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Cão Orelha: relembre 5 casos de maus-tratos que chocaram o país
Nas últimas semanas, o caso de agressão do cão Orelha revoltou o país. Relembre outros crimes de maus-tratos que marcaram a história
atualizado
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Com a repercussão do caso de agressão e morte do cão Orelha, em Florianópolis (SC), todo o país entrou em uma onda de mobilização em prol de justiça. Além da movimentação nas redes, diversas cidades têm organizado manifestações para chamar atenção das autoridades. No entanto, não é a primeira vez que um crime contra um animal gera forte comoção nos brasileiros.
Esse tipo de acontecimento, devido ao nível de crueldade, causa revolta popular e leva as pessoas a pedirem por reforço das leis de proteção. Por conta disso, os poderes são pressionados e cobrados a darem uma resposta para o povo.
O Metrópoles relembra cinco crimes de maus-tratos contra animais que marcaram a história do país e alteraram as leis.
Confira:
Yorkshire (2012)
Na cidade de Formosa (GO), uma mulher gravou um vídeo em que torturava e matava a própria cadela da raça yorkshire.
As imagens brutais viralizaram nas redes e expuseram o quanto, naquele período, as punições eram ainda mais brandas — a acusada, em questão, foi condenada apenas a prestar serviços comunitários e pagar uma multa de R$ 2,8 mil.

Beagles do Instituto Royal (2013)
Naquele ano, 178 cães da raça beagle foram resgatados de um centro de pesquisas científicas, o Instituto Royal, que ficava em São Roque (SP). Ativistas invadiram a organização e acenderam o debate sobre o uso de animais em testes laboratoriais. Os cachorros foram doados após o resgate.

Inicialmente, a repercussão do caso fez com que fossem criadas leis que proibiram os testes em determinados estados.
Depois, no âmbito federal, outras normas foram instituídas para certos fins. Atualmente, conforme a Lei n° 15.183 de julho de 2025, o país proíbe os testes em animais para cosméticos, perfumes e produtos de higiene.
Manchinha (2018)
Em 2018, o Brasil conheceu o triste caso de Manchinha. Em um supermercado da rede Carrefour, localizado em Osasco (SP), um segurança agrediu e envenenou o cão que era cuidado pelos funcionários da unidade. As imagens da violência circularam nas redes sociais e levaram a população para as ruas a pedido de justiça.
No ano seguinte, 2019, o ocorrido foi usado como apoio para a proposição de penas mais rigorosas ao crime de maus-tratos. O Congresso acabou aprovando o PL 1.095/2019, que sugeriu o aumento de reclusão e multa máxima de mil salários mínimos. Em 2020, o projeto foi sancionado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e depois convertido em lei.

O Carrefour fez um acordo com o Ministério Público e pagou R$ 1 milhão para um fundo do Município de Osasco, que destinou o valor para castração de cães e gatos, compra de medicamentos para o hospital veterinário e o canil municipal, além de mantimentos para ONGs e associações locais.
Elefanta Ramba (2019)
Depois de passar anos sofrendo violências em circos do Chile, a elefanta Ramba foi resgatada e levada para o Santuário de Elefantes Brasil (MT). O caso da mamífera estimulou o debate sobre as crueldades cometidas contra animais de espetáculo para o entretenimento humano. Apesar de não existir uma lei federal, alguns decretos tratam acerca do tema.

Alguns estados, como Rio de Janeiro e São Paulo, proibiram a utilização de animais em apresentações circenses. Projetos como o PL 174/23 visam banir o uso em todo o território nacional e outros, de forma contrária, buscam regulamentar o uso com foco no bem-estar.
Cachorro Sansão (2020)
Em Confins (MG), Sansão, um cão da raça pitbull, sofreu uma violência brutal após pular o muro de casa e entrar em confronto com o cachorro dos suspeitos. Aos dois anos de idade, o animal teve as duas patas traseiras decepadas com um facão como vingança pelo ocorrido. Devido complicações de saúde, Sansão morreu quatro anos depois.

A crueldade do caso gerou revolta no país e mobilizou a população e o Legislativo, além de ter sido o estopim para que a Lei 14.064/20 fosse sancionada. Levando o nome do cão, o decreto aumentou a pena para quem maltratar cães e gatos — reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição de guarda.
