Caso Lázaro: polícia intensifica buscas em chácaras próximas à BR-070

Movimentação foi intensificada na noite desta quarta-feira (23/6), entre Águas Lindas e Girassol, em Goiás

atualizado 28/06/2021 10:45

Buscas a Lázaro BarbosaHugo Barreto/Metrópoles

No início da noite desta quarta-feira (23/6), policiais que integram a força-tarefa que caça Lázaro Barbosa, 32 anos, intensificaram as buscas em uma região que fica a cerca de 5km da base instalada em Cocalzinho (GO), Entorno do DF.

Pelo menos quatro viaturas foram acionadas para uma região de chácaras próximas à BR-070, entre Águas Lindas e Girassol. Policiais colocaram coletes à prova de balas, pegaram as armas e desceram dos veículos para atender uma denúncia. As equipes não deram detalhes da operação.

Lázaro é suspeito de matar uma família no DF, balear quatro pessoas, entre elas um policial, e cometer uma série de assaltos com reféns durante a sua fuga em Goiás. Ele está foragido há 15 dias.

Desde que saiu do DF, Lázaro trocou tiros duas vezes com a polícia e também com um caseiro de uma chácara em Areia Branca, fazendo uma família refém. No entanto, desde a quinta-feira passada (17), não há informações oficiais sobre a presença dele na região.

Em nota divulgada nesta quarta, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) disse que informações preliminares apontam que “possivelmente” o veículo encontrado carbonizado na área de Girassol, nessa terça (22), não tem relação com o caso Lázaro.

O veículo, um Chevrolet Corsa Classic, foi encontrado em um barranco, na descida de uma estrada de terra, próximo à Gruta dos Ecos. Um lençol sujo e um serrote foram encontrados na área de busca a Lázaro. O material foi analisado pela perícia e levado para Goiânia (GO) para ser verificado se há vestígios do criminoso.

A casa onde houve uma troca de tiros na noite de terça também foi periciada. Um fazendeiro trocou tiros com um homem que tentou invadir a casa dele. Os peritos recolheram vestígios para ver se o invasor era Lázaro Barbosa.

Aos policiais, o caseiro contou que, por volta das 20h40, percebeu quando alguém tentou forçar a maçaneta da porta da casa. Ele pegou a arma e atirou contra o invasor. Houve troca de tiros. Após os disparos, ligou para um amigo na cidade e pediu para que mandasse uma viatura até o endereço.

A reportagem conseguiu conversar com o dono da propriedade, de 54 anos, que preferiu não revelar o nome.

“Ele deu um tiro a cerca de 50m. Eu não me assusto. Estava esperando. Não saí daqui em nenhum momento. Estou aqui 24h. Não tenho medo disso aqui. Quem tem de ir embora é ele, não é nós, não”, afirmou o fazendeiro.

 

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Na manhã desta quarta (23), a base de operações montada na Escola Municipal Alto da Boa Vista amanheceu com pouca presença de forças de segurança.

Antes, a operação contava com mais pontos de bloqueio ao longo de todo o percurso entre o Distrito Federal e Cocalzinho de Goiás. Nesta quarta, a reportagem identificou apenas uma fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) entre Águas Lindas e Girassol.

De acordo com a SSP-GO, o perímetro de atuação da força-tarefa continua o mesmo. “A área operacional não foi aumentada. Embora todas as denúncias que chegam para as equipes sejam verificadas, após passar pelo crivo inicial da inteligência”.

A pasta solicita que qualquer informação relevante seja encaminhada para o disque-denúncia criado para operação de captura de Lázaro Barbosa: (061) 9 9839-5284, ou por meio do aplicativo Brasil Mais Seguro.

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Chacina

Lázaro é suspeito de matar Cláudio Vidal de Oliveira, 48 anos, Gustavo Marques Vidal, 21, e Carlos Eduardo Marques Vidal, 15. Ele ainda sequestrou Cleonice Marques de Andrade, 43 anos, esposa de Cláudio e mãe das outras vítimas. O crime ocorreu na madrugada de 9 de junho, no Incra 9, em Ceilândia.

O corpo de Cleonice foi encontrado dias depois, em um matagal. O cadáver estava sem roupa e com um corte nas nádegas, em uma zona de mata perto da BR-070.

Desde que matou a família Vidal, Lázaro vem entrando e saindo de propriedades, fazendo novas vítimas. Ainda no Incra 9, em Ceilândia, ele invadiu outros dois locais, baleando três pessoas em um deles, além de um policial. Em Goiás, ele tem se escondido na região entre Girassol, Edilândia e Cocalzinho, Entorno do DF.

Família Vidal:

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Conforme revelou o Metrópoles, pessoas ligadas a Lázaro entraram em contato com um advogado criminalista do Distrito Federal para tentar intermediar a rendição do foragido à Polícia Civil do DF (PCDF).

Ficha criminal

A vida criminal de Lázaro começou em 2008. Na época, ele foi preso por um duplo homicídio em Barra do Mendes, município baiano que fica a 540 km de Salvador. Ele é natural da cidade.

Segundo a Polícia Civil baiana, o criminoso foi indiciado pelos assassinatos de José Carlos Benício de Oliveira e Manoel Desidério Silva, no povoado de Melancia. O inquérito, concluído e enviado à Justiça, aponta que ele atingiu as vítimas com disparos de espingarda e depois fugiu, apresentando-se dias depois na unidade policial. Após a prisão, ele acabou fugindo para o Centro-Oeste.

No DF, chegou a ser condenado por roubo e estupro. Mas, também, conseguiu fugir do sistema penitenciário em 2016.

A capacidade de fuga de Lázaro já é velha conhecida da polícia e do sistema prisional goiano. Em julho de 2018, ao tentar escapar junto de outros cinco detentos do presídio de Águas Lindas (GO), no Entorno do Distrito Federal, ele foi o único que obteve êxito.

Personalidade violenta

Laudo psicológico feito no âmbito de um dos processos contra Lázaro Barbosa, em 2013, constatou que o homem tem características de personalidade violenta, como agressividade, ausência de mecanismos de controle, dependência emocional, impulsividade e instabilidade emocional.

Ainda de acordo com os psicólogos que assinam o documento ao qual o Metrópoles teve acesso, o criminoso tem possibilidade de “ruptura do equilíbrio, preocupações sexuais e sentimentos de angústia”.

O autor, segundo os especialistas, teve o desenvolvimento psicossocial prejudicado devido a agressões familiares, uso abusivo de álcool e drogas, falecimento familiar, abandono das atividades escolares, trabalho infantil e situação financeira precária.

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