Com greve, metrô reduz funcionamento e não vai circular aos domingos

Nesta quinta-feira, faixas exclusivas estão liberadas e linhas de ônibus foram reforçadas em Ceilândia e Samambaia

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 02/05/2019 11:45

Em função da greve dos servidores, a Companhia do Metropolitano decidiu operar em horário reduzido no decorrer da semana, enquanto durar a paralisação, e aos domingos fechar as estações. Em nota, a empresa informou que, de segunda a sexta, os trens funcionarão apenas entre as 5h30 e as 10h30 e das 16h30 às 21h30. Aos sábados, das 5h30 às 10h30 e das 14h30 às 19h30.

Em dias normais, o metrô opera de segunda a sábado, das 5h30 às 23h30. Domingos e feriados, das 7h às 19h. No começo da manhã desta quinta-feira (02/05/2019), primeiro dia de greve dos funcionários da Companhia do Metropolitano, passageiros esperaram mais tempo para embarcar nas estações do metrô e enfrentaram filas nos guichês. As paradas de ônibus ficaram lotadas. No centro de Taguatinga, teve passageiro que esperou mais de 40 minutos pela condução.

Em função do movimento, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) liberou a faixa exclusiva para ônibus da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB) enquanto os servidores mantiverem a paralisação. Já na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), a operação reversa dos ônibus e a liberação da quarta faixa para os veículos leves no sentido da via funcionarão normalmente nos horários de pico (das 6h às 9h e das 17h30 às 19h45). Nos demais horários do dia, o espaço na pista continua sendo apenas para os coletivos.

Reprodução

Por volta das 8h30, o Departamento de Trânsito do DF (Detran) informou que as faixas exclusivas das w3 Sul e Norte, bem como a do Setor Policial Sul, também estarão liberadas para o tráfego de todos os veículos nesta quinta-feira. As linhas de ônibus partindo de Samambaia e Ceilândia foram reforçadas pelo Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans).

Assembleia
Em assembleia realizada com a categoria nesse feriado de 1º de maio, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do DF (SindMetrô-DF) decidiu manter a greve prevista para começar a partir desta quinta-feira (02/05/2019). Durante a reunião, os dirigentes apresentaram a proposta oferecida pela empresa aos profissionais, mas ela foi rejeitada e a paralisação, que já havia sido anunciada, mantida.

O encontro reuniu pouco mais de 400 empregados na Estação Praça do Relógio, em Taguatinga, segundo balanço feito pela Polícia Militar. Na votação, 186 servidores foram favoráveis à greve e 73 contrários.

De acordo com o sindicato, 30% dos funcionários vão continuar trabalhando nos dias da greve e haverá oito trens rodando em horário de pico – normalmente são 24.

“Caberá ao Metrô-DF definir a distribuição de servidores nas estações”, disse a diretora de Comunicação do SindMetrô-DF, Renata Campos. Segundo a assessoria da Companhia do Metropolitano, 18 dos 24 trens que geralmente funcionam no horário de pico estão rodando na manhã desta quinta, mínimo aceitável “para garantir a segurança dos usuários”. A partir das 9h, esse número cai para oito composições.

A empresa diz que não tem de colocar apenas 30% da frota em circulação nos períodos de maior movimento de passageiros, como o sindicato da categoria deliberou. Todas as estações de embarque e desembarque estão funcionando no começo da manhã de quinta-feira, ainda conforme comunicou a empresa.

Após o início da greve, a Estação Ceilândia amanheceu cheia, mas os passageiros não relatavam grandes dificuldades para embarcar nos trens. Nas primeiras horas do dia, porém, eles enfrentaram fila maior para comprar o bilhete, uma vez que apenas um funcionário atendia os usuários — normalmente são três.

Até as 7h45, o tempo de espera pela chegada do metrô variava de 6 a 12 minutos, a depender da linha. Quando não há greve, a demora é de 3 a 7 minutos. A doméstica Luara Santos, 32 anos, mora na região administrativa e trabalha no Plano Piloto. Ela se queixou da decisão tomada pelos metroviários.

“Não fiquei sabendo desta greve e, por isso, achei que os trens estavam mesmo demorando um pouco mais hoje. O jeito é ligar para o patrão e dizer que vou me atrasar”, disse Luara Santos. O personal trainer Diogo Mascarado, 27, pegou o trem em Taguatinga por volta das 6h40 e desceu em Ceilândia às 7h20.

“Demorei 10 minutos a mais para chegar ao meu destino. Espero que nos outros dias de greve, já que os trens estão circulando com efetivo menor, melhore esse tempo também”, comentou.

A aposentada Dora Lopes, 59, pegou o metrô na Estação Praça do Relógio, em Taguatinga, por volta das 7h15 e desembarcou em Ceilândia às 7h40. “O percurso, que leva 15 minutos, demorou 20 minutos, nessa manhã. Percebi que os trens estão demorando um pouco mais nas plataformas antes de partir. Eles ficam estacionados por uns 5 minutos até encher completamente de gente”, frisou.

A assessoria do Metrô-DF informou que “o SindMetrô-DF decidiu manter a greve apesar dos esforços do Governo do Distrito federal em realizar um acordo que evitasse a paralisação”. Segundo a companhia, nesta quinta-feira será definido o plano de ação para minimizar os transtornos aos passageiros.

Proposta rejeitada
A categoria rejeitou a proposta do governo, que ofereceu a manutenção, em sua integralidade, do Acordo Coletivo de Trabalho 2017/2019 e seus termos aditivos, pelo período de 1º de junho de 2019 a 1º de abril de 2020. O documento traz direitos relacionados a salários, reajustes, jornadas de trabalho, gratificações, adicionais, entre outros.

O sindicato reclama que benefícios sociais reunidos em 52 cláusulas teriam sido cortados. Além disso, o Metrô não estaria cumprindo acordos coletivos, judiciais e sentenças da Justiça favoráveis à categoria desde 2015.

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