Combustíveis e outros produtos: guerra no Irã já impacta preços no DF

O conflito no Oriente Médio pode acarretar impactos em outros setores da economia, de acordo com especialistas

atualizado

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Esplanada dos ministérios: reforma administrativa reorganiza o serviço público. Governo deve gastar R$ 3,8 bilhões com benefícios a servidores em 2026
1 de 1 Esplanada dos ministérios: reforma administrativa reorganiza o serviço público. Governo deve gastar R$ 3,8 bilhões com benefícios a servidores em 2026 - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Cerca de 10 dias após o início da guerra entre Estados Unidos (EUA), Israel e Irã, os primeiros impactos do conflito começaram a chegar no Brasil e, consequentemente, no Distrito Federal. A primeira área que sentiu o “baque” foi a dos combustíveis.

Nessa terça-feira (10/3), o presidente do Sindicombustíveis-DF, Paulo Tavares, afirmou que as distribuidoras que abastecem os postos da capital do país aumentaram seus preços, mesmo sem a Petrobras anunciar qualquer reajuste.

Apesar de não terem dado uma justificativa oficial, Tavares acredita que o aumento ocorreu por causa do conflito no Oriente Médio, que acarretou no reajuste do barril de petróleo internacional.

Segundo ele, as três maiores distribuidoras precisam importar parte do estoque. “Isto pois, apesar da Petrobras ser autossuficiente na produção do petróleo, o mesmo não ocorre na hora do refino, principalmente no caso do diesel”, avaliou.

De acordo com o presidente do Sindicombustíveis-DF, as distribuidoras aumentaram seus preços, no diesel, entre R$ 0,45 e R$ 0,48 por litro e, no caso da gasolina, de R$ 0,10 a R$ 0,17. Com isso, o preço médio da gasolina nas bombas do DF está em R$ 6,42 — acima da média nacional, que é de R$ 6,30.

Preço do frete

Para o professor de economia da Universidade do Distrito Federal (UnDF), Riezo Almeida, o conflito no Oriente Médio encarece o frete marítimo e o seguro das cargas. “As distribuidoras operam com estoques. Por isso, o aumento anunciado reflete a reposição desses estoques sob o novo patamar de preços internacionais e incertezas geradas pela guerra”, comentou.

Almeida destacou ainda que o aumento no diesel é um “sinal de alerta” para a inflação de serviços e transportes. “E isso pode ocorrer, infelizmente, nos próximos dias. Para a população do DF, é aguardar quais serão os próximos desdobramentos”, afirmou.

Investigação

À reportagem, Paulo Tavares disse que, após esse reajuste, fez uma solicitação formal às distribuidoras, para tentar descobrir os motivos, mas não recebeu qualquer resposta.

“De qualquer forma, não tem como haver acordo, elas estão comprando mais caro e o preço é livre. O que não podemos é pedir para a distribuidora também trabalhar no prejuízo”, lamentou.

Segundo ele, o reajuste está sendo feito pois as distribuidoras estão importando, principalmente o diesel, para suprir o mercado. “O que precisa ver é se o valor que elas estão repassando (aos postos) é o correto ou se não é abusivo. Isso cabe aos órgãos que vão investigar”, avaliou.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), enviou um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pedindo uma investigação sobre esses reajustes.

A pasta solicitou que o Cade avalie a existência de possíveis indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado e que podem indicar tentativa de influência à adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes, prática conhecida como cartel.

Fiscalização

Economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo ressaltou que o impacto imediato do conflito recai sobre os combustíveis. “Somos grandes exportadores de petróleo, mas importamos a gasolina, o diesel e o querosene de aviação. Isso pode ter um impacto decisivo”, observou.

De acordo com o especialista, o aumento do barril de petróleo e a alta no valor do dólar, registradas nas últimas semanas, acabam influenciando no preço dos combustíveis.

“Isso, por consequência, também afeta não só a parte do petróleo, mas a de energia, porque precisa de diesel para mover as termelétricas. Então no médio e longo prazo, caso a guerra continue, os preços vão subir bastante”, alertou.

Em relação ao aumento atual, Bergo afirmou que é necessária uma fiscalização pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e órgãos de defesa do consumidor. “Isso pois esse repasse pode ter somente um cunho especulativo”, pontuou.

Outros setores

Segundo o economista, outro ponto importante é o setor logístico. “Brasília está distante dos centros de produção, então os fretes também vão pesar um pouco no preço dos produtos, por causa do preço do querosene de aviação”, avaliou.

Bergo também apontou um possível impacto, em outro setor, a médio e longo prazo. “Apesar de o DF comprar fertilizantes de outros países, nosso principal fornecedor é o Irã. Então, em caso de prolongamento da guerra, isso pode afetar o nosso agronegócio”, opinou.

“O que fica, certamente, é a insegurança. Isto porque, se a guerra prolongar muito, outras áreas podem sofrer algum tipo de prejuízo”, destacou o professor da UnB.

O Metrópoles apurou que a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) está monitorando os possíveis impactos da guerra no Irã na economia local, para buscar possíveis medidas e tentar amenizar a situação até que haja um acordo pelo fim do conflito e a economia volte a operar normalmente.

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