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BRB esvaziou próprio capital com “distribuição agressiva” de lucros em 2025, diz área técnica da CLDF

O BRB distribuiu 62,96% dos lucros líquidos aos acionistas em 2025, mais que a média de 39,51% dos anos anteriores

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1 de 1 fachada-do-banco-de-brasilia-brb-no-centro-empresarial-cnc-regiao-central-de-brasilia—metropoles-8 - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O Banco de Brasília (BRB) distribuiu 62,96% dos lucros líquidos aos acionistas em 2025, percentual elevado em comparação com a média de 39,51% dos anos anteriores.

A medida pode ter contribuído para o agravamento da situação da instituição financeira após prejuízos com o Banco Master, segundo relatório da Consultoria Legislativa (Conlegis), Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

“Ao elevar a distribuição de proventos para quase 63% em um cenário de explosão dos Ativos Ponderados pelo Risco (RWA), a administração do BRB agiu na contramão da cautela exigida, promovendo o esvaziamento de seu próprio capital de absorção de perdas”, enfatiza trecho do estudo elaborado para analisar projeto de lei por meio do qual o Governo do Distrito Federal (GDF) pede autorização para fortalecimento do BRB.

Veja:

Trecho de estudo da Consultoria Legislativa da CLDF

Em 2025, como revelou o Metrópoles, fundos e pessoas ligadas ao Banco Master e à Reag já eram donas de 25% do capital do BRB. A compra de ações do banco por meio de laranjas é investigada pela Polícia Federal. Na semana passada, a Justiça do DF determinou o bloqueio das ações em posse desse grupo com objetivo de ressarcir o banco.

Os técnicos da Conlegis apontam “contradição” entre a distribuição “agressiva” frente ao socorro pleiteado. O documento foi produzido pela Unidade de Processo Legislativo Orçamentário, Finanças, Transparência, Tributação, Regulação, Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia da CLDF, a pedido dos deputados distritais Fábio Felix (PSol), Pepa (PP) e Jorge Vianna (PSD).

O estudo explica que, sob a ótica técnica e prudencial do mercado financeiro, a retenção de lucros “é o mecanismo orgânico mais eficiente para o fortalecimento do Patrimônio de Referência (Capital de Nível 1), que compõe o numerador da fórmula de Basileia”.

Segundo os técnicos da CLDF, o esforço primário do BRB deveria ter sido a retenção máxima dos resultados recentes, limitando a distribuição ao mínimo obrigatório ou mesmo retendo a totalidade dos recursos mediante aprovação em assembleia para fortalecimento das reservas estruturais.

“A ausência dessa postura defensiva sugere que a descapitalização que agora se tenta mitigar com recursos públicos foi agravada pelas próprias decisões de distribuição de caixa da administração do banco”, citaram os técnicos.

Acionista controlador do BRB, o GDF enviou à CLDF um projeto de lei que prevê medidas para fortalecimento do banco em meio à crise. Entre as ações, está prevista a autorização para empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e uso de imóveis como garantia ou possível venda.

Reunião

O PL é o tema de reunião do presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, com deputados distritais, nesta segunda-feira (2/3).

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Nelson Antônio de Souza.
Presidente do BRB em reunião na CLDF.
Nelson Antônio de Souza.
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 Presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza.
Presidente do BRB (de óculos) em reunião com distritais na CLDF
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Presidente do BRB (de óculos) em reunião com distritais na CLDF

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Nelson Antônio de Souza.
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Presidente do BRB em reunião na CLDF.
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Presidente do BRB em reunião na CLDF.

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 Presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza.
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Presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza.

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No encontro, a portas fechadas, o atual presidente do BRB declarou aos parlamentares que, se o projeto de lei para fortalecimento da instituição não for aprovado, “do ponto de vista regulatório, o banco para de funcionar”.

“O BRB continua operando normalmente desde o início da operação, pagando mais de 209 mil servidores públicos, operacionalizando mais de 25 programas sociais e atendendo centenas de milhares de beneficiários”, afirmou o presidente. “O que está em debate aqui não é o passado. É a estabilidade futura do DF”, declarou.

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