Oficiais da PMDF criticam cadetes que temem pegar Covid-19 em curso

Após matéria publicada pelo Metrópoles, militares graduados questionaram, em conversa de WhatsApp, a formação dos novos oficiais

atualizado 17/08/2020 18:20

Print mensagem grupo de wpp PMMaterial cedido ao Metrópoles

Após o Metrópoles noticiar denúncias de descumprimento de medidas de segurança contra o novo coronavírus em curso da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) durante a pandemia do novo coronavírus, oficiais trocaram mensagens em que criticam alunos. Em conversas a que a reportagem teve acesso nesta segunda-feira (17/8), os militares graduados chegam a questionar se deveriam permitir a formatura dos cadetes (como são chamados os oficiais em formação).

A conversa ocorreu em um grupo de WhatsApp da Associação de Oficiais da PMDF (ASOF), que reúne integrantes do alto comando da corporação. O Metrópoles teve acesso a mensagens enviadas no aplicativo nesta manhã. Um dos membros do grupo chegou a dizer que “formar oficiais desse quilate é de um mal avassalador para a instituição”.

“Devemos formar os futuros oficiais dessa maneira? É esse o tipo de oficial que a corporação quer?”, questionou um oficial. Em outra mensagem, os cadetes que participam do Curso de Formação de Oficiais (CFO) foram citados como “chorões”.

Veja, a seguir, as mensagens:

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O Curso de Formação de Oficiais da Polícia Militar do DF tem como objetivo compôr as hierarquias mais graduadas da corporação. É dividido em três anos (CFO I, II e III, do primeiro ao último ano).

Durante esse período, os cadetes recebem capacitação teórica e prática para poderem se tornar oficiais e assumir posições de comando na PMDF. Atualmente, encontram-se matriculados 110 cadetes no CFO III, 110 no CFO II e 82 no CFO I, sendo um total de 302 alunos no curso.

Entretanto, houve denúncias de policiais de que o retorno presencial fez com que casos da Covid-19 se espalhassem entre eles.

As críticas feitas por oficiais em grupo de WhatsApp vieram após cadetes relatarem ao Metrópoles estarem inseguros com o retorno das aulas no curso de formação. Atividades presenciais na Academia de Polícia Militar de Brasília (APMB) foram retomadas na manhã desta segunda (17/8).

Cadetes infectados

Segundo informações passadas pela própria PMDF à reportagem, 44 cadetes do CFO testaram positivo para a Covid-19. Em nota oficial, a instituição informou que “no momento, três cadetes estão afastados com Covid”. Eles teriam se contaminado fora da academia, quando as aulas estavam suspensas, segundo a corporação.

“Os três estão afastados e só retornarão às instruções após período de quarentena e teste para verificar se estão curados. Outros 44 cadetes foram infectados, também fora da academia, mas já estão curados”, disse, na nota, a corporação.

A reportagem procurou a corporação para um posicionamento sobre a atitude dos oficiais no grupo de WhatsApp. “A PMDF não foi oficializada sobre tal situação em sua corregedoria”, respondeu, em nota a Polícia Militar.

Distância não respeitada

Ao Metrópoles, alunos que pediram para ter a identidade preservada revelaram que, com o retorno das atividades presenciais, eles dormem em quartos com beliches, sendo uma média de seis militares por quarto, o que acentua a possibilidade de contaminação.

“Entramos em forma lado a lado todos os dias, pelo menos duas vezes, sendo cada vez por mais de 30 minutos, sob a justificativa de ouvir instruções que poderiam ser feitas via celular ou outro meio digital. Embora haja orientação para manter a distância de 2 metros, muitas vezes, em razão das manobras durante a marcha no desfile, essa distância não é respeitada”, narrou um dos militares.

De acordo com eles, a coordenação do curso tornou obrigatório o uso de equipamentos de proteção individual (máscaras faciais, face shield e álcool em gel) pelos cadetes. Contudo, os materiais estariam sendo custeados pelos próprios alunos.

“A situação se agrava para aqueles que estão distribuídos no auditório da escola, posto que tem 45 cadetes com a distância de apenas uma poltrona para outra lateralmente, e nenhuma distância em relação à poltrona da frente”, afirmou um dos alunos.

Temendo pela saúde de suas famílias, cadetes reforçam que gostariam de manter as atividades remotas durante a pandemia. No entanto, a coordenação da escola teria dito que “a comunicação a órgãos externos de controle sobre possíveis irregularidades levará à suspensão do curso e os alunos ficarão prejudicados”.

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