos assistenciais voltadas ao fortalecimento do acolhimento, da identificação precoce de situações de vulnerabilidade e da segurança do paciente”, afirmou.
O IgesDF acrescentou que, em razão do sigilo dos procedimentos administrativos, da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e da necessidade de preservar pacientes, familiares e profissionais envolvidos, “não divulgará informações adicionais nem antecipará conclusões enquanto a apuração estiver em curso”.



