Conselheiro tutelar do DF é ameaçado de morte: “Temo pela covardia”

Servidor atuou em caso de criança encontrada morta dentro de hotel em Ceilândia. Pais foram presos à época do crime

atualizado 14/07/2020 22:23

Um conselheiro tutelar de Ceilândia foi ameaçado de morte por um homem acusado de maus-tratos a um bebê de 28 dias encontrado morto, no quarto de um hotel da cidade. O crime ocorreu em 3 de julho.

Ao Metrópoles, Eduardo Rezende afirmou que passou a ser perseguido pelo suspeito após o Conselho Tutelar mandar a irmã mais velha da criança vítima de negligência para um abrigo.

Os pais do bebê morto foram presos à época do crime, ocorrido no início de julho. Eles não tem residência fixa. “Não tínhamos o paradeiro de familiares e a gente acabou levando para o abrigo. Depois, procuraram o conselho e começaram a proferir palavras de ameaça”, explicou à reportagem.

Rezende afirma que, na primeira vez em que foi procurado, o suspeito o ameaçou diretamente. “Chegou com a mochila virada pra frente, fazendo gestos e mencionou que precisava falar comigo. Disse que ia encontrar comigo e que ia me ensinar tête-à-tête como se retira uma criança das famílias”.

Após o fato, o conselheiro registrou ocorrência na 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro).

“Temo mais é pela covardia, estamos muito expostos. Expostos a tomar um tiro porque não há mínima segurança para que exerçamos nosso trabalho”, desabafou.

O caso

De acordo com informações do subtenente Eduardo Lima, do Grupo Tático Operacional 28 (GTOP 28), da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), os pais são moradores de rua e tiveram o filho dentro do próprio hotel.

“Segundo o que nos contou o responsável pelo lugar, eles passavam o dia tentando conseguir dinheiro para pagar as diárias e deixavam o filho lá”, explica.

Conforme apurado pelos militares, o casal é usuário de drogas e não registrou o bebê em cartório, tampouco levou a criança para um hospital. “O estado dela não era bom. Nós a encontramos completamente desnutrida. Precisamos da perícia agora para saber se a morte foi por isso ou sufocamento”, assinala o subtenente.

A suspeita de morte criminosa não é descartada, pois o pai da criança tem histórico de violência. “Levantamos aqui que há passagens dele por agressão contra a companheira, mas tudo precisa ser apurado”, destaca.

Os pais da criança foram levados para a 15ª DP, onde a ocorrência foi registrada. O casal será autuado por “maus-tratos com resultado morte” e, se condenado, pode pegar de 4 a 12 anos de reclusão. Após audiência de custódia, o casal foi liberado, por não ter havido flagrante.

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