“Desrespeito”: pacientes esperam mais de 3h na Farmácia de Alto Custo
Cenário de longas filas persiste no local e afeta até pacientes com agendamento prévio para retirada de medicamentos na rede pública
atualizado
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Apesar do novo sistema voltado à gestão de medicamento da Farmácia de Alto Custo, pacientes da rede pública do Distrito Federal seguem relatando a demora extrema em garantir suas medicações. O cenário de longas filas de espera no subsolo da Estação da 102 Sul, no Plano Piloto (DF), foi registrado mais uma vez, nessa quarta-feira (3/6), com pacientes aguardando mais de 3h, mesmo com horário agendado.
Como foi o caso da professora Ismênia Coelho, que é responsável por buscar a medicação do pai de 93 anos. Ao Metrópoles, ela conta que havia agendado previamente o horário para buscar o remédio. Apesar de ter marcado para 11h40, a professora só foi conseguir obter o medicamento do pai às 14h50.
“Quando cheguei [próximo de 11h40], o painel ainda estava chamando os pacientes agendados das 9h. Tinha gente doente, passando mal e esperando há mais de três, quatro horas para ser atendida. É um total desrespeito ao usuário desse serviço“, relatou.
Segundo Ismênia, essa não é a primeira vez em que ela tem de aguardar por horas o atendimento e a situação tem “piorado muito nos últimos dois meses”.
A professora ressalta ainda que é comum os pacientes madrugarem no local para pegar uma senha, a fim de tentar agilizar o tempo de atendimento.
“Como muitos [pacientes] são idosos, não possuem habilidade com o meio digital. Esse fato faz com que eles madruguem para tentar uma senha na própria farmácia”, acrescentou.
Em nota, a SES-DF informou que está implementado um novo sistema de agendamento, que atualmente se encontra em fase de avaliação, e, pelo fato de estarem em mudanças de sistema, o tempo de espera ainda não normalizou (leia íntegra da nota abaixo na reportagem).
Pedido do TCDF
Na sexta-feira (29/5), o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) deu um prazo de 30 dias para que a pasta da Saúde explique possíveis falhas no atendimento da Farmácia de Alto Custo da Asa Sul, após denúncias de pacientes sobre filas extensas e demora de até 4h para retirada de medicamentos.
A decisão foi tomada pelo plenário do TCDF após análise de uma denúncia que apontou possíveis irregularidades na prestação do serviço. Segundo o relato, pacientes chegam a esperar até quatro horas para conseguir retirar medicamentos na unidade.
O documento encaminhado à Corte também apontou filas enormes, falta de assentos para pessoas que estão aguardando, déficit de profissionais e dificuldades enfrentadas por pacientes debilitados, idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Além disso, foram apontadas instabilidades no Sistema Hórus, plataforma utilizada para controle da entrega de medicamentos e organização do atendimento.
De acordo com o TCDF, a Secretaria de Saúde reconheceu o longo tempo de espera pelos medicamentos e o aumento da demanda em determinados períodos do ano.
No entanto, as medidas anunciadas pela pasta para reduzir as filas e melhorar o atendimento não foram acompanhadas de documentos que comprovem a efetiva implementação das ações, segundo o Tribunal.
Por isso, foi determinado que a Secretaria de Saúde apresente:
- Documentos sobre as medidas adotadas para enfrentar o problema;
- O andamento da implantação do sistema Sismedex, que foi apontado como alternativa ao Sistema Hórus;
- Dados sobre o tempo médio diário de espera registrado nos últimos três meses na unidade.
Leia nota na íntegra:
“A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informa que as Farmácias de Alto Custo do DF atendem atualmente cerca de 57 mil pacientes, distribuídos em três unidades da rede. Informamos que foi implementado um novo sistema de agendamento que atualmente se encontra em fase de avaliação.
O objetivo principal é otimizar a marcação e melhorar a experiência do usuário, o CEAF digital, ferramenta pela qual os pacientes conseguem cadastrar medicamentos de forma digital, sem a necessidade de deslocamentos pra o cadastro e consegue acompanhar toda a solicitação por ele.
Por estarmos em mudança de sistemas e termos que usar concomitantemente os dois sistemas, o tempo de espera ainda não normalizou.
Como estas semanas têm sido as primeiras com um volume maior de servidores utilizando a nova plataforma de forma simultânea (visto que antes os testes eram mais controlados e com menos pacientes), já era esperada uma quantidade maior de dúvidas por parte dos servidores e pequenas intercorrências naturais desse período de adaptação.
Equipes trabalham para mitigar os impactos. O sistema Hórus apresentou uma pequena melhora nos últimos dias, registrando poucas instabilidades.
O volume elevado de atendimentos impacta diretamente no tempo de espera e na formação de filas.
A Secretaria destaca que tem adotado medidas para ampliar e qualificar o acesso, como o programa Medicamento em Casa, criado durante a pandemia, que permite a entrega de medicamentos diretamente ao paciente ou a um representante autorizado. Foi implementando o sistema de agendamento que está em fase de avaliação. A mudança do sistema de atendimento.
A Secretaria reafirma o compromisso em buscar soluções tecnológicas que tragam mais conforto e agilidade no atendimento ao cidadão.”