Após preso ficar deformado, CLDF pede restrição a balas de borracha

Comissão de Direitos Humanos solicita que Secretaria de Administração Penitenciária explique protocolos de uso de armas menos letais

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Igo Estrela/Metrópoles
Placa de identificação verde
1 de 1 Placa de identificação verde - Foto: Igo Estrela/Metrópoles

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) pediu à Vara de Execuções Penais (VEP) a restrição do uso de balas de borracha nas dependências do sistema penitenciário de Brasília. A solicitação foi motivada pelo caso do interno Luiz Paulo da Silva Pereira, do Centro de Progressão Penitenciária (CPP), alvejado com dois tiros desses projéteis em 2 de março. As balas deformaram o rosto do apenado, que precisou passar por cirurgias de reconstrução facial.

O pedido foi feito em ofício da Comissão de Direitos Humanos da Casa legislativa, assinado pelo deputado distrital Fábio Felix (PSol), presidente do grupo. O documento é destinado à diretora de secretaria da VEP, Tatiana de Souza Guedes.

Cenas fortes: preso tem rosto deformado após tiros de bala de borracha

“Lembramos, ademais, que recentemente houve outro caso de lesão grave por uso de balas de borracha nas dependências do sistema prisional, quando um interno perdeu a visão. Solicitamos providências para que o uso dessas armas seja restringido, dada a gravidade evidente de seu uso nesse contexto”, escreveu o parlamentar.

Fábio Felix se refere ao episódio de janeiro de 2021, em que pelo menos dois internos ficaram cegos após serem atingidos por balas de borracha. Em setembro do mesmo ano, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) condenou o DF a indenizar um dos presos em R$ 35 mil.

Veja como ficou o rosto do detento atingindo no último dia 2/3:

Após preso ficar deformado, CLDF pede restrição a balas de borracha - destaque galeria
8 imagens
Luiz Paulo da Silva Pereira teve o rosto desfigurado
Luiz foi atendido no Hran
Os médicos precisaram retirar cartilagem da orelha para preencher o nariz
O detento vai entrar na Justiça
Para o interno do sistema penitenciário, houve uso excessivo de força
Após preso ficar deformado, CLDF pede restrição a balas de borracha - imagem 1
1 de 8

reprodução
Luiz Paulo da Silva Pereira teve o rosto desfigurado
2 de 8

Luiz Paulo da Silva Pereira teve o rosto desfigurado

Material cedido ao Metrópoles
Luiz foi atendido no Hran
3 de 8

Luiz foi atendido no Hran

Material cedido ao Metrópoles
Os médicos precisaram retirar cartilagem da orelha para preencher o nariz
4 de 8

Os médicos precisaram retirar cartilagem da orelha para preencher o nariz

Material cedido ao Metrópoles
O detento vai entrar na Justiça
5 de 8

O detento vai entrar na Justiça

Material cedido ao Metrópoles
Para o interno do sistema penitenciário, houve uso excessivo de força
6 de 8

Para o interno do sistema penitenciário, houve uso excessivo de força

Material cedido ao Metrópoles
Seape afirma que Luiz participava de uma briga de facas
7 de 8

Seape afirma que Luiz participava de uma briga de facas

Material cedido ao Metrópoles
Fotos circulam em grupos de Whatsapp de familiares de presos
8 de 8

Fotos circulam em grupos de Whatsapp de familiares de presos

Material cedido ao Metrópoles

“Nossa preocupação é a transparência do uso das balas de borracha. Uma coisa importante de ser colocada é que a ONU não considera balas de borracha como uma arma não letal. Esse não letal tem muitas aspas e a bala de borracha tem muito potencial ofensivo. Então, temos essa preocupação de entender quando o sistema prisional do DF entende que ela pode ser usada: é em qualquer conflito?”, ponderou o parlamentar.

Recomendações do Ministério Público aos administradores do sistema prisional

O pedido do presidente da Comissão de Direitos Humanos vai ao encontro de duas recomendações dadas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF), ainda em 2021. Documento conjunto dos dois órgãos pediu à Seape que não permitisse o uso de “instrumento de menor potencial ofensivo” por policiais penais sem capacitação prévia.

Foi recomendado, ainda, que o secretário de Administração Penitenciária “crie um protocolo de padronização do uso de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo específico para cada tipo de instrumento, a ser adotado nos treinamentos e ações operacionais”. O documento foi assinado pelos promotores Rodrigo de Oliveira Machado, Jorge Luís Lopes Mansur, Ruy Reis de Carvalho Neto e pelo defensor público Werner Abich Rech no dia 11 de março do ano passado.

Em agosto do mesmo ano, o Ministério Público voltou a fazer recomendações à Seape, dessa vez sugerindo a implantação de um circuito interno de câmeras de segurança e “uso individual de equipamentos de gravação”, a chamada câmera na lapela, já usada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMSP) desde agosto de 2020.

A adoção das câmeras de lapela nos PMs do estado paulista aconteceu após perseguição policial em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, deixar nove mortos. Segundo o jornal Folha de São Paulo, desde a adoção dos equipamentos, a taxa de letalidade da PMSP caiu 85%.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?