*
 

Após iniciar um mapeamento de imagens por satélite para combater a grilagem de terras no Distrito Federal, o GDF decidiu lançar mão de um novo expediente: o helicóptero que fica a serviço do governador.

As imagens aéreas começaram a ser feitas em janeiro de 2016 por equipes da Subchefia de Ordem Pública e Social (Sops), vinculada à Casa Militar. Cada vez que a aeronave decola do hangar onde fica no Aeroporto Internacional de Brasília, volta com, no mínimo, 70 mil fotos de uma única área.

Em geral, as fotos são feitas quando Rodrigo Rollemberg (PSB) não está no helicóptero. Nas ocasiões em que o governador se desloca na aeronave, o piloto observa se houve mudanças nas localidades pelas quais passa. Caso perceba algo de diferente, a Agência de Fiscalização do DF (Agefis) é informada.

Michael Melo/Metrópoles

Helicóptero à disposição do governador Rodrigo Rollemberg

 

Os equipamentos utilizados no helicóptero permitem uma imagem a cada meio segundo. Elas são comparadas com registros anteriores. Se houver construções novas, o governo faz as retiradas, como ocorreu em ações recentes. Um exemplo foi a derrubada de imóveis irregulares na região do córrego do Rodeador, que compõe o sistema da bacia do Descoberto, feita em 25 de janeiro.

Ao longo de 2016, a Agefis realizou 487 operações de desocupação. Boa parte delas teve o apoio de imagens aéreas, sejam as feitas por satélites, sejam as obtidas no helicóptero. Algumas das regiões mais críticas atualmente são a Colônia Agrícola 26 de Setembro, entre Taguatinga e Brazlândia, e São Sebastião, segundo o GDF. Mas outras áreas, como o Sol Nascente, também são foco de problemas, como mostrou o Metrópoles recentemente.

O prejuízo para a sociedade é bilionário. Para se ter uma ideia, apenas em Vicente Pires o impacto financeiro gerado pela venda ilegal de terras chega a R$ 2,4 bilhões, segundo contas da Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth).

Atuação rápida
O chefe da Casa Militar, coronel Cláudio Ribas, afirma que o trabalho aéreo com o helicóptero permite uma atuação rápida, precisa e integrada.

Fazemos o monitoramento por satélite também, mas é a cada 15 dias e, se o tempo estiver ruim, a cada 30. Com as imagens aéreas, acompanhamos quase que diariamente, com precisão das informações, o que nos permite programar ações nos locais exatos, com efetivo suficiente e detalhes do local"
coronel Cláudio Ribas, chefe da Casa Militar

Por meio dessas imagens, a Agefis, responsável por coordenar as operações de desocupação, tem agido com mais celeridade. “Temos equipe de pronta resposta que retira as novas invasões antes mesmo que elas se consolidem no local. E também recebemos as denúncias pelo aplicativo da agência, que pode ser baixado pelo celular”, disse o órgão, em nota.

Segundo a assessoria da agência, o monitoramento aéreo ajuda na elaboração dos relatórios pré-operacionais. “Devido ao nível de detalhamento da imagem, conseguimos identificar os tamanhos das edificações, tipo e quantidade”, completa.

Michael Melo/Metrópoles

Desocupação no Sol Nascente

 

Crise hídrica
O nível dos reservatórios do Distrito Federal também entra nos mapas de monitoramentos. Em um dos trabalhos, a equipe, inclusive, descobriu duas bombas que estariam sendo usadas para captação irregular de água na microbacia Jatobá, na região norte do DF. A suspeita de ilegalidade foi repassada à polícia ambiental, que vai apurar a situação nos próximos dias.

“Os levantamentos continuam. Temos previsões de desocupações e estamos trabalhando no monitoramento voltado para a crise hídrica também”, explica o coronel Cláudio Conde, subchefe da Sops.

O uso do helicóptero faz parte das ações que o GDF implementou no ano passado, quando Rodrigo Rollemberg anunciou um pacote de medidas de monitoramento territorial. Munidas com tecnologia de ponta, as ferramentas permitem que interessados em terrenos do governo tenham todas as informações necessárias para saber se o lote é regularizado ou não.

 

 

COMENTE

Agefisterracapinvasões
comunicar erro à redação

Leia mais: Distrito