“Deixou meu coração acabado”, diz mãe de estudante morto na Rodoviária

O corpo de Milton Junio, estudante da Unb, é velado no cemitério do Gama. Jovem foi assassinado na terça-feira (15/1) por um morador de rua

Hugo Barreto/MetrópolesHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 16/01/2019 16:00

“Tiraram meu menino”, disse aos prantos Vera Lúcia Rodrigues, de 41 anos, no velório do filho mais novo, Milton Junio Rodrigues de Souza, 19. O estudante de ciências políticas da Universidade de Brasília (UnB) foi assassinado na madrugada de terça-feira (15/1), após discutir com um morador de rua. O corpo dele é velado nesta quarta (16) na capela 1 do Cemitério do Gama.

Consternada, Vera só conseguia chorar a ausência do filho e dizer poucas palavras: “Foi embora e deixou meu coração acabado”. Os pais do jovem estavam na Bahia, cuidando do avô de Junio, quando o crime aconteceu. Eles chegaram a Brasília na madrugada desta quarta-feira, às 2h. O velório corre em clima de grande tristeza e comoção. O pai chegou a ficar atordoado e precisou sair, mas depois voltou. “Tenho problemas cardíacos. Se eu falar, me desespero”, contou. O irmão mais velho também passou mal.

Foi tirada a vida dele com muita crueldade, sem pena ou dó. Estamos sofrendo muito. Ele tinha muitos sonhos que podiam se realizar, mas foi embora muito rápido. Queremos Justiça

Edileuza de Jesus Rodrigues, 38, tia de Junio

Ao deixar uma festa no Conic, na madrugada de terça-feria (15/1), Junio e dois amigos foram abordados por um morador de rua na escada rolante da Rodoviária do Plano Piloto. O homem pegou um isqueiro do trio. “Nós não gostamos, mas não fizemos nada. Depois, ele começou a xingar, mandando a gente sair da escada”, contou Ícaro Carlos de Sousa, 19, testemunha do assassinato. Segundo ele, após a discussão, um outro morador de rua chegou e foi para cima do rapaz: “Pegou o celular e deu a facada nele”.

O estudante era conhecido pela família e pelos amigos por causa de sua alegria. “O Junio não tinha maldade e sorria pra todo mundo, mas a vida foi muito curta pra ele. Não deu nem tempo de mostrar o grande homem que era. Alguém que não sabe o que é amor acabou com a vida dele sem dar chance de se defender. Agora, temos um espaço vazio que não pode ser preenchido. A saudade é eterna”, disse Iranilde de Jesus, 36, outra tia do jovem.

O rapaz morou a vida toda com os pais e o irmão mais velho no Gama. No mesmo lote, vivem suas tias, primos, padrinho e madrinha. “A vida dele valeu menos do que o preço de um isqueiro”, revolta-se Júlia da Conceição, de 20 anos, prima do jovem.

Durante as aulas, Junio era um estudante focado. Júlia conta que ele não costumava passear no período letivo. O universitário fazia o trajeto de ônibus diariamente até a UnB, onde passava a tarde e até mesmo a noite estudando. Ao chegar em casa, muitas vezes ainda revisava o conteúdo.

“Todo dia ele falava da faculdade e contava como queria se formar e conseguir um emprego, mas uma besteira acabou com a vida dele. O culpado não pode ficar impune. Se não for condenado na justiça do homem, vai ser condenado na justiça de Deus”, diz Júlia.

Segundo Ícaro, no momento do crime havia muita gente em volta. “Ninguém fez nada, nem ligou para a emergência. Eu que tive que ligar, uma mão com sangue e a outra com celular”, disse o jovem. O outro amigo do trio era Ary Martins. “Cheguei gritando no posto policial, mas o policial demorou a agir” contou. “Quinze minutos antes de tudo acontecer, a gente estava rindo e se divertindo.”

Assassino
Investigadores da 5ª Delegacia de Polícia (área central de Brasília) identificaram o autor do latrocínio. O criminoso seria um morador de rua apelidado de Galego. Segundo os policiais, ele costuma perambular e passar as noites consumindo drogas nas redondezas do terminal.

Os investigadores coletaram uma série de imagens registradas pelas câmeras de segurança, mas o crime ocorreu em um ponto cego, onde as circunstâncias do assassinato não foram flagradas pelos equipamentos.

Os policiais da 5ª DP estão nas ruas tentando localizar o suspeito, que não foi mais visto na Rodoviária. Como se trata de um morador de rua, a busca pelos dados de Galego é considerada mais complicada.

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