BRB: 18 deputados fazem perguntas ao presidente em reunião longa
O encontro, que teve início às 9h30, segue ao longo da tarde até que todos os parlamentares tenham dúvidas sanadas
atualizado
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Durante reunião a portas fechadas na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), 18 dos 24 deputados distritais que se reúnem com o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, nesta segunda-feira (2/3), se inscreveram para fazer perguntas ao gestor. Souza foi à CLDF esclarecer dúvidas sobre a situação patrimonial do banco e ao projeto que prevê a capitalização do BRB para cobrir os prejuízos com o Banco Master.
O encontro, que teve início às 9h30, seguirá ao longo da tarde até que todos os parlamentares tenham dúvidas sanadas. O Metrópoles apurou que, além dos distritais, consultores e assessores legislativos, o secretário de economia do DF, Daniel Izaias de Carvalho, e uma comitiva do próprio banco acompanham a reunião.
À imprensa o presidente da Casa legislativa, o deputado Wellington Luiz (MDB), declarou que o projeto de recuperação apenas será votado após todos os “esclarecimentos possíveis” serem sanados. A previsão é de que a data para análise da proposta seja definida somente nesta terça-feira (3/3).
“Vamos discutir exaustivamente o projeto. Essas reuniões visam exatamente isso, [permitir] que os deputados conheçam a verdadeira intenção do governo e que a gente possa, sim, salvar o banco. No decorrer dessas discussões, vamos apresentando proposta pra que possamos aprimorar o projeto e, dessa forma, darmos a tranquilidade que a população do Distrito Federal precisa”, declarou Wellington Luiz.
Conforme informou o chefe do Legislativo local, o Colégio de Líderes, que estava previsto para ocorrer após a reunião de hoje, foi adiado para esta terça-feira (2/3): “Esse rito será definido apenas depois que todas as participações e dúvidas forem exauridas para que tenhamos a tranquilidade de levar o projeto à votação. […] Não será levada a votação enquanto isso [projeto] não for devidamente discutido”.
Por volta das 13h30, os deputados fizeram uma breve pausa para o almoço. Durante conversa com jornalistas, o deputado Chico Vigilante (PT), que compõe a oposição ao governo do Distrito Federal, disse que a situação do BRB é “grave”.
“Ao contrário do outro presidente do BRB que vinha aqui e vendia um monte de fantasia, o atual presidente está falando a verdade. A situação é grave. Precisa ser encontrada uma solução. Eu continuo com a posição de que o projeto, do jeito que está estruturado, não resolve o problema do banco. Então, tem que ser discutido com muito mais profundidade para encontrar uma solução definitiva e não vender fantasia pra população do DF”, pontuou.
Negativa de federalização
Segundo Fábio Felix (PSol), o presidente do BRB disse que o Banco Central “tem trabalhado de forma colaborativa”. O parlamentar também declarou que o gestor informou que não há “defesa” pela privatização ou pela federalização do banco.
Em relação aos empregados, Felix afirmou que Nelson informou que “não há, hoje, previsão nenhuma de demissão, dispensa de empregados do BRB e que a ideia é trabalhar realmente para que o banco possa se reorganizar e se recapitalizar”.
Para Gabriel Magno (PT), “a ameaça do presidente do BRB [de que, se não votar o PL, o banco vai acabar] não ajuda e não resolve o problema”. “O presidente do BRB afirmou que os R$ 6,6 milhões não resolvem o problema do BRB, e que dá apenas um respiro para o banco se manter de pé”, informou.
Iprev
Em coletiva de imprensa, o deputado Max Maciel (PSol) disse que, durante a reunião, também foi falado sobre a atual situação do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev). Conforme informou o parlamentar, o Iprev detém “montante significativo das ações do banco”.
“Perguntaram se com o rombo, o Iprev pode ter um prejuízo muito grande e aí eles falaram que não, pois as ações estão no piso. Quer dizer, isso é fazer o jogo do ‘não tem mais o que perder’. Então assim, o Iprev já perdeu muito e como a perda é muito grande, não tem como perder mais. Essa é a preocupação, nós queremos os dados transparentes sobre a situação do Iprev”, afirmou.
Capitalização
Na última terça-feira (24/2), o GDF enviou à CLDF uma alteração no texto original que autoriza empréstimo com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou outras instituições financeiras no valor de até R$ 6,6 bilhões para o Banco de Brasília.
A medida é tida pelo Executivo local como a solução para a crise desencadeada pelos prejuízos nos negócios com o Banco Master.
O texto atualiza o primeiro projeto de lei, encaminhado na sexta-feira (20/2). Uma das novidades é exatamente a inclusão do limite do valor do empréstimo que o governo, como acionista controlador, pode pegar para destinar ao BRB.
A proposta também permite aportes patrimoniais do GDF ao BRB e alienação de bens públicos com posterior destinação do produto da venda ao reforço patrimonial do BRB. São listados nove imóveis públicos, em vez dos 12 inicialmente previstos.
