DF: alunos, pais e professores votam em agosto sobre militarização

Palco de polêmica sobre a proposta logo no primeiro dia de volta às aulas, a assembleia geral no Gisno ficou marcada para o dia 9

Hugo Barreto/MetropolesHugo Barreto/Metropoles

atualizado 30/07/2019 17:42

O projeto de expansão da militarização para mais seis escolas públicas do Distrito Federal será decidido em assembleias gerais, com a participação de estudantes, responsáveis e professores das unidades de ensino. Segundo a Secretaria de Estado de Educação, as votações deverão ser realizadas até a próxima semana no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 19 (Taguatinga), no CEF 407 (Samambaia), no Centro Educacional (CED) Gisno (Asa Norte), no CED Condomínio Estância III (Planaltina), no CEF 01 (Núcleo Bandeirante) e no CEF 05 (Paranoá).

De acordo com a pasta, estão sendo realizados encontros prévios com as diretorias das seis escolas, bem como com os professores, a fim de dirimir dúvidas sobre o funcionamento da gestão. A medida tem dividido opiniões da comunidade escolar e se tornou alvo de críticas por parte do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), mas conta com a simpatia de pais de alunos.

O retorno do ano letivo foi conturbado no Gisno, na 907 norte. No primeiro dia após o recesso, nessa segunda-feira (29/07/2019), o diretor do colégio foi acusado de autorizar reunião de integrantes do Sinpro-DF com alunos durante o horário de aula, prejudicando as atividades escolares.

De acordo com alguns servidores da própria pasta, os representantes do sindicato tentavam desconstruir o novo modelo já implementado em quatro centros de ensino – no CED 1, da Estrutural; no CED 308, do Recanto das Emas; no CED 7, de Ceilândia; e no CED 3, de Sobradinho. “O intervalo durou, no mínimo, trinta minutos a mais do que deveria”, pontuou um educador, que preferiu não se identificar. Ele ainda acusou os colegas de sindicato de fazer panfletagem na sala dos docentes.

Denúncias

Em nota, a Secretaria de Educação informou ter recebido denúncias de que o centro educacional estaria realizando discussões sobre a gestão compartilhada no horário de aula, prejudicando o andamento das atividades escolares. “A pasta tem o dever de apurar todas as reclamações, independentemente do assunto. Neste caso, trata-se de uma acusação muito grave, porque envolve suspensão de aulas sem motivo justificável. Os fatos estão em apuração e as conclusões serão divulgadas posteriormente”, esclareceu.

Nesta terça-feira (30/07/2019), o Metrópoles retornou ao Gisno e encontrou um clima mais tranquilo. Isley Marth, diretor da unidade de esnino, negou que a presença do Sinpro nas dependências do centro educacional tenha causado algum prejuízo didático. “A única panfletagem aconteceu fora da escola. Com relação à reunião dos alunos com o sindicato, ocorreu no intervalo”, afirmou.

Veja discurso de professores sobre o tema:

Divergências

A reportagem questionou alunos e servidores sobre a proposta. A estudante do 2º ano do ensino médio Maria Eduarda, 17 anos, disse não enxergar a mudança de forma positiva. “Nós não sabíamos dessa previsão de transformar a nossa escola em um colégio militarizado”, disse a adolescente.

“Isso deveria ter sido passado para a gente com uma certa antecedência. Acredito que a nossa segurança deve ser realizada pela Polícia Militar apenas da porta para fora. Dentro, as regras são do nosso diretor e dos professores. Na minha opinião, a presença de militares intimida e afeta o nosso espaço”, acrescentou.

A aluna Ana Heloísa, 18, também se mostrou contrária à gestão compartilhada. “Acho que não resolve o problema de irresponsabilidade. Os colegas indisciplinados continuarão a agir da mesma maneira fora da escola. Até porque, na maior parte do tempo, eles não estão em sala de aula. Aqui dentro, nós não temos históricos de brigas”, ressaltou a jovem.

Já Vanessa Kelly Alves Coelho, 19, matriculada no 3º ano, disse se preocupar com a adaptação. “Só saberemos se vai ser bom ou ruim com a prática. Pode ser que afaste a insegurança, traga bons ensinamentos, mas, ao mesmo tempo, não estamos acostumados com regras e disciplina militar. É tudo novo para a gente.”

A aposentada Maria de Oliveira, 63, que tem duas netas no Gisno, é favorável à presença da PM. Ela disse que, na escola, os professores sofrem ameaças e os alunos não os respeitam. “Com a presença de um policial, isso será diferente. Vai diminuir a violência e os índices de uso de drogas. Esperamos que deem exemplo e proteção aos nossos jovens”, salientou.

Um funcionário da escola, que preferiu não se identificar, acha que os policiais trarão mais fiscalização contra o tráfico de drogas e brigas na escola. “Nós precisamos disso. A disciplina vai refletir em resultados.”

Por sua vez, o diretor do centro educacional disse ser contrário à medida. “No início deste ano, o subsecretário da educação e o coordenador da nossa regional de ensino estiveram no colégio e falaram que o Gisno não seria militarizado. Fomos pegos de surpresa com a veiculação na mídia e me senti desrespeitado. Eu não sou contra a Polícia Militar, mas não podemos confundir o trabalho da corporação com o trabalho pedagógico. Giz não combina com arma”, pontuou Isley.

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