Autoescola da Asa Norte vai à falência e deixa alunos no prejuízo

A autoescola Teka encerrou suas atividades na semana passada sem dar explicação aos alunos; Detran diz que pode descredenciar empresa

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Fim à obrigatoriedade de um mínimo de aulas em autoescolas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação CNH Metrópoles 1
1 de 1 Fim à obrigatoriedade de um mínimo de aulas em autoescolas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação CNH Metrópoles 1 - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A autoescola Teka, localizada na quadra 704 da Asa Norte (DF), encerrou suas atividades na semana passada sem avisar os alunos que já tinham pago o valor das aulas pendentes. Além disso, a unidade não responde mais mensagens nem atende ligações.

Uma das alunas prejudicadas, a estudante de audiovisual Manuella Vitória Câmara, de 18 anos, contou ao Metrópoles que o número de pessoas afetadas gira em torno de 60. Muitos iniciaram o processo há meses e já estavam com as aulas pagas.

Ela disse que a autoescola postou um comunicado no Status do WhatsApp dizendo que não estava conseguindo arcar com os custos financeiros e, por isso, decidiu fechar as portas.

“Essa é uma decisão muito difícil para todos nós, sentimos profundamente por ter chegado a esse ponto. Agradecemos imensamente a confiança de cada aluno, colaborador e parceiro que fez parte da nossa história”, diz parte da nota.

De acordo com o dono do prédio onde o estabelecimento ficava, a unidade estava com dois meses de aluguel atrasados.

A jovem tentou contato, mas ainda não obteve resposta. De mãos atadas, ela e outros candidatos registraram boletim de ocorrência e reclamações no Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon).

Manuella contou que se preparava para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para as categorias A e B. As aulas começaram pela B em julho de 2025, e ela afirma ter gastado cerca de R$ 2 mil.

Em sua última aula paga antes da prova prática de carro, ela conta que a única opção para pagar era no Pix. A chave pertencia a uma pessoa que aparentemente não tinha relação com a autoescola.

Aprovada, ela deu início ao processo na categoria A, de moto. A aluna conta que, um dia antes do fechamento da autoescola, recebeu uma mensagem da empresa informando que a instrutora que iria acompanhá-la estava de atestado médico, e que não havia dias disponíveis para remarcar.

O comunicado acrescentava, ainda, que as atividades voltariam nessa segunda-feira (9/3), o que não aconteceu.

A estudante explicou que, assim como ela, diversos alunos foram prejudicados, pois o processo está parado. “Nós temos que ir ao Detran pegar o processo porque eles [autoescola] estão fechados, além de pagar uma taxa e procurar outra unidade para dar continuidade às atividades”, disse.

“Eu sempre quis muito tirar minha CNH para ter mais independência. Eu moro longe das coisas. Da minha casa para a faculdade são, no mínimo, duas horas e meia. Desde nova essa era uma das minhas maiores metas, por isso, assim que fiz 18 anos, fui atrás do processo”, conta.

Além do dinheiro gasto no processo que foi interrompido, a jovem contou que ainda precisou pagar mais cerca de R$ 300 para continuar em outra autoescola.

A auxiliar de serviços gerais, Neide Martins, de 56 anos, também foi uma das vítimas da insensatez da autoescola. Ela conta que gastou cerca de R$ 1.900, e deu início ao processo ainda em novembro mas só conseguiram marcas as aulas práticas de direção em abril. Porém a unidade fechou e não deu nenhuma explicação de como prosseguir.

Neide contou ao Portal que não sabe o que fazer, que tem medo de ir para outra autoescola e iniciar o processo do zero, pagando mais uma vez as taxas. Ela revelou que a obtenção da CNH é de extrema importância para ela, pois precisa cuidar constantemente com a mãe que tem alzheimer.

“Para mim é muito importante tirar minha CNH pois tenho minha mãe idosa com alzheimer e preciso levar ela ao hospital quase que diariamente”, diz.

A vendedora Anne Gabriely Idelfonso, de 22 anos, relatou que gastou R$ 2.250 para realizar os procedimentos nas categorias A e B. Ela diz que já estava prejudicada antes pela demora que a autoescola tinha em marcar as aulas e provas, o que fez com que ela e atrasasse.

Anne lamenta e busca também por respostas, pois achou que a vida se tornaria mais facil se fizesse as aulas perto da onde ela trabalha, “achei que seria mais fácil tirar a carteira perto do ambiente que eu trabalho, mas pelo visto virou pesadelo”.

Outro lado

Em nota, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran) que o fechamento da autoescola sem aviso prévio ao órgão gera o descredenciamento da empresa e o bloqueio parcial imediato aos sistemas do órgão, conforme a Instrução nº 124.

Além disso, informou que o bloqueio parcial trava a matrícula de novos alunos, mas permite a continuidade dos serviços já contratados no prazo de até 60 dias.

“O Detran informa que recebeu as denúncias e ressalta que o credenciamento das autoescolas é único por CNPJ, inclusive em caso de filiais, e que o descredenciamento da empresa não a desobriga de cumprir as obrigações contratuais já assumidas com seus clientes”, completou.

Metrópoles também entrou em contato com a autoescola Teka para possíveis manifestações, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto.

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