Fraudes em contas causaram prejuízo de R$ 20 milhões à CEB

Servidores e ex-funcionários da empresa são alvos de operação deflagrada pela PCDF, com o apoio do MP, nesta quinta-feira

Polícia Civil/DivulgaçãoPolícia Civil/Divulgação

atualizado 31/10/2019 11:52

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quinta-feira (31/10/2019), com o apoio do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a Operação Apate. Entre os presos, estão funcionários públicos suspeitos de integrar uma organização criminosa que teria causado prejuízo milionário à Companhia Energética de Brasília (CEB) e também à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb).

Segundo as investigações, apenas com a transferência da titularidade do cliente inadimplente sem o necessário pagamento da dívida, o grupo causou prejuízo de aproximadamente R$ 20 milhões à CEB, em um período de quatro meses. Mas, segundo o coordenador da Coordenação Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor), Leonardo de Castro, os desvios podem somar centenas de milhões de reais.

De acordo com o diretor da Divisão de Combate ao Crime Organizado (Draco), Adriano Valente, um dos investigados, preso durante a operação, afirmou que a fraude é praticada na empresa há pelo menos uma década. Os investigadores saíram às ruas para cumprir 19 mandados de prisão temporária e 24 de busca e apreensão. Até as 10h30, 18 pessoas tinham sido detidas. Entre elas, oito servidores da CEB, um ex- funcionário da empresa, cinco terceirizados e nove eletricistas autônomos. Na casa de um dos detidos, a polícia encontrou R$ 30 mil escondidos atrás de uma geladeira.

Um funcionário da Caesb suspeito de atuar de modo similar, também foi detido. No total, os policiais encontraram R$ 86 mil em espécie, cheques e notas promissórias nas casas dos investigados. Além das quantias, foram apreendidos milhares de lacres de medidor da CEB, 113 medidores de energia e uma Toyota Hilux. Além de uniformes da CEB na residência de suspeitos que não possuem vínculo empregatício com a empresa.

Segundo as investigações, há indícios de que o grupo criminoso atuava em diversas frentes, entre elas, na cobrança de propina para a religação do fornecimento de energia para os devedores; troca de titularidade das contas da CEB e da Caesb; além do cancelamento de dívidas, mediante pagamento de suborno.

As apurações tiveram início seis meses após a análise do material coletado no aparelho celular de um dos presos na Operação Horus, na qual foram presos grileiros e policiais militares envolvidos no parcelamento irregular de terras públicas no Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia.

Os alvos da operação deflagrada nesta quinta-feira (31/10/2019) são servidores e ex-funcionários da CEB, além de particulares. Entre os locais onde estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão, estão a sede da companhia energética e endereços de Águas Lindas e Novo Gama, ambos municípios goianos do Entorno do Distrito Federal.

De acordo com a PCDF, o grupo composto por pelo menos seis núcleos criminosos faturava também prestando serviços particulares a um valor mais baixo, apesar de formalmente executados pela CEB, e adulterando medidores de energia elétrica para cobrança de valores menores e fornecendo luz a áreas com obras embargadas, graças ao pagamento de propina.

Os suspeitos usavam terceiros para transferir a titularidade do ponto de energia sem o necessário pagamento de dívida. A conduta criminosa, segundo os investigadores, teria favorecido empresas de grande porte do Distrito Federal, o que explica, ao menos em parte, o inadimplemento de mais de R$ 600 milhões de devedores da empresa. O nome da operação vem da deusa grega Apate, que representa a fraude.

Mais de 200 policiais saíram às ruas nesta quinta-feira (31/10/2019). Na ação, a Cecor conta com o apoio da Divisão de Operações Aéreas (DOA), da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DCPI) e do Instituto de Criminalística do Distrito Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (Gaeco). A Polícia não vai divulgar os nomes dos suspeitos, pelo fato de se tratar de prisões temporárias.

Em crise financeira e com rombo bilionário nas contas, a CEB  e a Caesb estão na lista de privatização do GDF. Em nota, a Companhia Energética de Brasília informou que está apoiando a operação para que sejam coibidas fraudes e outras práticas contra os interesses da companhia. “É público que há consumidores que têm se utilizado de ligações clandestinas para promover furto de energia, como também houve recentemente uma operação policial para coibir a fraude em medidor praticada por uma empresa”, destacou a estatal.

Além disso, informou que a administração da CEB presta todo o apoio necessário às autoridades policiais na investigação. “A medida vai ao encontro da firme atuação da atual gestão na redução da inadimplência e no combate às perdas, seja por furto ou por fraude, que prejudicam tanto a empresa quanto o consumidor honesto e bom pagador”, assinalou.

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