Concurso CBMDF: 70 candidatos acusam banca de erro que pode eliminá-los
Candidatos que deveriam ser contabilizados pela ampla concorrência acabaram ocupando vagas de cotistas, denuncia o grupo
atualizado
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Ao menos 70 candidatos que prestam o concurso do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) alegam ilegalidades que podem interromper a busca dos cidadãos por um cargo público. De acordo com o grupo, a banca organizadora do certame descumpriu o próprio edital e se nega a responder aos contatos dos concorrentes.
A banca organizadora do concurso é o Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional (Idecan). Trecho do edital do certame, elaborado pelo instituto, diz que candidatos com deficiência, negros ou hipossuficientes (cotistas) que obtivessem pontuação suficiente na prova objetiva para se classificar na lista de ampla concorrência deveriam concorrer por esta lista, e não pela reserva de cotistas.
O grupo de candidatos que se considera prejudicado aponta que 157 candidatos obtiveram pontuação igual ou maior que 71, que seria a nota mínima para concorrer na lista de ampla concorrência. Esses candidatos, porém, foram classificados para as vagas reservadas às pessoas negras, com deficiência ou hipossuficientes.
Essa classificação supostamente indevida teria prejudicado 70 candidatos que obtiveram nota 64, que seria a mínima para concorrer às vagas reservadas aos grupos minoritários. Como os candidatos que alcançaram pontuação igual ou maior que 71 (suficiente para estar na ampla concorrência) foram realocados às reservas dos cotistas, aqueles que deveriam ter vagas de cotistas podem acabar sendo eliminados.
Desespero
O Metrópoles conversou com uma das candidatas que concorrem às vagas reservadas e obteve nota 64 no concurso do CBMDF. Ela relata que teve crises de pânico quando percebeu o erro na lista dos aprovados na prova objetiva, divulgada na quarta-feira (14/1). “Fiquei muito desesperada, tive crise de pânico, chorei bastante”, relata a mulher, que solicita condição de anonimato.
De acordo com a concurseira, o Idecan não tem dado explicações aos candidatos, nem mesmo para afirmar que a lista pode estar correta. “Estamos tentando entrar em contato com a banca há três dias para explicar esse erro no edital. Já enviamos mais de 200 e-mails e não obtivemos resposta. Se a gente perder a vaga, o erro vai ser irreparável”, comenta a candidata.
O grupo tem pressa para a resolução do caso, uma vez que, na próxima terça-feira (20/1), a banca examinadora deve divulgar as notas das redações dos candidatos. “Se esse prazo de recurso passar e a gente não conseguir um posicionamento, vai ficar muito mais difícil. Temos muita pressa”, comenta.
A prova foi realizada em 30 de novembro e já havia gerado diversas reclamações devido ao tempo de prova e das remarcações de datas. “Estou sofrendo desde a semana anterior à prova, já são dois meses de muita ansiedade, muita pressão”, lamenta a candidata.
“Só quem estuda para concurso sabe o que é dedicar um ano da própria vida para estudar, se esforçar, gastar dinheiro, tempo e investimento emocional e mental. “Quando encontrei outros colegas que tiraram a mesma nota que eu, todo mundo compartilhou do mesmo sentimento de angústia, de raiva, de indignação.”
Expectativa positiva
O grupo procurou assistência jurídica, e o advogado Eduardo Castro levou o caso à Justiça nessa quinta-feira (15/1). Ele tenta a suspensão do concurso até que o caso seja julgado ou a reintegração dos candidatos com 64 pontos alcançados na prova objetiva.
“Organizamos um grupo de candidatos com 64 pontos para viabilizar a medida judicial coletiva, que foi protocolada em 15 de janeiro, com o objetivo de corrigir essa injustiça e fazer valer as regras do edital”, explica Eduardo Castro. O advogado demonstra otimismo em relação à Justiça.
“Nossa expectativa é que o Judiciário atue de maneira eficiente e determine a suspensão do concurso ou, alternativamente, assegure que essas 70 pessoas prejudicadas tenham suas redações corrigidas e possam seguir normalmente nas próximas fases do certame”, conclui Castro.
O caso tramita na 1ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal. O Metrópoles acionou a banca organizadora Idecam e o Corpo de Bombeiros do DF e aguarda retorno dos órgãos.
