Com Black Friday, arrecadação no DF deve ultrapassar R$ 1 bilhão em novembro
As inúmeras promoções no mês ajudam o comércio a se recuperar da crise provocada pelo coronavírus, principalmente com as compras on-line
atualizado
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Impulsionada pelas vendas do comércio com as promoções da Black Friday, que ocorrem ao longo desta semana, encerrando-se na sexta-feira (27/11), a arrecadação de novembro no Distrito Federal deve superar a marca de R$ 1 bilhão. Os dados fornecidos pela Secretaria de Economia, com exclusividade ao Metrópoles, preveem o recolhimento total de R$ 1,003 bilhão em impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Serviços de Qualquer Natureza (ISS), o melhor índice para o mês nos últimos três anos.
De acordo com o estudo, o DF espera arrecadar R$ 803,70 milhões em ICMS e R$ 199,90 milhões em ISS, superando, inclusive, os resultados de dezembro, quando as vendas são fomentadas pelo período natalino. Pelo menos desde 2018 o recolhimento dos tributos em novembro é superior ao registrado no último mês do ano.
Confira os dados:
A previsão não representa a maior arrecadação das duas taxas em 2020, pois os números de outubro apresentaram recolhimento de R$ 1,033 bilhão. Conforme a pasta, o número é atípico e foi dilatado pelo setor de energia elétrica. Para novembro, no entanto, é o desempenho do comércio que eleva a arrecadação, que ainda pode superar os resultados do mês anterior.
Volta do consumo
“A nível nacional, a intenção de compra dos consumidores é 24% maior do que no mesmo período do ano passado, e isso deve refletir para o DF”, avalia José Carlos Magalhães, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF).
Segundo ele, o período de quarentena provocado pela pandemia do novo coronavírus represou compras dos consumidores; por isso, deve ocorrer um aumento nas aquisições em novembro.
“Ao contrário dos últimos anos, roupas e calçados são os dois itens que mais estão na mira dos compradores”, explica José Carlos. Dessa forma, esses produtos ultrapassariam eletrodomésticos e eletrônicos, como smartphones, visto que a compra desses itens sofreu menos com as restrições de funcionamento das lojas.
Sem medo de comprar on-line
Para o presidente do Sindicato dos Varejistas, Edson de Castro, a esperança para o setor está nas vendas pela internet. “Com a pandemia, até pessoas com idade mais avançada aprenderam a utilizar as mídias digitais, inclusive para fazer compras”, destaca. “As pessoas perderam o medo de comprar on-line”, acrescenta. A entidade estima que mais de 4 mil lojas participem das promoções nesta semana.
Edson ressalta também que o setor do varejo é responsável pela circulação de dinheiro, uma vez que as contratações feitas para o fim do ano fazem com que mais pessoas tenham renda para gastar. “Além disso, como cerca de 98% das compras são feitas no cartão de crédito, o 13º salário estimula o consumo”, explica.
Aos comerciantes, Castro alerta que a prática de falsos descontos prejudica apenas o próprio comércio, uma vez que as mídias digitais facilitam não só as pesquisas de preço, mas também a avaliação dos produtos e serviços.
Segundo Antonio Valdir, diretor superintendente do Sebrae-DF, a Black Friday é uma oportunidade para o empreendedor alavancar as vendas. “A economia de Brasília é baseada no consumo e, como tem muitos servidores públicos que não perderam renda, ao contrário do resto do país, a expectativa no comércio é excelente”, antecipa.
Contudo, explica o especialista em gestão empresarial, o comerciante tem de se adequar às novas formas de consumo do comércio digital. “Na crise, o dinheiro não some, apenas muda de mão, saindo do comerciante que parou para aquele que se adaptou”, pontua. Para Valdir, os empresários devem apostar em comodidade e agilidade para os clientes, já que “o que mudou foi o perfil do consumidor candango, não a renda”.
Cuidados
Apesar do otimismo e da população estar cada vez mais consciente sobre os direitos dos consumidores, ainda são necessários cuidados na hora de fazer as compras, principalmente on-line. O diretor-geral do Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF), Marcelo Nascimento, incentiva o registro de eventuais reclamações, uma forma de “desestímulo para que o fornecedor continue com a prática nociva”.
Marcelo lista medidas que podem ser tomadas para que os compradores não tenham dor de cabeça com as compras de fim de ano:
- Pesquise os preços dos produtos com antecedência, pois fica mais fácil de descobrir os falsos descontos;
- Tire “print” da tela com as promoções dos produtos, para comparar o valor pesquisado com o cobrado no momento de compra;
- Pesquise a reputação da empresa. É possível fazê-lo no site da própria companhia, nas redes sociais; no portal do Procon; na Justiça e na Receita Federal, com o CNPJ da loja;
- Desconfie de descontos exorbitantes e opções de pagamento somente em boleto ou depósito bancário. Dê preferência por pagamento no cartão de crédito, pois o processo para cancelar a compra e estornar o valor é mais simples;
- Em caso de fraude, propaganda enganosa e golpe, denuncie. Reclamações ao Procon podem ser feitas pelo telefone 151 ou pelo e-mail 151@procon.df.gov.br, ou, em caso de grupos de consumidores prejudicados, o Ministério Público e a Defensoria Pública podem ser acionados.
O diretor-geral do Procon-DF afirma que a equipe da autarquia fiscaliza o comércio para garantir a segurança dos consumidores. “Começamos a vigilância há dois meses, colhendo os preços dos produtos normalmente mais procurados”, revela. Para esta semana, quando se intensificam as promoções e vendas, o chefe da pasta garante que “fiscais começam a andar pelas lojas da cidade, supervisionando os comerciantes”.










