Dono de pit-bull que atacou homem no DF é indiciado por lesão corporal

Ataque aconteceu no último sábado (09/05) e só parou porque um policial civil aposentado atirou no animal

atualizado 12/05/2020 12:52

homem sendo atacado por cachorroReprodução

As investigações sobre o ataque de um cachorro da raça pit-bull a duas pessoas na manhã de sábado (09/05), na Vila Planalto, foram concluídas pela 5ª Delegacia de Polícia (área central). O dono do cachorro foi indiciado pelos crimes de omissão na guarda e cautela de animais e lesão corporal culposa.

Fotos obtidas pelo Metrópoles mostram uma das vítimas com ferimentos profundos nos braços e em uma das pernas. A mão direita do homem também ficou muito machucada após diversas mordidas do animal.

O ataque do cão só parou quando um policial civil aposentado apareceu e atirou no animal. Aos investigadores, o agente afirmou que foi constrangido pelos policiais militares que assumiram a ocorrência no dia do fato.

Relatou que chegou a sofrer um golpe conhecido como “mata-leão” na hora da abordagem. A denúncia sobre o suposto abuso foi encaminhada ao Ministério Público do DF (MPDFT) e à corregedoria da PM.

Veja as fotos:

0

Flagrante

Câmeras de segurança registraram o momento em que dois cães se aproximam de José Rinaldo Barbosa, de 45 anos, que fazia caminhada em uma calçada, mas só um deles ataca. Os bichos fugiram de uma casa na região e o dono deles responderá por lesão corporal.

O vídeo mostra que José Rinaldo tenta correr, mas o animal o alcança. Ele, então, passa lutar contra o pit-bull. Um homem de camiseta branca tenta interferir, mas também se torna alvo do animal. O motorista de uma van, vendo a cena, começar a executar manobras para assustar o cachorro, mas as tentativas se mostram infrutíferas.

A situação só foi controlada após um policial civil aposentado presenciar a cena. Ele chegou a disparar duas vezes para o alto com intuito de espantar o pit-bull, mas a estratégia também não deu certo. Sem alternativas, o agente deu dois tiros no animal, que morreu na hora.

A Polícia Militar do DF (PMDF), que havia sido acionada por populares, chegou ao local instantes depois. Como a arma do policial apresentava irregularidades no registro, ele acabou sendo conduzido à 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), onde prestou esclarecimentos e foi liberado.

Enquanto isso, a vítima seguiu para o Hospital de Base, na Asa Sul. Apesar da quantidade de ferimentos, o quadro era estável.

Veja o vídeo

“Se não chego, iria matá-lo”

Em entrevista ao Metrópoles, o policial civil aposentado Carlos Alberto, de 55 anos, que salvou José Rinaldo do ataque, relatou que o animal estava ficando cada vez mais agressivo e que os disparos foram necessários para preservar a vítima.

“Efetuei dois disparos para o alto, mas não teve jeito, ele não se assustou. Depois, tive que atirar contra o cachorro”.

Segundo o policial aposentado, o animal chegou a morder o pescoço da vítima. “Quanto mais sangue via, mais ficava agressivo. Se eu não tivesse chegado naquela hora, acho que o pit-bull iria matá-lo”, prosseguiu.

0
Mata-leão

O aposentado classificou a abordagem da Polícia Militar (PMDF) como agressiva. “Me deram um mata-leão, pegaram minha arma e ignoraram toda a situação”, reclamou.

Carlos disse que o militar pediu logo os documentos e o obrigou a ir na delegacia dentro da viatura da PMDF. “Eu já estava indo me apresentar”, disse.

Em nota, o Sindicato dos Policiais Civis do DF repudiou a abordagem da equipe da PMDF. “Os policiais militares passaram a tratar o herói daquela situação grave como um bandido, apesar de ele ter falado claramente que era um policial civil”, diz o texto.

O Sinpol ainda afirma que os PMs começaram a tratar o agente com violência quando ele se identificou. “Bastou isso para que o comportamento dos policiais militares se modificasse. Após terem pedido a documentação do policial civil, ele disse que estavam em seu carro. E assim que ele se dirigia para o carro, os policiais militares lhe aplicaram uma gravata no pescoço, sem que ele oferecesse qualquer tipo de conduta contrária à lei penal”.

A entidade finalizou ressaltando acompanhar o caso e pedirá “à Corregedoria da PMDF que tome as providências cabíveis”. O Sinpol defende que os militares sejam autuados em crime de abuso de autoridade.

O que diz a PMDF

A comunicação social da PMDF, em nota, ressaltou que “houve disparo de arma de fogo em via pública e o cão foi morto em legítima defesa”. E esclarece que o agente só foi conduzido à 5ª Delegacia de Polícia (Área Central) porque “o registro de sua arma apresentava irregularidade”.

“O policial civil que efetuou o disparo em via pública foi conduzido à 5ª DP para registro da ocorrência. A arma do policial ficou apreendida na DP por estar com irregularidade administrativa. A ocorrência ficou registrada por disparo de arma de fogo em via pública, lesão corporal contra o dono do cão e falha na guarda ou cautela do cão”.

 

Últimas notícias