Após deixarem a reitoria, alunos da UnB deflagram greve geral
Blocos de Salas de Aula (BSA) Sul e Norte já foram fechados na tarde desta quarta-feira (2/5)
atualizado
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Em assembleia na tarde desta quarta-feira (2/5), os estudantes da Universidade de Brasília (UnB) deflagraram greve geral. Eles fazem piquetes e já começam a fechar alguns prédios da instituição, que vive a pior crise financeira de sua história. Nos Blocos de Salas de Aula (BSA) Sul e Norte, os manifestantes usam cadeiras para bloquear a entrada.
A assessoria de imprensa da UnB confirmou a paralisação. Nesta quinta (3), os estudantes ainda planejam um ato contra os cortes no orçamento da universidade e também o fechamento do Instituto Central de Ciências (ICC). Em evento organizado no Facebook, pelo menos 48 pessoas disseram ter interesse em participar do piquete e 21 já confirmaram presença.Além dos alunos, estão em greve os servidores e terceirizados. Na segunda-feira (30/4), após 19 dias de ocupação, os estudantes desocuparam a reitoria da Universidade de Brasília. A saída deles ocorreu por volta das 10h30. Antes de deixarem o prédio, os manifestantes e representantes da maior instituição de ensino do Distrito Federal realizaram uma inspeção no local a fim de verificar possíveis danos ao patrimônio.
Confira imagens da desocupação da reitoria da UnB:
Em nota, a UnB disse respeitar a atuação das entidades representativas, que têm autonomia para definir suas estratégias de mobilização. Ressaltou também que mantém o diálogo com os segmentos, com reuniões frequentes para a discussão de alternativas à situação orçamentária e financeira da instituição.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) também se manifestou. Em publicação no Facebook, o DCE disse que a “aprovação da greve estudantil não vincula o corpo de estudantes da UnB”. No entanto, o post foi tirado do ar momentos após sua divulgação.

Aluna de pedagogia, Tayná Lacerda, 20 anos, diz que o objetivo do movimento é reunir os estudantes, estagiários e terceirizados em uma greve geral contra as demissões e a precarização da universidade. “Os terceirizados, infelizmente, não têm conseguido cumprir a greve, porque sempre chegam correspondências de aviso prévio para demissões. Muitos professores também não aderiram, então, se o aluno quer entrar participar, ele tem receio de ser penalizado”, diz.
Fábio Gonçalves, 21 anos, aluno de matemática, teve aulas normalmente nesta quarta-feira (2/5), pois o curso não decidiu se irá aderir à paralisação. “Entrei em contato com o CA [Centro Acadêmico] e me disseram que não tinha nenhuma mudança sobre as aulas de hoje. A causa é nobre, estamos lutando por educação. Se a matemática parasse, eu não me sentiria prejudicado, mas parte do movimento”, afirma Gonçalves.

Motivos para a paralisação
O movimento intitulado Frente Combativa da UnB informou que a greve é resultado de um ano de mobilização de estudantes e trabalhadores contra as demissões ocorridas em 2017. O grupo declarou ainda ser contrário ao desligamento de estagiários e terceirizados, a previsão de aumento no Restaurante Universitário (RU) e a emenda do teto de gastos públicos. Disse também ter o compromisso de cobrar os acordos firmados com a administração da UnB para a desocupação da reitoria.
A Frente Combativa UnB visa contribuir com a ressignificação da greve estudantil, entendendo que esta é uma ação política coletiva de reflexão, debate e combate ao sucateamento da educação pública, gratuita e de qualidade, e dos serviços públicos em geral.
Trecho da nota da Frente Combativa UnB
Ressaltou que entende ser culpa da União a austeridade aplicada dentro da UnB. Por isso, dois atos foram realizados em frente ao Ministério da Educação (MEC). O primeiro deles ocorreu no dia 10 de abril. A manifestação terminou em confusão. O outro ocorreu no dia 26 e foi rapidamente dispersado por policiais, que usaram bombas de efeito moral e a cavalaria na Esplanada.
“Fomos brutalmente atacados pela Polícia Militar e pelo Batalhão de Choque em diversos formatos de repressão: de bala de borracha ao uso da cavalaria. Sem contar com nossos colegas de luta detidos, feridos e humilhados”, disparou o movimento, que antes se intitulava Ocupa UnB.
A universidade calcula que deve fechar o ano com deficit de R$ 92,3 milhões nas contas. Como o Metrópoles mostrou na segunda-feira (30/4), a instituição tem um patrimônio avaliado em R$ 6,3 bilhões e, mesmo assim, está mergulhada na crise. A UnB aponta como causas principais as amarras legais.










