Crime da 113 Sul: Adriana Villela vai a júri popular em setembro

Ela é acusada pelo MPDFT de ser a mandante do assassinato dos pais e da empregada da família. Crime ocorreu em agosto de 2009

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atualizado 02/07/2019 21:31

Prestes a completar 10 anos, o triplo homicídio da 113 Sul parece finalmente caminhar para um desfecho. Apontada pelo Ministério Público do DF e Territórios como mandante do crime, a arquiteta Adriana Villela (foto em destaque) será levada a júri popular nos dias 23, 24, 25, 26 e 27 de setembro, conforme consta no sistema do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT). Segundo o MPDFT, há provas de que partiu dela a ordem para assassinar os próprios pais: o ministro aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela e a advogada Maria Villela. A empregada do casal, Francisca Nascimento Silva, também foi morta. Todos foram executados a facadas em 28 de agosto de 2009.

Adriana, que sempre negou as acusações, foi denunciada pela Promotoria de Justiça Criminal pela prática do triplo homicídio qualificado: por motivo torpe, emprego de meio cruel e de forma a impossibilitar a defesa das vítimas. Em fevereiro deste ano, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que ela fosse julgada pelo Tribunal do Júri de Brasília, mas os advogados da arquiteta sempre procuravam um meio de recorrer da sentença.

Por 4 votos a 1, os ministros rejeitaram o recurso da defesa contra decisão do TJDFT que reconheceu supostos indícios da participação de Adriana na morte dos seus pais.

Defensor da acusada, Marcelo Turbay confirmou o júri para setembro e chamou a medida de “precipitada”. “Ainda há questões jurídicas pendentes de análise nos tribunais e que são fundamentais para o julgamento. De qualquer forma, seguimos confiando na Justiça e convictos da inocência da Adriana”, declarou.

Caso em aberto

Segundo as investigações, o ex-ministro teria chegado ao apartamento por volta das 19h20 e encontrado Francisca amarrada na sala. Na sequência, foi imobilizado. Cerca de 30 minutos depois, Maria Villela entrou no imóvel e recebeu 12 facadas. José Guilherme foi golpeado 38 vezes. Já o corpo de Francisca apresentava 23 perfurações. As vítimas só foram encontradas três dias depois, pela neta do casal, que estranhou a falta de notícias dos avós.

Três acusados já foram condenados pelo assassinato e cumprem pena na Papuda: Francisco Mairlon Barros Aguiar, ex-entregador de gás, Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio, e Paulo Cardoso, sobrinho de Leonardo. Este último foi recambiado para o presídio de Montalvânia (MG), pois respondia por outro delito no município mineiro.

Em agosto de 2018, Metrópoles entrevistou Francisco Mairlon na Papuda. Ele disse ser inocente e que foi torturado psicologicamente pela polícia para confessar sua participação no crime.

Trapalhadas na investigação

As investigações do crime da 113 Sul foram marcadas por trapalhadas e erros. Em 19 de julho de 2018, o GDF cassou a aposentadoria de R$ 16 mil da delegada Martha Vargas, a primeira a presidir o inquérito do caso. Ela foi condenada, em segunda instância, a 16 anos de prisão por ter plantado provas com o objetivo de incriminar três homens sem relação com o triplo homicídio.

Durante a fase de inquérito do crime, Martha recorreu a uma vidente para anunciar a elucidação do caso. A paranormal Rosa Maria Jaques contou ter visto uma foto de José Guilherme num jornal e que o morto teria piscado para ela, indicando os responsáveis pela tragédia.

Com auxílio da líder espiritual, a então delegada prendeu três suspeitos em Vicente Pires e apontou como prova principal uma chave do apartamento dos Villela que estaria em posse do trio. Para obter a confissão de Alex Peterson Soares, Rami Jalau Kalout e Cláudio Brandão, Martha e parte de sua equipe teriam torturado os três.

No entanto, dias depois, laudo do Instituto de Criminalística (IC) revelou que a chave apreendida era exatamente a mesma recolhida pela própria Polícia Civil na cena do triplo homicídio. Diante da denúncia em relação à prova plantada, Martha pediu afastamento da investigação e o caso passou a ser conduzido pela Coordenação de Crimes Contra a Vida (Corvida).

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