
Mirelle PinheiroColunas

Grupo que forjou mandados contra Lula e Moraes intimidou juiz e delegado
Nesta sexta (27/2), duas pessoas foram presas em Caldas Novas (GO). Um adolescente de 16 anos também foi apreendido e ficará internado
atualizado
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Após entrarem na mira das polícia de diversos estados, os suspeitos de integrar um grupo especializado na invasão de sistemas públicos tentaram intimidar diretamente um juiz e um delegado responsáveis pela investigação do caso. Segundo informações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), eles teriam tentado acessar indevidamente credenciais institucionais e, ainda, bloquear valores em contas vinculadas às autoridades. Eles também tentaram forjar mandado de prisão contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e contra o presidente Lula (PT).
As investigações começaram em julho de 2025, quando a PCDF identificou a inserção de documentos falsos em sistema de um órgão governamental do DF, mediante uso indevido de credenciais de servidores do GDF.
À época, o principal envolvido foi identificado como um adolescente morador do DF. A Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) chegou a pedir medida judicial à Vara da Infância, com parecer favorável do Ministério Público, mas o pedido foi negado.
Criminosos contumazes
Mesmo após a identificação inicial, o grupo continuou atuando, passando a utilizar credenciais de servidores de outros estados, como Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina.
Em janeiro deste ano, as forças de segurança constataram que os investigados tentaram promover alterações no Banco Nacional de Mandados de Prisão, com o objetivo de beneficiar pessoas com ordens de prisão em aberto. A tentativa foi frustrada após atuação coordenada das polícias civis e do Conselho Nacional de Justiça.
Mandado de prisão contra Lula e Moraes
No último dia 5 de fevereiro, uma operação conjunta foi deflagrada com apoio dos Tribunais de Justiça de Goiás e Minas Gerais.
De acordo com as apurações, diante do avanço das investigações, o grupo colocou as autoridades responsáveis pelo caso em MG como alvos. Foram identificadas tentativas de acesso indevido às credenciais institucionais do magistrado responsável pelo controle judicial da investigação, além de bloqueios de valores realizados por meio de sistema eletrônico em contas vinculadas tanto ao juiz quanto ao delegado que conduz o inquérito.
Os atos teriam sido viabilizados a partir da invasão das credenciais funcionais de uma servidora pública do Estado de Sergipe, utilizadas de forma ilícita para a prática das medidas. Para os investigadores, as condutas revelam tentativa clara de intimidação, retaliação e interferência no regular funcionamento das instituições.
Nova fase da operação
Diante da escalada, uma nova etapa da operação foi deflagrada nesta quinta-feira (27/2). Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça de Minas Gerais.
Uma mulher, de 45 anos, foi presa no Distrito Federal, e um homem, de 19, em Caldas Novas (GO). Um adolescente de 16 anos também foi apreendido e ficará internado.
Durante as diligências, foram apreendidos celulares e outros dispositivos eletrônicos, que passarão por perícia técnica para aprofundamento das apurações e identificação de possíveis outros envolvidos.
As ordens judiciais foram cumpridas no DF e em Goiás, pela PCMG, com apoio operacional da PCDF e da PCGO. As investigações seguem em andamento.
