Irmã de Daniella Pelaes relembra perda: “Vida de cabeça para baixo”

Julgamento do assassino da servidora pública, Janilson Almeida, ocorre nesta quarta, em Brasília. Família da vítima acompanhará de perto

atualizado

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Arquivo pessoal/Reprodução
Daniella Di Lorena Pelaes de Almeida, vítima de feminicídio no DF
1 de 1 Daniella Di Lorena Pelaes de Almeida, vítima de feminicídio no DF - Foto: Arquivo pessoal/Reprodução

Após dois anos de espera, o julgamento de Janilson Quadros de Almeida, acusado de matar a servidora pública federal Daniella Di Lena Pelaes de Almeida (foto em destaque), ocorre nesta quarta-feira (10/6). Na esperança de obter justiça, a irmã de Daniela, Beth Pelaes, afirma que o crime “mudou a vida da família de cabeça para baixo”.

Daniella Pelaes era a irmã mais velha, tinha três filhos e havia se mudado para Brasília justamente para se afastar do ex-companheiro, Janilson Quadros de Almeida. O crime foi registrado em maio de 2024: Daniella estava dormindo no quarto com os dois filhos mais novos quando o réu invadiu a residência e o cômodo.

De acordo com os parentes, ninguém imaginava que algo assim pudesse acontecer, já que Daniella era considerada a “pessoa valente da família”. “Ninguém mexia com a gente, era ela quem tomava a frente de tudo, fazia taekwondo e tudo mais”, relembrou Beth.

Protesto na Esplanada

Na terça-feira (9/6), a família realizou um ato na Esplanada dos Ministérios para alertar sobre os casos de feminicídio e pedir por justiça. O protesto foi organizado pelos parentes de Daniella, que moram no Amapá, mas viajaram à capital federal para acompanhar o júri popular do acusado.

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Cruzes com nomes de vítimas como Marielle Franco e Eliza Samudio também foram expostos
Dezenas de placas foram colocadas com os nomes de vítimas do feminicídio
Protesto foi organizado pela família de Daniela Pelaes
Daniella Pelaes, de 46 anos, foi morta a facadas, dentro de casa ao lado dos filhos
Maria do Socorro e Beth Pelaes, mãe e irmã de Daniella
Cemitério a céu aberto na Esplanada chama atenção para o número de feminicídios
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Cemitério a céu aberto na Esplanada chama atenção para o número de feminicídios

Ana Clara de Lima / Metrópoles
Cruzes com nomes de vítimas como Marielle Franco e Eliza Samudio também foram expostos
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Cruzes com nomes de vítimas como Marielle Franco e Eliza Samudio também foram expostos

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Dezenas de placas foram colocadas com os nomes de vítimas do feminicídio
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Dezenas de placas foram colocadas com os nomes de vítimas do feminicídio

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Protesto foi organizado pela família de Daniela Pelaes
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Protesto foi organizado pela família de Daniela Pelaes

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Daniella Pelaes, de 46 anos, foi morta a facadas, dentro de casa ao lado dos filhos
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Daniella Pelaes, de 46 anos, foi morta a facadas, dentro de casa ao lado dos filhos

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Maria do Socorro e Beth Pelaes, mãe e irmã de Daniella
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Maria do Socorro e Beth Pelaes, mãe e irmã de Daniella

Imagem cedida ao Metrópoles

A mãe de Daniella, Maria do Socorro Pelaes, destacou que a manifestação em frente ao Congresso Nacional foi uma forma de honrar a memória da filha.

Ela também contou como tem enfrentado o luto nos últimos anos. “Eu me pego com Deus. A gente sofre, chora, sem lágrimas, magoa, muito mesmo. Meus netos olham para mim e fazem as perguntas. Vão olhar e eu não sei o que dizer para eles, porque a dor é muito grande”, desabafou.

Beth também afirmou que a perda transformou a rotina de todos. “É um buraco, um vazio. A falta que ela faz, assim, todos os dias. E a minha mãe sofre, nunca mais foi a mesma pessoa. Minha mãe, às vezes, pego ela olhando pro nada e eu sei o que ela tá pensando. A gente tenta mudar de assunto.”

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Daniella (última à direita) era irmã de Beth Pelaes (blusa verde na foto), prefeita de Pedra Branca do Amapari (AP)
Daniella di Lorena Pelaes de Almeida foi morta pelo ex dentro de casa
Daniella Di Lorena Pelaes de Almeida, 46 anos
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Daniella Di Lorena Pelaes de Almeida, 46 anos

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Daniella (última à direita) era irmã de Beth Pelaes (blusa verde na foto), prefeita de Pedra Branca do Amapari (AP)
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Daniella (última à direita) era irmã de Beth Pelaes (blusa verde na foto), prefeita de Pedra Branca do Amapari (AP)

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Daniella di Lorena Pelaes de Almeida foi morta pelo ex dentro de casa
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Daniella di Lorena Pelaes de Almeida foi morta pelo ex dentro de casa

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Outro ponto destacado foi o impacto psicológico do crime sobre os filhos de Daniella, que presenciaram o ataque. O processo de recuperação emocional das crianças é doloroso e faz parte da realidade diária da família desde o ocorrido.

“Eu adotei as crianças, são meus filhos na Justiça mesmo”, afirmou Beth. “O menor acorda de madrugada e pede para eu ler a Bíblia para ele. Os dois viram tudo o que aconteceu.” Apesar do sofrimento, ela diz confiar na decisão dos jurados: “Nós acreditamos na Justiça e é isso que nós queremos. Queremos justiça, quero que ele pague”.

O julgamento

Janilson Quadros de Almeida enfrenta o Tribunal do Júri de Brasília nesta quarta-feira (10/6), a partir das 9h. A família da vítima acompanha o desfecho do processo, iniciado logo após o crime em 2024, esperando que a sentença traga uma resposta contundente à sociedade.

Janilson e Daniella ficaram casados durante quatro anos

A denúncia do Ministério Público sustenta que Daniella, de 46 anos, foi morta a facadas na manhã de 25 de maio de 2024, dentro da própria casa, no Condomínio Amobb, no Jardim Botânico. Segundo a acusação, Janilson invadiu o quarto onde a vítima dormia com os filhos e a atacou.

O crime foi enquadrado como feminicídio qualificado por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e prática em contexto de violência doméstica e familiar.


O dia do crime

  • Segundo os relatos anexados ao processo, o ataque aconteceu por volta das 5h15 da manhã.
  • A babá que trabalhava na residência afirmou ter acordado com os gritos de Daniella pedindo para que Janilson parasse. Ao correr até o quarto, encontrou a porta arrombada e presenciou o acusado golpeando a vítima.
  • Os dois filhos menores presenciaram a cena. Um dos meninos, de 10 anos à época, correu para esconder as outras facas da casa, temendo que o pai atacasse os irmãos ou a funcionária.
  • Foi o próprio garoto quem conseguiu sair e pedir ajuda ao segurança do condomínio.
  • Ao chegar ao local, o vigilante encontrou Daniella já sem sinais vitais e Janilson caído ao lado dela.

 

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