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Distrito Federal

DF lança guia de comunicação sobre feminicídios com 20 diretrizes

Material foi elaborado pela SSP, TJDFT, MPDFT e propõe cobertura ética, sem romantização ou censura a jornalistas

24/06/2026 12:23
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Ana Clara de Lima/ Metrópoles
Guia feminicidio

O Guia de Comunicação sobre Feminicídios no Distrito Federal foi lançado na manhã desta quarta-feira (24/6), no Espaço Cultural Renato Russo, com o objetivo de orientar profissionais da imprensa na cobertura de casos de feminicídio e violência contra a mulher. O documento busca promover uma abordagem responsável, ética e baseada em evidências, evitando a revitimização das mulheres e contribuindo para a prevenção da violência.

O guia é resultado de um trabalho de cooperação entre a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDFT). A elaboração também contou com a participação de pesquisadores e especialistas das instituições parceiras.

Durante a apresentação do documento, o coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios da SSP-DF, Marcelo Zago destacou que a iniciativa é fruto de um trabalho interinstitucional baseado em pesquisas científicas sobre o impacto da cobertura midiática em crimes violentos.

Segundo ele, estudos analisados pelo grupo apontam que determinadas formas de divulgação podem estimular o chamado efeito copycat, fenômeno em que a ampla exposição de crimes influencia a repetição de condutas semelhantes.

“O risco existe e precisa ser enfrentado por meio da articulação, não da censura”, afirmou Zago ao defender a construção conjunta das diretrizes com os veículos de comunicação.

Diretrizes para uma cobertura responsável

O documento reúne 20 diretrizes organizadas em quatro eixos. Entre as recomendações estão evitar a romantização da violência, não atribuir a responsabilidade do crime a fatores como ciúmes, desemprego ou consumo de álcool, não culpabilizar a vítima e contextualizar o feminicídio como um problema estrutural relacionado à desigualdade de gênero.

O guia está disponível para consulta de toda população e pode ser acessado na íntegra neste link.

A responsável pela apresentação das diretrizes, a juíza Fabriziane Zapata, destacou que o feminicídio não deve ser tratado como um evento isolado ou uma tragédia inesperada. Segundo ela, os casos costumam ser precedidos por históricos de violência, isolamento da vítima e outros fatores de risco já conhecidos pelas instituições que atuam na área.

Dados apresentados durante o evento mostram que o Distrito Federal registrou cerca de 23 mil ocorrências de violência contra a mulher no último ano. De acordo com os especialistas, esse número ainda não reflete a totalidade dos casos, já que muitas vítimas levam anos para procurar ajuda ou registrar uma ocorrência policial.

Participaram da mesa de abertura do evento: o procurador-geral de Justiça do MPDFT, Georges Carlos Fredderico; a secretária executiva da Secretaria de Estado da Mulher, Jackeline Aguiar; a primeira-secretária da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Renata Maffezoli; a defensora pública-chefe do Núcleo de Promoção de Defesa dos Direitos das Mulheres da DPDF, Antonia Carneiro; e o secretário da SSP-DF, Alexandre Matury.

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