Suspeitos de corrupção e tortura, 13 PMs do DF são presos em operação

A ação é desdobramento da Operação Dolus Malus, deflagrada em 26 de novembro de 2018. Na ocasião, PMs foram detidos acusados de extorsão e abuso de poder contra traficantes

André Borges/Especial para o MetrópolesAndré Borges/Especial para o Metrópoles

atualizado 06/06/2019 9:45

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e a Polícia Militar do DF (PMDF) participam de uma operação conjunta, na manhã desta quinta-feira (06/06/2019), para cumprir 13 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão. Investigadores da Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado, aos Crimes Contra a Administração Pública e aos Crimes Contra a Ordem Tributária (Cecor) foram às ruas para dar apoio à ação. Policiais do Departamento de Polícia Especializada (DPE) também acabaram mobilizados.

A ação é desdobramento da Operação Dolus Malus (fraude em latim), deflagrada em 26 de novembro de 2018, quando policiais militares foram detidos acusados de extorsão e abuso de poder contra traficantes. Um dos criminosos teria sido mantido em cárcere privado pelos militares. Eles são investigados pela prática dos crimes de associação criminosa, tortura, corrupção passiva e fraude processual.

A operação ainda é acompanhada pela Corregedoria da PMDF e pela Auditoria Militar do MPDFT. O juiz-auditor que acompanha o caso decretou segredo de Justiça ao inquérito, o que inviabiliza a divulgação de mais informações.

Dolus Malus

A Dolus Malus prendeu PMs acusados de envolvimento com o tráfico de drogas na cidade. Um deles foi flagrado por agentes da PCDF, em casa, com drogas, como maconha e crack, além de anabolizantes e balança de precisão. Também havia na residência munição de fuzil, revólveres e pistolas sem registro.

Os envolvidos no caso pertencem ao Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) e ao Grupo Tático Operacional (Gtop) 22, de Taguatinga. De acordo com as apurações do Metrópoles, a operação é um desdobramento da Torre de Babel, deflagrada pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Draco), no dia 10 de outubro de 2018.

Torre de Babel

Durante a segunda fase da Torre de Babel, os alvos foram traficantes. Segundo a PCDF, os investigados desviavam cargas da região Sul para São Paulo, Paraná e DF. Da capital federal, o produto do roubo seguia para o Nordeste. As mercadorias serviam como moeda de troca para os entorpecentes, comercializados no Distrito Federal e em Goiás. Com o dinheiro obtido por meio da atividade criminosa, a quadrilha adquiria imóveis e carros de luxo.

Confira imagens da Torre de Babel:

As investigações, que duraram cerca de nove meses, apontam que o líder da organização é Antonio Cesar Campanaro, conhecido como Toninho do Pó. Segundo a PCDF, ele comandava as ações criminosas da cidade de Cristalina (GO).

Toninho do Pó foi preso no dia 10 de outubro do ano passado, em Morro de São Paulo (BA), município baiano distante 250 quilômetros de Salvador. Policiais acharam, na ocasião, R$ 76 mil em fundo falso da Hilux do homem apontado como líder da organização criminosa.

Foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão e cerca de 48 prisões. Os mandados, provenientes de dois inquéritos, foram expedidos pela Vara Criminal de Recanto das Emas e pela 1ª Vara de Entorpecentes de Brasília.

Carga de maconha
O envolvimento dos policiais teria sido revelado durante as investigações da Torre de Babel. Na ocasião, aproximadamente 200 quilos de maconha foram apreendidos pelos militares. A droga foi levada para a 20ª Delegacia de Polícia (Gama).

O dono do carregamento seria Toninho do Pó. Antes de ser preso pela PCDF, o traficante teria sido mantido em cárcere privado e sido extorquido pelos policiais. Em depoimento aos investigadores da Cecor, ele contou que o carregamento de maconha apreendido seria de aproximadamente meia tonelada, quantidade bem abaixo do que foi entregue pelos PMs na delegacia.

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