Cão Orelha: manifestantes se reúnem no DF e pedem justiça pelo animal
“Cãominhada” ocorreu neste sábado (31/1) no Sudoeste, em Brasília. Caso do cão Orelha gerou forte comoção nas redes sociais
atualizado
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Manifestantes de diferentes estados do Brasil saíram às ruas na tarde deste sábado (31/1) para cobrar justiça pela morte do cão Orelha, em Florianópolis (SC). O animal foi torturado por quatro adolescentes e deixado para morrer. Diante da gravidade dos ferimentos, o cãozinho precisou ser submetido à eutanásia.
No Distrito Federal, a concentração ocorreu ao lado do ParkDog na quadra SQSW 104, no Sudoeste. O movimento foi encabeçado pela Associação Apdog. A “cãominhada” ocorreu com o apoio do Detran e da Polícia Militar, garantindo a segurança e a organização de todo o trajeto.
“O objetivo é demonstrar nosso carinho pelos animais e reforçar, mais uma vez, o pedido por sensatez, respeito e o fim dos maus-tratos”, escreveram os organizadores no anúncio da convocação para a ação.
Presente no ato, a gestora Tereza Padilha, 70 anos, disse trabalhar há anos com a causa animal. Segundo ela, diante da “crueldade que ocorreu” com o cãozinho Orelha, manifestações são necessárias para que as pessoas saibam que maus-tratos “não serão tolerados”.
“Não podemos mais aceitar esse tipo de crueldade, e vamos exigir, sim, justiça. Não não tem mais espaço para isso, não tem mais espaço para crueldade contra os animais. Nós queremos que o governo dê uma resposta, principalmente o governo de Santa Catarina, porque Brasília e o mundo está com o Orelha”, declarou.
Ao lado da cadela Estela, a empreendedora Natália Carvalho, 37 anos, contou ao Metropoles que a indignação com o que aconteceu com o cachorrinho a tirou de casa para participar da caminhada.
“A crueldade animal tem que ter um fim imediatamente e as pessoas responsáveis por crimes como o que ocorreu com o Orelha precisam ser punidas, ainda que adolescentes”, começou.
“Acho que uma pessoa que comete uma crueldade animal, ainda que seja criança, ela já tem uma índole que precisa ser tratada”, pontuou.
Nem mesmo a chuva foi capaz de impedir a caminhada que arrastou centenas de manifestantes do Sudoeste ao memorial JK. Ao longo do trajeto, os brasilienses receberam apoio de moradores e motoristas, que não economizaram nas buzinadas.

O caso
Orelha teria desaparecido antes de ser encontrado ferido e agonizando por um dos cuidadores. Devido à gravidade das lesões, o animal precisou ser submetido à eutanásia.
O animal vivia há 10 anos na Praia Brava, em Florianópolis. No local, havia três casinhas destinadas aos cães, que se tornaram mascotes da região. Além de conviver diariamente com moradores, o animal interagia com outros cães do bairro, sendo conhecido e querido pela comunidade.
Em 16 de janeiro, quatro adolescentes pertencentes a famílias influentes foram apontados como autores do ato covarde. Os menores foram identificados por meio de imagens de câmeras de segurança e depoimentos de moradores da região.
As investigações avançaram nesta semana, após uma operação da Polícia Civil de Santa Catarina cumprir mandados de busca e apreensão relacionados a maus-tratos e coação no curso do processo. Além dos adolescentes, três adultos — familiares dos suspeitos — foram indiciados por coagir testemunhas.
Após o crime, dois dos jovens investigados viajaram para os Estados Unidos. De volta ao Brasil, eles devem prestar depoimento nos próximos dias.
Nas redes sociais, o caso provocou forte comoção. Brasileiros de diferentes partes do país se uniram para cobrar justiça pelo crime cruel.
Maioridade penal
Durante coletiva de imprensa sobre o caso, o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, defendeu a redução da maioridade penal ou, alternativamente, a aplicação de sanções mais rigorosas. “Um jovem tem plena consciência da sua responsabilidade. Então, tem que ocorrer a redução da maioridade penal. Se não ocorrer, é preciso existir uma sanção maior para o adolescente penal”, afirmou.
Atualmente, a legislação brasileira estabelece a maioridade penal aos 18 anos. A regra está prevista no artigo 228 da Constituição Federal, que considera penalmente inimputáveis os menores dessa idade, submetendo-os às normas da legislação especial, como o ECA.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as providências que estão previstas em lei incluem advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação, “sendo a última aplicada de forma excepcional e apenas nas hipóteses legais”.
O MP informou que aguarda a finalização do inquérito policial para, então, definir os próximos passos















