*
 

O dono do apartamento 603 do Bloco M da 110 Norte, onde começou o grande incêndio na segunda-feira (14/5), disse que não tinha seguro do imóvel. O coronel da reserva do Exército Adhemar Sprenger Ribas, 64 anos, voltou ao edifício na tarde desta quarta (16) e afirmou ter perdido tudo o que conquistou durante a vida, com seu trabalho, ao lado da esposa e dos filhos. “A partir de agora, é um novo começo”, ressaltou.

fogo surgiu em um cômodo do apartamento 603, provavelmente em um dos quartos, e se espalhou pelo 604. A fumaça chegou ao 602, onde estavam as duas mulheres que foram resgatadas pelo Corpo de Bombeiros. Uma é a síndica, identificada como Míriam. A outra é uma idosa. O cachorrinho dos donos da casa, um shih-tzu de 11 anos chamado Uísque, morreu intoxicado.

“Sofri muito a perda do meu cachorrinho, que conviveu comigo todo esse tempo”, disse o militar. Sem querer se identificar, a esposa de Adhemar também comentou o incêndio. “Cada vez que eu lembro, dá vontade de chorar. Agradeço que todas pessoas do prédio estejam bem”, pontuou. Um amigo está fazendo uma vaquinha on-line para ajudar a família.

Perito em incêndio, o major do Corpo de Bombeiros Rissel Valdez disse que não é possível, por enquanto, falar sobre as causas do acidente. Ele ressaltou que a perícia será iniciada nesta quarta-feira (16), caso todas as condições de segurança sejam atendidas com o escoramento.

Segundo o engenheiro Renato Cortopassi, que comanda o trabalho de escorar os andares, cabos elétricos, instalações de esgoto e demais sistemas estruturais foram consumidos pelo fogo. “Precisamos recompor as instalações. Foi tudo derretido. Vai dar um trabalho enorme, por isso vai demorar mais de uma semana. Não é mais um bloco de edifício habitacional. Virou uma obra”, destacou.

A expectativa é de que os cerca de 70 moradores de 24 imóveis não possam voltar para suas casas antes do dia 28 de maio. Nesta quarta, teve início a instalação de 80 torres metálicas que suportam cerca de 480 toneladas e darão sustentação ao edifício. Só depois disso poderá ser descartado completamente o risco de desabamentos.

Já se sabe que a laje do teto do sexto andar foi a mais afetada. “O escoramento será feito entre o quarto e o quinto andar, o quinto e o sexto, e entre o sexto e a cobertura”, detalhou o engenheiro. A falta de energia dificulta o trabalho.

Enquanto a situação não se resolve, os moradores vão ao prédio para ver como andam a perícia e o escoramento. A psicopedagoga Neide Aragão, 49 anos, reside no primeiro andar do Bloco M. Ela disse estar ficando com os dois filhos e o marido na casa de uma amiga que viajou.

 

No dia do incêndio, ela contou que a faxineira percebeu um cheiro estranho e algo errado no edifício. “Em seguida, vi a fumaça preta, fechei as portas e janelas, e desci. Graças a Deus, os danos foram apenas materiais. Os bombeiros nos falaram que, como as divisórias são de gesso, a propagação do fogo ocorre de forma mais rápida”, contou.

A dentista Soraya Borges, 50 anos, reside no segundo andar. “A família do meu esposo mora próximo e estamos ficando lá. Quando soube do incêndio, fiquei atordoada. Estava no trabalho e uma amiga da minha filha disse que o prédio estava pegando fogo. Felizmente, ninguém se feriu e meu apartamento não foi afetado”, destacou.

 

 

COMENTE

Incêndio110 norte
comunicar erro à redação

Leia mais: Distrito