Associação de Medicina Intensiva se manifesta sobre homicídios em UTI
Segundo a associação, “as UTIs são seguras para os pacientes”. Nota foi divulgada após a morte de três pessoas na UTI do hospital Anchieta
atualizado
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Após técnicos de enfermagem serem presos sob suspeita de provocarem a morte de três pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), a Associação de Medicina Intensiva (Amib) publicou nota informando que “as UTIs” são ambientes “seguros”.
No documento, AMIB pede à população que “mantenha a confiança no atendimento oferecido por milhares de serviços do tipo, espalhados pelo país, no SUS e na rede particular de saúde”.
“Episódios dessa natureza configuram condutas individuais gravíssimas, incompatíveis com os princípios éticos, legais e técnicos que regem a assistência em saúde no país, e não refletem, em hipótese alguma, a prática cotidiana nas Unidades de Terapia Intensiva brasileiras, nem o trabalho da enfermagem e das equipes multiprofissionais”, disse a associação.
Conforme a Amib, as UTIs são ambientes “altamente regulados por protocolos assistenciais rigorosos, possuem monitorização contínua e contam com atuação integrada de equipes multiprofissionais, contribuindo com a recuperação da saúde e a preservação da vida de milhares de pacientes, diariamente”.
Para a AMIB, trata-se de um “caso excepcional, que não reflete a rotina das UTIs brasileiras”:
“Atualmente, o país conta com mais de 70 mil leitos de terapia intensiva, operados por equipes multiprofissionais em ambientes altamente regulados, com monitorização contínua e protocolos rígidos de segurança”, consta na nota”.
No posicionamento, a associação se solidarizou com a dor de familiares das vítimas e se “colocou à disposição da sociedade para contribuir tecnicamente com todas as iniciativas que fortaleçam a confiança, transparência e segurança nas UTIs brasileiras”.
Os crimes
As investigações da Polícia Civil apontam que o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa— em alguns casos, com o auxílio de duas técnicas de enfermagem, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, de 28 e 22 anos — injetou doses de um medicamento não prescrito aos pacientes.
As vítimas foram identificadas como João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33, servidor dos Correios; e Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos.
No caso da professora aposentada, o homem ainda injetou mais de 10 seringas de desinfetante no organismo da mulher. A motivação dos crimes ainda está sendo investigada.
Ao receberem a substância aplicada na veia, as vítimas sofriam parada cardíaca quase que imediatamente. Para disfarçar o uso da aplicação, Marcos ainda realizava massagens de reanimação nos pacientes enquanto as técnicas apenas observavam de longe.
Os celulares dos suspeitos estão confiscados no Instituto de Criminalística da PCDF.
Após o caso vir à tona, familiares de outros pacientes mortos em UTI atendidos pelos técnicos investigados entraram em contato com a Polícia e pediram investigação dos casos. Ao menos dois novos casos estão sendo investigados.
O delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão afirmou que, por enquanto, trata-se apenas de suspeitas e não há evidências concretas de novas vítimas.
“É algo preliminar ainda. Familiares têm procurado a Polícia Civil após o caso daquele hospital. Estamos apurando todos os fatos, mas não há nada de concreto ainda”, ressaltou o delegado.
Denúncia do hospital
O caso passou a ser investigado após denúncias do próprio estabelecimento de saúde, que percebeu circunstâncias atípicas relacionadas aos três pacientes na UTI. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
Com base nas evidências, fruto da investigação interna, o hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos, os quais já haviam sido desligados da instituição.
“O hospital, enquanto também vítima da ação desses ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça.”
