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Entorno e Goiás

MP acha R$ 70 mil em fundo falso na casa de monsenhor no Entorno do DF

O dinheiro estava dentro de um armário na residência do religioso, em Planaltina de Goiás. Ele e outros oito são acusados de desviar dízimos

19/03/2018 16:32, atualizado 19/03/2018 17:48
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Reprodução/Vídeo
MP acha R$ 70 mil em fundo falso na casa de monsenhor no Entorno do DF

Durante a Operação Caifás, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás nesta segunda-feira (19/3), foram encontrados R$ 70 mil escondidos em um fundo falso de um armário na casa do monsenhor Epitácio Cardozo Pereira, em Planaltina (GO). O dinheiro, de acordo com os investigadores, pode ter sido desviado de dízimos pagos por fiéis da Igreja Católica.

O monsenhor está entre os nove presos na operação. Promotores e policiais de Goiás cumpriram ainda 10 mandados de busca e apreensão. Os desvios vêm sendo feitos desde 2015, conforme apontam as investigações, e são calculados em mais de R$ 2 milhões. Teriam sido utilizados, segundo interceptações telefônicas, para comprar bens, como fazenda de gado e casas lotéricas. Tudo para fins particulares.

O bispo de Formosa Dom José Ronaldo e quatro padres também foram presos. As investigações começaram após o Ministério Público ter recebido denúncias de fiéis que desconfiaram dos desvios. Entre as suspeitas, estava o fato de as despesas da casa episcopal de Formosa, onde o bispo mora, terem passado de R$ 3 mil para R$ 50 mil desde que Dom José Ronaldo assumiu o posto.

Confira os religiosos que foram alvos de mandados de prisão ou de busca e apreensão:

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Padre Moacyr é suspeito de ser sócio oculto de lotérica
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Bispo dom José Ronaldo, de Formosa
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Padre Moacyr é suspeito de ser sócio oculto de lotérica
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Foram apreendidas caminhonetes da cúria de Formosa em nome de terceiros, além de grande quantia de dinheiro em espécie, relógios e computadores. De acordo com o MP, os padres viviam sob constante intimidação por parte do bispo, que trouxe de São Paulo um juiz eclesiástico. Thiago Venceslau, um dos presos, participava de reuniões com os religiosos e os convencia a abafar o esquema, indicam as diligências.

Batizada de Caifás (pessoa que encaminhou Cristo para o julgamento), a operação contou com o apoio da Polícia Civil de Goiás. O Ministério Público identificou, inclusive, a produção de um relatório com dados falsos para maquiar as contas da cúria. Porém, escutas do MP comprovaram que os desvios eram reais.

João Batista, 84, frequenta a igreja em Formosa há 40 anos e disse que não se surpreende com o escândalo envolvendo os religiosos. “Ele (bispo) nunca apresentou uma postura digna. Mas isso não abala minha fé”, assegura.

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Delegado e promotores que comandaram operação
Igreja de Formosa: segundo MP, doações de fiéis eram desviadas
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Vinicius Santa Rosa/Especial para o Metrópoles
Delegado e promotores que comandaram operação
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Delegado e promotores que comandaram operação

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Igreja de Formosa: segundo MP, doações de fiéis eram desviadas
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Igreja de Formosa: segundo MP, doações de fiéis eram desviadas

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O vigilante José da Silva, 46, também critica o bispo. “Era muito radical. Desde o início, não agradava boa parte dos frequentadores da Igreja. Eles brincaram com a fé do povo. Essa é a verdade”, disparou.

O MP deve oferecer denúncia nesta semana contra os acusados, que estão presos temporariamente. Eles poderão responder na Justiça por associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica. “É importante dizer que, nesse caso, a Igreja Católica foi vítima”, disse o promotor Douglas Chegury, durante coletiva à imprensa na tarde desta segunda.

Confira os nomes dos presos

Dom José Ronaldo — bispo de Formosa
Epitácio Cardozo Pereira — monsenhor de Planaltina de Goiás
Moacyr Santana — padre
Mário Vieira de Brito — padre
Guilherme Frederico Magalhães — secretário da cúria
Thiago Venceslau/juiz eclesiástico, que veio de São Paulo ajudar o bispo a “intimidar” os padres
Waldson José de Melo — padre
Antônio Rubens Ferreira e Pedro Henrique Costa Augusto — seriam “laranjas” usados pelo padre Moacyr para tomar conta da lotérica que pertencia a ele, segundo investigações do MP

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