Gripe K no DF: saiba em quais situações o uso de máscara é indicado
Pesquisadora da UnB lidera estudo da Máscara Vesta, capaz de filtrar e inativar até 99% de vírus como a Influenza e suas variantes
atualizado
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Com o avanço da gripe K no Distrito Federal, que já registra a morte de uma adolescente de 17 anos e a confirmação de outros cinco casos da influenza, a pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Marcella Lemos Brettas Carneiro reforça o alerta sobre a retomada do uso de máscaras como medida de proteção individual e coletiva em cenários de maior circulação de vírus respiratórios.
A cientista é líder responsável pelo desenvolvimento da Máscara Vesta (foto em destaque) — criada na UnB durante a pandemia de Covid-19 com financiamento do Fundo de Apoio à Pesquisa no DF (FAPDF) — e ressalta que a tecnologia segue relevante no atual cenário de aumento de doenças respiratórias.
O equipamento atua na filtragem e inativação de até 99% de agentes como influenza e Sars-CoV-2, além de bactérias e fungos. O projeto foi desenvolvido em parceria com a pesquisadora Suélia de Siqueira Rodrigues Fleury Rosa e contou com mais de 90 participantes.
Em Goiás, também foram confirmados três casos da doença nos municípios de Caldas Novas, Anápolis e Itumbiara. Diante do aumento de casos de SRAG e da alta ocupação de UTIs, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) decretou situação de emergência, medida assinada pelo governador Daniel Vilela (MDB) e publicada em 15 de abril.
Entenda o cenário
Quando o uso de máscara é indicado
Diante do aumento da circulação viral, os pesquisadores afirmam que o uso de máscara volta a ser recomendado em períodos de maior transmissão, especialmente em ambientes fechados, pouco ventilados ou com aglomeração.
A orientação inclui ainda espaços como unidades de saúde, transporte público, salas de espera e ambientes institucionais, além de pessoas com sintomas respiratórios, como forma de reduzir a transmissão, afirma Marcella.
Segundo Marcella, a recomendação não é de uso contínuo para toda a população, mas de adoção situacional, especialmente em períodos de maior circulação viral. A indicação é reforçada para grupos mais vulneráveis, como idosos, imunossuprimidos, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde.
Os pesquisadores destacam ainda que a máscara não substitui a vacinação, a higienização das mãos e o isolamento em caso de sintomas, funcionando como uma camada adicional de proteção.
Máscara Vesta: tecnologia desenvolvida na UnB
Desenvolvida na Universidade de Brasília durante a pandemia de Covid-19, a máscara Vesta segue sendo estudada e aplicada em contextos de aumento de doenças respiratórias.
“Enquanto máscaras tradicionais atuam principalmente como barreira física, a Vesta adiciona uma camada tecnológica de inativação de agentes infecciosos em contato com o material”, explica Marcella.
O projeto surgiu em março de 2020, em meio ao alerta global sobre a escassez de equipamentos de proteção individual. “Foi um momento em que ficou evidente a necessidade de soluções tecnológicas nacionais para proteção de profissionais e da população”, relembra a pesquisadora.O desenvolvimento contou com financiamento da FAPDF e gestão da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), vinculada à UnB.
A Vesta é um respirador do tipo PFF2 que incorpora nanotecnologia de quitosana, substância derivada de crustáceos e de insumos da agricultura familiar. “Muito além da filtragem mecânica, a proposta foi agregar um material com ação complementar sobre vírus e outros micro-organismos”, explica Marcella.
O equipamento foi testado em profissionais de saúde do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em Brasília, e passou a ser distribuído para redes hospitalares a partir de 2022, após avanço dos estudos clínicos.


