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Poucas horas depois da retirada dos sem-teto que invadiram o Torre Palace Palace, na área central de Brasília, o Governo do DF começa a construir neste domingo (5/6) um muro para evitar novas ocupações de sem-teto e usuários de droga no local. A barreira será erguida até o primeiro andar do edifício.  A segurança estará garantida 24 horas pela Polícia Militar. A área, agora, será alvo de dedetização e desratização. O governo garante que todas as despesas com a desocupação, estimadas em mais de R$ 4 milhões, serão cobradas dos proprietários do imóvel.

 

O Palácio do Buriti tem pressa em cercar o local, já que uma nova invasão, com a proximidade das Olimpíadas, seria mais um arranhão na popularidade do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). Afinal, o estádio Mané Garrincha, que receberá jogos de futebol em agosto, está a menos de 500 metros do hotel. Além de “hospedar” os sem-teto, o Torre Palace colocou Brasília na mídia nacional ao ser batizado de “Cracolândia Vertical”. O governo federal, inclusive, exigia uma solução rápida para o problema.

A secretária de Segurança Pública, Márcia Lima, diz que o custo operacional está sendo apurado e a Procuradoria-Geral do DF vai apresentar o relatório ao Tribunal de Justiça. “Todos esses custos serão recuperados aos cofres públicos por meio dos responsáveis reais dessa operação”, explicou.

Enquanto o processo da decisão de leilão do imóvel continua na Justiça, o prédio só pode ser implodido pelo governo em caso de ameaça de desabamento. Nesse caso, o Estado arca com os custos da implosão e depois o valor é cobrado dos proprietários.

O trânsito foi quase que totalmente liberado. Agora, apenas o acesso ao Eixo Monumental (sentido Mané Garrincha) pela W3 está fechado. Três faixas da via N1 estão fechadas somente na altura do prédio. O muro está sendo feito por reeducandos da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso, Funap, com tijolos cedidos pela Novacap.

A desocupação
Os sem-teto que resistiam à retirada foram dominados e se renderam às 7h07 deste domingo, 35 minutos após o início da operação. No total, a operação durou uma hora e meia. Eles atiraram tijolos, pedras, telhas e até botijões de gás contras os policiais, além de provocarem um princípio de incêndio no terraço do hotel. Apenas um dos ocupantes saiu levemente ferido por uma bala de borracha. Ele foi medicado em uma ambulância do Corpo de Bombeiros. Duas horas depois a operação, um outro ocupante foi preso. Ele havia se escondido no prédio, mas foi capturado quando tentava fugir.

Foram 96 horas interruptas de serviço das forças operacionais. “Tivemos bastante cuidado com as crianças, e todos os limites de negociação pacificas foram esgotados. Tivemos paciência, mas não podia continuar essa desordem no centro de Brasília. Em respeito à população que também estava sofrendo”, explicou o comandante da PM, Coronel Nunes.

O  líder do Movimento de Resistência Popular (MRP), Edson Francisco da Silva, estava em liberdade provisória e agora, além de perder esse direito, será acusado de novos crimes. Os 12 adultos, sendo quatro mulheres, foram presos em flagrante e levados ao Departamento de Polícia Especialidade da Polícia Civil (DPE). Eles responderão à Justiça por de tentativa de homicídio, resistência, dano ao patrimônio, exposição de perigo à vida das crianças e outros.

Divulgação

Invasores sendo autuados na Polícia Civil

 

As quatro crianças que estavam no prédio receberam atendimento prévio dos bombeiros, não aparentavam estar doentes e foram levadas ao HMIB. Elas serão acolhidas pela Vara da Infância e da Juventude e SeCria.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Hamilton Santos Esteves Junior, disse que o prédio, já condenado pela Defesa Civil, está em condições críticas, inseguras e perigosas. “Os vãos estão livres, fato que facilita uma queda”, disse.

Negociação
Desde quarta-feira (1º/6), a PM tenta desocupar o hotel. A ideia inicial era que os invasores saíssem espontaneamente. Mas isso não ocorreu. Foram várias tentativas de negociar. As crianças acabaram usadas como escudo para evitar uma ocupação forçada. Para vencer os sem-teto pelo cansaço, a entrada de alimentos e água foi proibida. A energia foi cortada. Durante esses dias, dois invasores chegaram a desistir e sair do prédio.

Mas os líderes do Movimento da Resistência Popular (MRP), Edson Francisco da Silva e Ylka Carvalho, insistiam em dizer que a saída estava condicionada à indicação de um local para que os sem-teto pudessem ser instalados definitivamente. Os dois foram presos no ano passado, em uma operação da Polícia Civil, acusados de extorquir dinheiro de pessoas em troca da promessa de um lote.

Disputa judicial
Fundado em 1973, o Torre Palace Hotel foi o primeiro prédio do Setor Hoteleiro Norte. Hoje, é parte de uma disputa entre herdeiros do libanês Jibran El-Hadj, dono do prédio, morto em 2000. O prédio está abandonado desde 2013. Desde outubro do ano passado, é o lar de integrantes do Movimento Resistência Popular, que invadiram o local após serem expulsos do Clube Primavera, em Taguatinga.

Ao todo, cerca de 200 pessoas ocupam o local, que fica em área privilegiada, em frente ao Eixo Monumental. Palco de diversas tentativas mal-sucedidas de reintegração de posse, o hotel já foi condenado pela Defesa Civil, que apontou diversas falhas graves na estrutura da construção.

 

 

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