Após nova redução, gasolina é vendida a R$ 4,03 no DF

Depois de diminuições de até R$ 0,30 centavos nas últimas semanas, queda de mais R$ 0,10 foi observada em algumas bombas da cidade

DANIEL FERREIRA/METRÓPOLESDANIEL FERREIRA/METRÓPOLES

atualizado 09/07/2019 19:52

O preço final dos combustíveis no Distrito Federal caiu até R$ 0,30 nas três últimas semanas. Nessa segunda-feira (08/07/2019), a Petrobras anunciou uma redução no preço ofertado às revendedoras e alguns postos já repassaram essa mudança ao consumidor, com variações de até R$ 0,10.

O Posto da Torre, no Setor Hoteleiro Sul, por exemplo, baixou o valor do litro da gasolina para pagamentos em dinheiro, de R$ 4,18 para R$ 4,08. O Jarjour da 206 Norte reduziu de R$ 4,18 para R$ 4,09. O menor custo verificado pela reportagem foi no Posto Petronilo, no centro de Taguatinga, R$ 4,03 – mesmo preço que vinha sendo praticado nos últimos dias. Em todos os locais, não houve interferência no preço do etanol, que está em R$ 2,99.

No bolso

As reduções, no entanto, não animam a advogada Amália Figueiredo, 57 anos. Para ela, existe pouco impacto no dia a dia. “Nunca vejo os reflexos positivos em lugar algum. Os aplicativos de transporte continuam praticando as mesmas tarifas. O preço do gás continua caro”, critica.

Amália reclama que, a despeito das reivindicações de donos de postos e distribuidoras, “quem coloca a mão no bolso de verdade é sempre o cliente”. “O retorno financeiro é lento para voltar ao bolso e rapidíssimo para sair”, protesta.

A advogada conta que já teve problemas quanto à qualidade do produto e passou a adotar uma estratégia: abastece em um único posto. “Já precisei esvaziar meu tanque e, agora, se eu tiver de fazer qualquer coisa parecida, já sei de quem ir atrás”, justifica.

O médico Helmut Jacques, 38, dirige bastante pelo DF por causa de sua profissão e adotou uma estratégia para abastecer nas melhores condições. “Eu acompanho os preços em cada cidade e, às vezes, me programo para ir a um determinado posto na volta do trabalho para economizar”, diz.

Ele afirma ter ficado contente com as reduções observadas nas semanas anteriores e cita o conjunto de postos de Águas Claras, na marginal da Estrada Parque Taguatinga (EPTG), sentido Plano Piloto, como seu preferido. “Em relação ao que vejo pelo país, e eu viajo bastante, Brasília está com preços bem melhores do que lugares como Palmas [TO] e Rio de Janeiro”, opina.

Veja lista de postos consultados pelo Metrópoles:

  • Petrolino (Centro de Taguatinga) – R$ 4,03
  • Posto da Torre (Setor Hoteleiro Sul) – R$ 4,08
  • Auto Posto JK (411 Sul) – R$ 4,08
  • Posto do Céu (Gleba 4, às margens da DF-180, Ceilândia) – R$ 4,08
  • Jarjour (Eixinho, 206 Norte) – R$ 4,09
  • Jarjour (Eixinho, 210 Norte) – R$ 4,09
  • Posto Shell (Setor Terminal Norte) – R$ 4,09
  • Nenen’s (Centro de Taguatinga) – R$ 4,09
  • Auto Posto Lago Norte (QI 5, Lago Norte) – R$ 4,18
Aumentos

Segundo o informativo da Petrobras, uma queda no preço do litro da gasolina de R$ 0,0778 e no litro do diesel de R$ 0,0825 nas refinarias começou a valer a partir desta terça-feira (09/07/2019). Conforme o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes do DF (Sindicombustíveis-DF), contudo, existe chance de os valores serem aumentados em outros estabelecimentos.

“O preço baixou sem nenhum fator novo no mercado até esse anúncio de ontem [segunda-feira]. Então, pode haver uma recuperação de caixa por parte das empresas”, afirma Paulo Tavares, presidente da entidade. Segundo ele, as margens de lucros dos empresários foram achatadas desde o último mês em prol dos consumidores.

A redução desta terça-feira (09/07/2019) foi a primeira em 30 dias e, segundo o presidente do Sindicombustíveis-DF, é um dos indicadores de que a política de preços da Petrobras está em uma mudança silenciosa. “O valor caiu, na contramão do que era estabelecido antes. Se comparar a variação cambial do dólar registrada no último dia 12 e o aumento de 5 dólares no barril de petróleo internacional, era para tudo ter aumentado R$ 0,07”, especula.

De acordo com o presidente da Associação dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araújo, desde o último ajuste no preço, em 11 de junho, a gasolina já subiu 7% no exterior, o que eleva a defasagem do preço interno em relação ao preço internacional para 189,75%, no porto de Suape, e de 153,14% no Porto de Santos.

Diesel

Em relação ao diesel, Araújo afirma que a defasagem média está em torno dos 78%. “Mesmo depois de assinar um termo de compromisso [TCC] de cessação com o Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica], a Petrobras pratica preços abaixo da paridade. Não sei se estão de olho no mercado de etanol, mas causa estranheza e inviabiliza qualquer tipo de importação”, afirmou, referindo-se à queda do preço do etanol nas últimas semanas, o que reduz a venda de gasolina.

A estatal assinou, em 11 de junho, com o Cade, um TCC para acabar com o monopólio que exerce no mercado de refino, comprometendo-se a vender refinarias e logísticas para ampliar o número de agentes no segmento. No entanto, a estatal não se comprometeu a manter a paridade internacional, política de preços declarada desde a entrada do ex-presidente Pedro Parente e que vem sendo reafirmada pelo atual presidente, Roberto Castello Branco.

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