DF: oficial é acusado de escalar PMs para escolta em eventos privados

O tenente-coronel ainda é investigado pelo MPDFT por supostamente ter embolsado verba pública destinada à realização de um encontro de motos

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 19/07/2019 9:13

Um tenente-coronel da Polícia Militar é investigado pela corporação por suspeita de utilizar as dependências do 1º Batalhão de Trânsito da PMDF como escritório particular. Segundo o processo que tramita na Auditoria Militar, Sérgio Roberto Roballo teria escalado PMs do Serviço Voluntário Gratificado (SVG) para, de forma terceirizada, fazer escolta motorizada em eventos ocorridos na cidade.

A PM também apura se o oficial obteve vantagens indevidas em troca dos trabalhos. De acordo com os autos, ele teria comprado um imóvel de R$ 1 milhão, aquisição  incompatível com o seu salário, que é de R$ 17.142.

Na última semana, o Governo do Distrito Federal instaurou um Conselho de Justificação para julgar se Roballo será mantido nas fileiras da corporação. A medida foi publicada no Diário Oficial do DF.

Outro crime militar atribuído ao tenente-coronel é o uso indiscriminado de viaturas. Conforme consta no processo, ele teria utilizado um carro e uma moto da PMDF para fins particulares.

Os veículos não têm plotagem e integram a frota do Centro de Manutenção da instituição. O policial teria, inclusive, adulterado as placas identificadoras dos automóveis, segundo os autos.

MPDFT ajuíza ação por improbidade

Uma ação civil pública por improbidade administrativa também acabou ajuizada pelo Ministério público do Distrito Federal e Territórios. Segundo a denúncia, entre os dias 9 e 11 de setembro de 2011, o oficial organizou um evento de motos no Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran). O encontro nacional foi realizado com verba pública.

Entre as irregularidades apontadas pelos promotores, está a efetivação de operações financeiras em desacordo com as normas legais. De acordo com o MPDFT, Roballo usou a sua conta bancária particular para receber recursos dos contratos firmados por terceiros a fim de realizar o evento.

Ainda de acordo com a denúncia, uma empresa celebrou convênio com a Secretaria de Cultura do DF no valor de R$ 180 mil para a contratação da artista Rita Lee. A cantora se apresentaria em 9 de setembro no Autódromo Internacional de Brasília.

Para o pagamento dessas despesas, foram expedidas duas ordens bancárias, sendo que, no dia previsto para a quitação da última parcela, o policial militar recebeu a importância de R$ 28,5 mil da empresa contratada pelo GDF.

Em mais uma transação suspeita, outra empresa chamada para o evento teria feito uma transferência de mais R$ 110,2 mil para o PM. No ano seguinte, um depósito de R$ 42,2 mil foi efetuado na conta de Roballo. O recurso era referente a uma terceira companhia, que também atuou na festa.

O que diz a defesa

Em uma defesa preliminar, os advogados de Roballo alegaram que alguns valores foram depositados em sua conta pessoal em razão da urgência das negociações e de problemas identificados na conta bancária do promotor do evento, que foi indicado pela própria Secretaria de Cultura.

Nos autos, a defesa alega, ainda, que o PM não participou da tomada de preços ou do fechamento dos contratos e que os valores recebidos por ele coincidem com aqueles aportados a fim de garantir a execução dos acordos.

A reportagem do Metrópoles tentou falar com o tenente-coronel por diversos canais. Ele não atendeu às ligações e, apesar de visualizar mensagens no WhatsApp, não respondeu aos pedidos de esclarecimentos.  O espaço permanece aberto para manifestações.

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