Bandidos descobrem onde FGTS será sacado para roubar trabalhadores

Com dia, hora e local do saque em mãos, golpistas agem. Caixa alerta que não envia e-mails, pede senha ou dados pessoais, e oferece serviços

Raimundo Sampaio/Esp. MetrópolesRaimundo Sampaio/Esp. Metrópoles

atualizado 18/09/2019 10:57

O saque de até R$ 500 para trabalhadores com contas ativas ou inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) começou na última sexta-feira (13/09/2019) e vai até março de 2020. A grande quantidade de retiradas chamou atenção de golpistas. Bandidos têm usado mensagens para se comunicar com possíveis vítimas e roubar o dinheiro.

De acordo com dados do Ministério da Economia, até o próximo ano, devem ser liberados R$ 40 bilhões. Só no primeiro sábado de saques, a Caixa contabilizou 12 milhões de transações, número 80% maior que o registrado em sábados comuns.

A Caixa alerta para golpes ligados ao saque do FGTS. Em um deles, criminosos entram em contato com a vítima pelo WhatsApp e fingem ser do banco. O objetivo é realizar um pré-cadastro de recebimento do dinheiro. Sabendo dia, hora e local da visita à instituição, o bandido aborda a vítima para roubar o valor sacado.

Cartão Cidadão

Em outro caso, os golpistas entram em contato com o cliente e se passam por funcionários das centrais de cartões do banco. Assim, conseguem obter senhas e números do Cartão Cidadão. O cartão é usado pelos clientes para o saque do valor nas unidades lotéricas, em terminais de autoatendimento ou correspondentes Caixa Aqui.

O trabalhador que receber links supostamente ligados à Caixa deve desconfiar. O banco alerta: não envia mensagens sobre saques das contas vinculadas do FGTS; não pede senhas, dados ou informações pessoais; não pede confirmação do uso de dispositivos ou o acesso à conta por e-mail, SMS ou WhatsApp.

O professor da Universidade de Brasília (UnB) Rafael Timóteo de Sousa Júnior, especialista em segurança digital, informa os sinais de fraude. Segundo ele, deve-se desconfiar de qualquer situação na internet que exija do trabalhador informações pessoais ou de cartões de crédito para o saque ou o pagamento de taxa para a liberação.

Timóteo também avisa para os trabalhadores não clicarem em nenhum link enviado por uma instituição financeira. “O saque do FGTS é em banco oficial, que não tem a prática de enviar nada por SMS, e-mail, WhatsApp. Receber algo desse tipo já é configuração de fraude”, aponta.

Antes da liberação

Em julho, o Dfndr Lab, laboratório especializado em segurança digital, havia contabilizado, em seis dias, 130 mil pessoas que receberam, acessaram ou compartilharam um link malicioso que simulava uma consulta ao FGTS. Por hora, foram pelo menos 2 mil acessos à fraude em todo o país. O golpe aconteceu antes mesmo de a Caixa liberar os saques.

Os criminosos ainda induziam a vítima a compartilhar o link com mais 10 pessoas para que o saque fosse liberado. Na página, os hackers simularam até comentários que afirmavam já ter sacado o benefício e que garantiam a veracidade do atalho falso.

Em caso de dúvida sobre contatos supostamente realizados por funcionários do banco, o trabalhador deve acionar os canais oficiais da instituição financeira: telefone 0800-726-0207; pelo site da Caixa; pelo aplicativo ou site do FGTS.

O banco pede que vítimas de golpes entrem em contato pelo número 0800-725-7474 ou compareçam a uma agência para que os órgãos policiais sejam notificados.

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