DF: homem que tentou matar ex atropelada era violento em casa

Segundo delegado, professor de educação física agredia, ameaçava e humilhava a servidora pelo fato de ela ser mais velha que ele

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 19/03/2019 15:59

Ainda muito abalada, a servidora pública de 44 anos que foi atropelada pelo ex-companheiro no Jardins Mangueiral prestou depoimento na 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião) nesta terça-feira (19/3). Aos investigadores, disse que não foi a primeira agressão que sofreu, mas, por medo, nunca chegou a denunciar o professor de educação física Galber de Sousa Spindola, 35, que está preso.

A mulher preferiu não conversar com a imprensa, mas contou ao delegado Marcel Soares Abdon que o ex-companheiro tentou agredi-la horas antes do atropelamento. Além disso, foi constatado que ele estava alcoolizado quando tentou passar com o carro por cima da ex-companheira. A vítima também relatou que Galber seria usuário de cocaína. Ele não tem passagens pela polícia.

O casal vivia em união estável há quatro anos e iniciou o processo de separação. A servidora pública morava com Galber e dois filhos de outro relacionamento, de 12 e 14 anos.

Galber foi autuado por tentativa de feminicídio, cuja pena máxima chega a 30 anos, e embriaguez ao volante, com punição de até 3 anos de reclusão. O Metrópoles acompanhou o momento em que o professor de educação física deixou a 30ª DP (foto em destaque). Ele foi encaminhado à carceragem da Polícia Civil por volta das 11h30, onde deve aguardar por audiência de custódia da Justiça.

Na manhã de segunda (18), o casal iniciou uma série de discussões em casa. Para não brigar em frente aos filhos da mulher, eles decidiram ir até um estacionamento próximo ao condomínio onde moram, o Jardins Mangueiral. Galber tentou agredir a ex-companheira dentro do carro.

Depois, ela saiu do veículo, ligou para o porteiro do condomínio e pediu para barrar a entrada de Galber. Ele, então, aguardou a mulher passar por um caminho próximo de casa e acelerou em direção a ela. A vítima foi atingida em cheio e arremessada contra o muro de uma casa, na QC 3. Ela sofreu ferimentos na região do tronco e não soube relatar se havia pessoas próximas ao local no momento.

Segundo o delegado Marcel Soares Abdon, Galber tem histórico de agressões contra a ex. “Ele sempre foi uma pessoa ciumenta e agressiva. Já chegou a dar uma cotovelada nela e também ameaçou a mulher e os filhos de morte”, ressalta o policial. Com medo, ela nunca havia feito um boletim de ocorrência.

Abdon conta que, de acordo com relatos da vítima, o professor de educação física também a agredia psicologicamente. “Ele sempre tentava diminui-la. Falava que ela era mais velha e, se o deixasse, não iria encontrar outra pessoa, por conta da idade”, afirma o delegado.

A ocorrência de atropelamento foi inicialmente registrada como acidente de trânsito. Ao chegar até o endereço, porém, a Polícia Militar foi informada sobre o vínculo do motorista com a vítima. Segundo testemunhas disseram à PM, o homem jogou o carro na direção da mulher com a intenção de matá-la.

A vítima foi socorrida e encaminhada ao Hospital de Base queixando-se de dores. O agressor seguiu sob escolta policial para o Hospital Regional do Paranoá (HRPa). Depois de receber alta, ele foi encaminhado à 30ª DP.

Outro caso
A 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá) investiga o caso de um jovem de 21 anos que tentou matar a mulher e a filha de apenas 3 anos no Itapoã. O crime ocorreu na noite dessa segunda-feira (18). O homem já tem passagens por agressão contra a mulher e está foragido.

Segundo a ocorrência, o autor ameaçou a companheira, afirmando que não adiantaria ela denunciar as agressões pois ele iria matá-la assim que saísse da prisão. Ele também repetiu várias vezes que não aceitava a separação.

Em depoimento prestado na delegacia, a vítima disse que foi agredida com um facão. Após o ataque, o homem prendeu ela e a filha na residência, incendiou um colchão, ligou o gás de cozinha e fugiu com as chaves da casa.

Mãe e filha foram socorridas por uma vizinha. No Distrito Federal, em 2019, cinco mulheres já foram vítimas de feminicídio. Até a última semana, a Polícia Civil havia registrado 3.101 ocorrências de violência doméstica.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país. Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileira

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