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Apesar de a Justiça ter determinado, na última quarta-feira (30/5), que a recém-nascida Alice seja submetida a uma cirurgia cardíaca, a família da menina continua apreensiva. Segundo a avó, Celma Ribeiro, a bebezinha está entubada e à base de morfina no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), na Asa Sul.

O drama de Alice é o mesmo de 36 recém-nascidos que esperam uma vaga em unidade de terapia intensiva (UTI) para serem operados. Nascida no dia 17 de maio, no Hospital Municipal de Formosa, no Entorno do DF, a menina tem cardiopatia congênita – alteração na estrutura do coração que se forma antes mesmo do parto.

Desde então, aguarda por uma das limitadas vagas do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF). Segundo a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), há apenas oito leitos de UTI neopediátrica na unidade, quatro vezes menos que a demanda. O instituto é o único local conveniado à pasta para realização de cirurgias cardíacas pediátricas.

Segundo a mãe de Alice, Adriele Divina Ribeiro, 22 anos, logo após o nascimento de filha, ela foi informada que a criança tinha malformação cardíaca. “Ela estava um pouco roxa e me disseram que tinha sopro, mas não puderam me confirmar. No hospital, não havia equipamentos necessários para fazer o exame e comprovar o que ela tinha”, contou.

Após quatro dias internadas, Adriele e Alice receberam alta. Preocupada com o estado de saúde da criança, a mulher levou a bebê ao pediatra. Ele recomendou a internação imediata no Hmib. “O médico me disse que o caso dela era grave e que ia precisar de cirurgia.”

No hospital, Alice foi diagnosticada com Tetralogia de Fallot, condição rara na qual o paciente apresenta quatro defeitos cardíacos observados logo após o nascimento. A doença exige que Alice passe por duas cirurgias: uma paliativa e outra de correção total. Mas a demora no diagnóstico e as longas filas de espera podem agravar o estado da criança, que demanda atenção constante.

No dia 24, a menina sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e ficou sem sinais vitais por cinco segundos. Os médicos conseguiram reanimá-la. Desesperada com o episódio, a mãe recorreu à Defensoria Pública do DF para conseguir transferência do bebê para hospital particular, mas foi informada que a liberação depende de decisão do juiz.

O Metrópoles mostrou o drama de Alice e também do menino Mateus. Apesar de duas decisões judiciais, o recém-nascido só foi transferido para o ICDF na segunda-feira (28), após duas semanas de angústia.

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que a menina continua no Hmib recebendo os cuidados necessários e seu quadro clínico é estável.
“A paciente já está inserida na fila de regulação para realização de cirurgia no Instituto de Cardiologoa do Distrito Federal. No momento, aguarda vaga em leito de UTI para o pós-operatório. Todas as vagas do ICDF estão ocupadas”, destacou a pasta.
A Secretaria de Saúde assinalou ainda que “realiza todos os esforços para cumprir as ordens judiciais”.
 

 

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