Assassino de Daniella Pelaes é condenado a 39 anos e 7 meses

Janilson Quadros de Almeida assassinou a ex-companheira em maio de 2024, na casa da vítima, no Jardim Botânico (DF) e em frente aos filhos

atualizado

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1 de 1 janilson - Foto: Reprodução/Facebook

O feminicida Janilson Quadros de Almeida foi condenado, nesta quarta-feira (10/6), a 39 anos e 7 meses pela morte da servidora pública federal Daniella Di Lena Pelaes de Almeida, assassinada, na frente dos filhos, na própria casa, enquanto dormia.

O julgamento do acusado ocorreu nesta quarta-feria (10/6), no Tribunal de Júri de Brasília. O crime ocorreu em 25 de maio de 2024, no Condomínio Amobb, no Jardim Botânico (DF).

Relembre o caso

Daniella Pelaes tinha 46 anos, era mãe de três filhos e irmã mais velha da família. Ela se mudou para Brasília justamente para se afastar do ex-companheiro.

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Daniella di Lorena Pelaes de Almeida foi morta pelo ex dentro de casa
Daniella (última à direita) era irmã de Beth Pelaes (blusa verde na foto), prefeita de Pedra Branca do Amapari (AP)
Daniella Di Lorena Pelaes de Almeida, 46 anos
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Daniella Di Lorena Pelaes de Almeida, 46 anos

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Daniella di Lorena Pelaes de Almeida foi morta pelo ex dentro de casa
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Daniella di Lorena Pelaes de Almeida foi morta pelo ex dentro de casa

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Daniella (última à direita) era irmã de Beth Pelaes (blusa verde na foto), prefeita de Pedra Branca do Amapari (AP)
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Daniella (última à direita) era irmã de Beth Pelaes (blusa verde na foto), prefeita de Pedra Branca do Amapari (AP)

Instagram/Reprodução

A denúncia do Ministério Público sustenta que Daniella foi morta a facadas na manhã de 25 de maio de 2024, dentro da própria casa. Segundo a acusação, Janilson teria invadido o quarto onde ela dormia com dois dos filhos do casal e a atacado com golpes de faca.

Janilson foi preso no dia do crime, e teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia. Desde então, permaneceu preso sob o entendimento de que a liberdade do acusado representaria risco à ordem pública, diante da gravidade dos fatos.


  • Segundo os relatos anexados ao processo, o ataque aconteceu por volta das 5h15 da manhã.
  • A babá que trabalhava na residência afirmou ter acordado com os gritos de Daniella pedindo para que Janilson parasse. Ao correr até o quarto, encontrou a porta arrombada e presenciou o acusado golpeando a vítima.
  • Os dois filhos menores presenciaram a cena. Um dos meninos, de 10 anos à época, correu para esconder as outras facas da casa, temendo que o pai atacasse os irmãos ou a funcionária.
  • Foi o próprio garoto quem conseguiu sair e pedir ajuda ao segurança do condomínio.
  • Ao chegar ao local, o vigilante encontrou Daniella já sem sinais vitais e Janilson caído ao lado dela.

Denúnica do MP

O crime foi enquadrado como feminicídio qualificado por motivo torpe e prática em contexto de violência doméstica e familiar.

De acordo com o processo, o relacionamento entre os dois havia terminado meses antes do crime.

Testemunhas ouvidas pela Justiça relataram histórico de ameaças, ciúmes, comportamento possessivo e discussões frequentes, Familiares afirmaram que Janilson não aceitava o fim da relação e continuava monitorando a rotina da ex-companheira.

Daniella registrou ocorrências e obteve medidas protetivas de urgência antes do crime, mas estas foram revogadas a pedido da própria vítima, seguno os autos. A família afirma que a decisão de cancelar ocorreu porque as restrições fificultavam o contato do pai com o filho do casal.

Durante a fase de instrução, a filha de Daniella relatou que a mãe já havia manifestado medo de Janilson e que ele teria feito ameaças de morte em ocasiões anteriores. Ela também afirmou que o relacionamento era marcado por agressividade, controle e ciúmes excessivos.

O cunhado da vítima, Flávio Lima Barreto, declarou em depoimento que Daniella havia se mudado para Brasília justamente na tentativa de se afastar do acusado. Segundo ele, mesmo após a separação, Janilson fazia ligações constantes e se recusava a assinar a minuta de divórcio.

Protesto e indignação de familiares

Na terça-feira (9/6), a família da vítima realizou um ato na Esplanada dos Ministérios para pedir por justiça. O protesto foi organizado pelos parentes de Daniella, que moram no Amapá e vieram à Brasília para acompanhar o júri popular do acusado.

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Cruzes com nomes de vítimas como Marielle Franco e Eliza Samudio também foram expostos
Dezenas de placas foram colocadas com os nomes de vítimas do feminicídio
Protesto foi organizado pela família de Daniela Pelaes
Daniella Pelaes, de 46 anos, foi morta a facadas, dentro de casa ao lado dos filhos
Maria do Socorro e Beth Pelaes, mãe e irmã de Daniella
Cemitério a céu aberto na Esplanada chama atenção para o número de feminicídios
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Cemitério a céu aberto na Esplanada chama atenção para o número de feminicídios

Ana Clara de Lima / Metrópoles
Cruzes com nomes de vítimas como Marielle Franco e Eliza Samudio também foram expostos
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Cruzes com nomes de vítimas como Marielle Franco e Eliza Samudio também foram expostos

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Dezenas de placas foram colocadas com os nomes de vítimas do feminicídio
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Dezenas de placas foram colocadas com os nomes de vítimas do feminicídio

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Protesto foi organizado pela família de Daniela Pelaes
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Protesto foi organizado pela família de Daniela Pelaes

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Daniella Pelaes, de 46 anos, foi morta a facadas, dentro de casa ao lado dos filhos
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Daniella Pelaes, de 46 anos, foi morta a facadas, dentro de casa ao lado dos filhos

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Maria do Socorro e Beth Pelaes, mãe e irmã de Daniella
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Maria do Socorro e Beth Pelaes, mãe e irmã de Daniella

Imagem cedida ao Metrópoles

A mãe de Daniella, Maria do Socorro Pelaes, destacou que a manifestação em frente ao Congresso Nacional foi uma forma de honrar a memória da filha.

Ela também contou como tem enfrentado o luto nos últimos anos. “Eu me pego com Deus. A gente sofre, chora, sem lágrimas, magoa, muito mesmo. Meus netos olham para mim e fazem as perguntas. Vão olhar e eu não sei o que dizer para eles, porque a dor é muito grande”, desabafou.

A irmã de Daniella, Beth Pelaes, também afirmou que a perda transformou a rotina de todos. “É um buraco, um vazio. A falta que ela faz, assim, todos os dias. E a minha mãe sofre, nunca mais foi a mesma pessoa. Minha mãe, às vezes, pego ela olhando pro nada e eu sei o que ela tá pensando. A gente tenta mudar de assunto.”

Outro ponto destacado foi o impacto psicológico do crime sobre os filhos de Daniella, que presenciaram o ataque. O processo de recuperação emocional das crianças é doloroso e faz parte da realidade diária da família desde o ocorrido.

“Eu adotei as crianças, são meus filhos na Justiça mesmo”, afirmou Beth. “O menor acorda de madrugada e pede para eu ler a Bíblia para ele. Os dois viram tudo o que aconteceu.” Apesar do sofrimento, ela diz confiar na decisão dos jurados: “Nós acreditamos na Justiça e é isso que nós queremos. Queremos justiça, quero que ele pague”.

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