Esquema de grupo que forjou mandados beneficiava facções como PCC e CV
A investigação apontou que foragidos ligados às organizações apareciam no sistema como se já tivessem sido presos, dificultando as detenções
atualizado
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Integrantes de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), estavam entre os beneficiados por um esquema que forjava o cumprimento de mandados de prisão em sistemas judiciais. A operação, batizada de Lex Data, foi deflagrada nesta sexta-feira (27/2) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em ação conjunta com as polícias Civil de Minas Gerais (PCMG) e de Goiás (PCGO).
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em Goiás. Um homem de 19 anos foi preso em Caldas Novas (GO) e uma mulher de 45 anos foi detida no DF. Um adolescente de 15 anos foi apreendido no Jardins Mangueiral e encaminhado à internação provisória.
Segundo as investigações, o grupo manipulava dados oficiais para registrar falsamente o cumprimento de ordens judiciais. Na prática, os alvos permaneciam foragidos, mas apareciam no sistema como se já tivessem sido presos, o que dificultava novas detenções em abordagens policiais. As inserções irregulares foram identificadas e revertidas.
Mentor adolescente
O adolescente é apontado como um dos principais articuladores do esquema. De acordo com a polícia, ele coordenava a obtenção e o uso indevido de credenciais de servidores públicos para acessar sistemas judiciais e inserir informações falsas.
As tratativas ocorriam em grupos no Telegram e no Discord. Havia divisão de funções: enquanto um integrante negociava acessos, outro executava as alterações e um terceiro administrava os valores recebidos. O grupo também oferecia, de forma clandestina, consultas e intervenções em ferramentas como o Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud).
Pedido de prisão de presidente e ministro
A investigação identificou ainda tentativas de emissão forjada de ordens de prisão contra autoridades da República.
Entre os alvos estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Para os investigadores, a iniciativa teve caráter intimidatório e buscava demonstrar poder diante de agentes públicos e magistrados.
As apurações seguem para identificar outros envolvidos e mensurar a extensão total das fraudes.
