GDF enviará esta semana à CLDF projeto que cria escolas militarizadas

Quatro unidades foram inauguradas nesta segunda (11/2), no início do ano letivo. Governo quer levar modelo para 20 no primeiro semestre

Michael Melo/Metrópoles

atualizado 12/02/2019 8:03

O primeiro dia letivo no Centro Educacional (CED) 1, na Estrutural, na manhã desta segunda-feira (11/2), foi bem diferente dos outros anos. Perfilados, os alunos acompanharam a execução do Hino Nacional e assistiram ao lançamento da gestão compartilhada de uma das quatro escolas militarizadas no Distrito Federal. Daqui para a frente, eles enfrentarão uma disciplina mais rígida, com rotinas e regras específicas.

A escola é uma das quatro primeiras da rede pública a contar com o novo formato no DF. O governo promete encaminhar à Câmara Legislativa, esta semana, o projeto que formaliza o modelo por meio de lei. O objetivo é ampliar a iniciativa para 20 instituições ainda neste primeiro semestre e terminar o ano com 40 sob o novo modelo de gestão.

O colégio da Estrutural foi escolhido para representar o início do ano letivo em evento oficial do GDF. Mais de 400 mil estudantes e 28 mil professores retornam às atividades nos 678 centros de ensino público da capital do país. “Por determinação do governador (Ibaneis Rocha), vamos acompanhar de perto as escolas (militarizadas). A realidade é que os professores gastam muito tempo pedindo atenção. É preciso ordem”, disse o secretário de Educação, Rafael Parente, que interrompeu o discurso por duas vezes para pedir silêncio durante a solenidade.

O modelo é inédito na capital. As escolas passaram a ser denominadas de Colégio da Polícia Militar do Distrito Federal (CPMDF). Os PMs e bombeiros – que vão atuar nos centros de ensino – são responsáveis pelas atividades burocráticas e de segurança, como controle de entrada e saída, horários, filas, além de darem aulas de musicalização, ética e cidadania no contraturno. Orientadores, coordenadores e professores permanecerão encarregados do conteúdo pedagógico das classes.

“Dentro da sala de aula quem cuidará são os professores. Os militares ficarão com a disciplina e a segurança nas escolas”, pontuou o vice-governador. De acordo com Paco Britto, cerca de 40 escolas também terão o modelo implantado até o fim do ano. “Não há uma previsão de quais serão as próximas escolas. Está sendo feito um estudo.”

Metodologia
Segundo o secretário de Segurança do Distrito Federal, inicialmente deve ser elaborada uma metodologia de seleção para levar a militarização às outras unidades. “Fomos muito procurados por pais e alunos sedentos pelo projeto. Estamos fazendo estudos para ampliar”, ressaltou Anderson Torres.

Além do centro de ensino da estrutural, o novo formato de gestão compartilhada com a PMDF começou a funcionar no CED 3, em Sobradinho; no CED 7, em Ceilândia; e no CED 308, no Recanto das Emas. Para Rafael Parente, a medida “é um sonho de várias pessoas”. “Temos uma missão de oferecer educação de excelência para todos. Se hoje estamos aqui, é porque tivemos boas oportunidades educacionais e bons professores”, frisou.

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As novas regras preveem que os meninos não podem andar com brincos e pulseiras, nem usar fios compridos. Por sua vez, as meninas só devem ter adereços discretos e os cabelos amarrados. Professor e professora deverão ser chamados de senhor e senhora, respectivamente. Antes do início das aulas, diariamente, os alunos ficam em formação no pátio para acompanhar o hasteamento da bandeira nacional e ouvir os recados do dia. Além disso, têm aulas de civismo e ética.

Para Kevin Vieira, 11 anos, aluno do CED 1, a mudança é positiva. “Acho que vou aprender muito com eles (militares), destaca. A mãe dele, Cléssia Vieira, 29, concorda: “Acredito que será melhor, pois eles passarão ensinamentos bons para as crianças. Esperamos que deem exemplo e que diminua a violência”.

Recanto das Emas
O ex-aluno do CED 308 Rafael Ferreira de Brito, 25 anos, voltou ao colégio nesta manhã para acompanhar o primeiro dia de implementação do modelo. A cunhada dele cursa o 8º ano no local.  “Acho muito importante e acredito que vai dar realmente certo. A presença da polícia vai afastar a insegurança e dar responsabilidade. Tudo é uma questão de adaptação. Com disciplina e propósito, as coisas se encaixam. O aprendizado será mais fácil”, comentou.

A estudante do 7° ano, Ingrid Natielly Monteiro Nunes, 14, no entanto, está preocupada com a adaptação. “Não estamos acostumados com essa presença de tantos policiais dentro da escola. Eles terão que nos dar um tempo para a gente se acostumar com as regras e também as cobranças com uniforme e disciplina. Não sei se será fácil, teremos que ver na prática.”

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No centro educacional do Recanto das Emas, as atividades do novo projeto foram iniciadas às 7h30 da manhã. “A primeira impressão é a que fica e hoje vamos cumprir a carga horária. Mostrar para todos que agora com a questão da gestão disciplinar da PMDF o professor vai conseguir dar 50 minutos de aula”, disse o diretor da unidade de ensino, Márcio Faria.

Nesta segunda, uma grande fila de pais à procura de vagas para seus filhos se formou na secretaria do colégio. “Mesmo sabendo que estamos sem vaga, eles querem entrar na espera. A comunidade compareceu em peso para assistir o momento da formação nas primeiras horas do dia. Muitos pais querendo uma oportunidade para os filho poderem vir para cá e estudar”, informou o gestor.

O capitão Cortez, da PMDF, explicou como será a presença da corporação na escola. “Nós esperamos que tudo melhore. A questão da segurança, o respeito pelos professores e o pleno desenvolvimento do aluno dentro do ambiente educacional. A nossa ideia não é substituir a figura do diretor pedagógico, mas juntamente com ele colaborar na gestão administrativa. Não vamos interferir em nada na questão pedagógica, apenas disciplinar”, disse.

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Ceilândia
Ana Maria Costermani, 60 anos, disse que a expectativa sobre a novidade é muito boa. Ela é avó de Geovanna Costermani, 15, aluna do 1° ano do CED 7 de Ceilândia. “Minha neta não vê problemas em ter a presença da PM. Acreditamos que o modelo contribuirá para a sua formação. Além da questão da segurança, vai mudar a indisciplina dos adolescentes. Esse colégio era considerado marginalizado pela população pela localidade perigosa, agora vai virar referência e exemplo dentro de Ceilândia”, apostou.

Sophia Oliveira Aguiar, 13 anos, iniciou o 1°ano no CED 7. Acompanhada pelo pai, o autônomo Dinarte Tomazio de Aguiar, 41, no fim das aulas desta segunda, a adolescente disse que o primeiro dia de aula foi muito bom. “Só tende a melhorar a nossa segurança, o aprendizado. Esse modelo, se der certo, vai dar uma nova cara pro ensino e mudar o conceito de muitos jovens como eu”, disse.

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