DF tem mais de 13 mil casos de depressão e ansiedade infanto-juvenis

Sintomas na infância e adolescência variam mais do que entre adultos. Entenda quais são os sinais mais comuns e saiba como procurar ajuda

atualizado 01/10/2022 22:11

Reprodução

Os casos de depressão e ansiedade entre crianças e adolescentes no Distrito Federal passam de 13,1 mil. O dado faz parte de levantamento da Rede de Atenção Psicossocial da Secretaria de Saúde (SES-DF), de janeiro a abril de 2022. No ano passado, a pasta realizou 42,8 mil atendimentos ambulatoriais de quadros infanto-juvenis dessas condições.

Saiba quais são os principais sintomas de ansiedade em crianças

Com apenas 9 anos, Kauã* recebeu um diagnóstico de depressão, em junho último. A criança reclamava de dores de cabeça, na barriga e se recusava a ir para a escola. Mãe do menino, Raissa Medeiros, 39, notou que o filho ficou mais sentimental depois que os pais romperam o relacionamento.

“Passamos por uma separação difícil mesmo, mas achava que ele estava ficando malcriado. Só queria ficar grudado em mim, chorava toda hora e pedia para não levá-lo para a escola. Conversei com os professores, e o comportamento dele na aula também estava diferente de antes”, conta a moradora de Ceilândia.

Raissa diz que demorou a buscar ajuda, pois achou que Kauã melhoraria com o tempo. Em abril, a criança começou a ter outros sintomas, como perda de apetite, irritabilidade, ansiedade e desejo de morte. Preocupada, a mãe procurou um profissional e Kauã recebeu o diagnóstico.

Saiba identificar sinais de que você precisa cuidar da saúde mental

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Indicativos

Os sintomas na infância e na adolescência variam mais do que os observados entre os adultos; por isso, muitas vezes, podem confundir os pais. A psiquiatra Maria Cecília Freitas afirma que a criança tende a apresentar irritabilidade e agitação, os quais se confundem com sinais do transtorno de hiperatividade, por exemplo.

Além disso, na infância, a depressão costuma se manifestar por meio de sintomas físicos e de dependência emocional dos pais.

“Queda do rendimento escolar pode aparecer nas crianças também, mas os pais podem achar que é preguiça ou má-vontade. Então, é muito importante aos pais perceber que a mudança no comportamento é um sintoma, e é muito importante estar conectado ao filho para perceber que existe um problema maior ali”, sugere a especialista.

Maria Cecília acrescenta que a maior parte dos casos de depressão na infância e adolescência surge por influência ambiental. Os pacientes podem desenvolver a doença em cenários de privação afetiva, pela convivência com pais que geram insegurança ou se irritam com facilidade, com parentes viciados em álcool e outras drogas, bem como por causa de bullying ou pela falta de suporte escolar.

“Nos primeiros anos de vida e na adolescência, é fundamental que as crianças vivam em um ambiente com estabilidade emocional. Elas sofrem grande influência do lar onde vivem, e as consequências podem chegar à vida adulta”, completa Maria Cecília.

Sintomas mais comuns da depressão, por faixa etária: 

  • 2 a 5 anos: presença de sintomas físicos, como parar de comer e ter dor na barriga;
  • 5 a 7 anos: sintomas psicossomáticos, como recusa escolar, ansiedade, fobia, irritabilidade e retraimento social;
  • 8 a 12 anos: perda do prazer e tristeza, desesperança, variação de humor, ansiedade, recusa escolar, desejo de morte;
  • 13 a 17 anos: irritabilidade, inquietação, isolamento social, agressividade, problemas com drogas, cansaço, sono excessivo, ideação e atos suicidas.

Onde buscar atendimento

O Distrito Federal tem dois ambulatórios especializados em saúde mental infanto-juvenil: o Centro de Orientação Médico-psicopedagógica (COMPP), na Asa Norte, e o Adolescentro, na Asa Sul. O primeiro atende pacientes de 5 a 11 anos, enquanto o segundo, jovens de 12 a 17 anos. As unidades acolhem pessoas com transtornos mentais iniciais ou  em estágio moderado.

Nos ambulatórios dos hospitais gerais e nas policlínicas, há atendimentos especializados em psiquiatria e psicologia para pessoas de diferentes faixas etárias, mediante encaminhamento. Os serviços são ofertados de maneiras distintas, a depender da unidade hospitalar e da organização de fluxos das equipes.

As unidades básicas de saúde (UBSs) são porta de entrada para atendimento. As equipes da atenção primária recebem, avaliam e acompanham os casos. Em caso de necessidade, encaminham os pacientes para outros locais da rede pública.

De janeiro a abril, Centro de Orientação Médico-Psicopedagógico (Compp) recebeu 4.761 pacientes. No mesmo período, o Adolescentro atendeu 8.386 jovens diagnosticados com depressão em estado moderado.

Urgência e emergência

Os números revelam que depressão não tem idade; por isso, casos em que há risco iminente de morte devem ser encaminhados para a rede de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) no DF.

Na capital federal, surtos psicóticos, quadros de agitação psicomotora, agressividade e comportamentos de risco também são atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o primeiro do Brasil a contar com um Núcleo de Saúde Mental (Nusam), criado há cinco anos.

Os profissionais do Nusam atuam tanto de forma presencial, nas ambulâncias, quanto por telefone, quando recebem chamados na Central de Regulação Médica, pelo número 192.

O teleatendimento conta com equipes de psicólogos e assistentes sociais, disponíveis 24 horas. Depois que as ligações da população são atendidas pelos médicos reguladores, avaliadas e classificadas como demandas em saúde mental, há redirecionamento para os profissionais do Nusam.

O atendimento à população ocorre em casos de crises de ansiedade, surtos psicóticos, comportamentos suicidas, luto, depressão, casos de violência ou negligência à população vulnerável, entre outros.

Procure ajuda

Consulte aqui a UBS mais perto de você.

Localize aqui o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) mais próximo.

*Nome fictício para resguardo da privacidade da criança

 

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