Em áudio, irmão de agente da PCDF morto após queda de helicóptero desabafa

"Fomos tentando e os hospitais cheios. Acabamos na UPA na Tijuca, que não tinha vaga", relatou o médico Rogério Rivera

atualizado 27/10/2020 21:33

pilotoReprodução

O agente da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) Renato de Oliveira Souza, que pilotava o helicóptero da Força Nacional que caiu no pantanal, em 8 de outubro, e morreu na madrugada desta terça-feira (27/10), peregrinou por duas Unidades de Pronto atendimento (UPAs) do Rio de Janeiro antes de perder a vida.

Nenhuma das unidades eram aparelhadas com equipamentos de ventilação mecânica que poderiam contornar o tromboembolismo pulmonar, responsável pelo óbito do piloto.

Em um áudio emocionado, enviado a amigos de Renato, o irmão dele, o médico Rogério Rivera, narrou o que ocorreu desde o momento em que o policial começou a apresentar falta de ar, por volta de 0h30 desta terça. “Ele passou mal ontem e começou a sentir muita falta de ar. Estava muito agitado, querendo ar, querendo ar. Chamamos a ambulância do Samu e não demorou. Eles tentaram aplicar todas as possibilidades de salvamento aqui em casa mesmo e levamos para a ambulância”, disse.

Renato foi levado pela equipe do Samu na companhia dos parentes para a Upa da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. “Fomos tentando os hospitais e todos estavam cheios. Acabamos na UPA na Tijuca, que não tinha vaga. Ele recebendo oxigênio no trajeto, muito agitado, tirando o acesso e se debatendo na maca. Depois fomos para a UPA de Botafogo”, disse.

O quadro do agente começou a piorar e o sobrinho de Renato chegou a fazer massagem cardíaca para tentar reanimá-lo após uma parada cardiorespiratória. Quando chegou na segunda UPA, desta vez no bairro de Botafogo, o policial foi levado direto para a sala vermelha.

“Tentaram tudo, tudo, mas, infelizmente, ele resolveu voar. Mas é isso, no final, a escolha foi dele. Obrigado pela força de todos aí. Eu só posso agradecer”, desabafou.

Amigos lamentam

Renato havia recebido alta na quarta-feira (21/10). A suspeita é de tromboembolismo pulmonar. O policial de Brasília chegou a ficar internado no hospital de Cuiabá antes de retornar ao Rio, onde mora a família. Por meio de mensagens nas redes sociais, familiares lamentaram.

Por meio de nota, Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) lamentou a morte do policial. Lembrou a trajetória profissional de Souza. Citou que ele atuou em vários estados, comandando a aeronave Nacional 01. Entre as inúmeras operações que atuou na Força Nacional, destaque para as Olimpíadas Rio 2016 e Brumadinho (MG). A última atuação pela Força Nacional foi na Operação Pantanal II, no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

“O Ministério da Justiça e Segurança Pública reconhece e agradece ao policial Renato de Oliveira Souza por seu profissionalismo e dedicação pelo país. Aos familiares e amigos, manifestamos nosso sentimento de solidariedade”, diz o texto.

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Acidente

No acidente com o helicóptero no Pantanal, Renato foi resgatado com Luiz Fernando Berberick, da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ), e o 2° sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) Emerson Miranda Martins.

O velório e o enterro do agente da PCDF ocorre na quinta-feira (29/10 ), às 16h, no Cemitério do Caju, Rio de Janeiro. Já a missa de sétimo dia será realizada em 2 de novembro, às 19h, na igreja de São Miguel Arcanjo e Santo Expedito, na Asa Norte.

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